📅 Publicado em 21/03/2026 07h50✏️ Atualizado em 21/03/2026 07h53
Após ser alvo de uma dura sanção do Governo do Estado devido às péssimas condições de trafegabilidade da PA-150, a concessionária Rota do Pará foi às redes sociais em uma tentativa de justificar sua atuação. Em um posicionamento público, a empresa alegou já ter investido mais de R$ 400 milhões em “serviços iniciais de manutenção e estrutura operacional” desde que assumiu a concessão, em 2024.
A reação da concessionária ocorre logo após o governador Helder Barbalho determinar, na última quarta-feira (18), a suspensão imediata da cobrança de pedágio em cinco praças localizadas na PA-150. A medida drástica foi tomada com base em um relatório de inspeção técnica da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Estado, que atestou a existência de inúmeros buracos e a baixa qualidade dos serviços prestados pela empresa no trecho que liga Marabá à Alça Viária.
“Enquanto a PA-150 não estiver plenamente trafegável com a manutenção adequada, nós não permitiremos que a população pague pedágio por um serviço de baixa qualidade que está sendo realizado pela concessionária”, declarou o governador na ocasião, enfatizando que a cobrança só retornará quando o contrato for cumprido e a segurança dos motoristas for garantida.
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Promessas
Em seu comunicado, a Rota do Pará, que é responsável por 526 quilômetros de rodovias no estado (incluindo as PA-150, PA-475, PA-483, Alça Viária e trechos das PA-252 e PA-151), citou investimentos futuros. A empresa afirmou que prevê investir quase R$ 2 bilhões em obras e melhorias até 2031, incluindo restauração das pistas, implantação de acostamentos, duplicações pontuais e instalação de internet 4G.
Tais itens, é bom pontuar, estão nas obrigações presentes no contrato de concessão, e são obrigatórios.
Segundo o diretor de operações da concessionária, Alex Iannotti, a primeira etapa foi garantir condições de tráfego. “Finalizamos os trabalhos iniciais voltados à trafegabilidade e seguimos com manutenção permanente. Agora, iniciaremos a fase de recuperação estrutural da rodovia e de novos investimentos”, declarou o diretor, em uma afirmação que contrasta frontalmente com a realidade atestada pela inspeção do governo e vivenciada diariamente pelos motoristas.
Mencionou ainda que mantém inspeções de tráfego 24 horas, guinchos e ambulâncias, contabilizando mais de 17 mil atendimentos realizados. Tais serviços vêm sendo alvo de questionamentos dos usuários, que citam morosidade ou não atendimento.
O que dizem os usuários
No entanto, as promessas e os números apresentados pela Rota do Pará não convenceram os usuários que pagam a tarifa básica de R$ 12 e enfrentam os perigos da via.
A frustração com a cobrança antecipada por um serviço não entregue é um sentimento comum. “É obrigação deles. A gente paga pedágio, a gente tem de receber uma pista boa”, resumiu Luiz Eduardo.
Os relatos detalham os riscos reais enfrentados na rodovia. Inácio Ferreira destacou a situação crítica de trechos específicos: “Rodovias em péssimas condições, principalmente o trecho entre Jacundá e Marabá, muitos buracos. Em outros trechos o asfalto está fazendo buraco onde foi consertado e ninguém toma providência contra essa concessionária. O usuário paga para usar rodovias em péssimas condições de trafegabilidade”.
A qualidade dos reparos paliativos também é alvo de duras críticas. “O serviço é muito ruim. Não demora e onde foram feitos os remendos volta a ter buracos. Infelizmente… Mas os radares estão funcionando a todo vapor”, lamentou Nivaldo Junior.
Os prejuízos materiais causados pela má conservação também foram relatados. Paulo César da Silva compartilhou sua experiência recente: “Com esse tráfego de caminhões, o serviço tem que ser diferenciado. Estão colocando brita solta em alguns buracos. Fui a Marabá no dia 07/03, e uma pedra arremessada por um caminhão atingiu o para-brisa do meu carro. Além do pedágio, mais esse prejuízo”.
Por fim, o usuário Marlisson Silva resumiu o sentimento geral de que os serviços de apoio não compensam o risco da pista esburacada: “Os serviços prestados inicialmente, como ambulâncias, Wi-Fi, guinchos, não justificam o pedágio antes do início das obras emergenciais de recuperação da PA. Pensaram em tudo, menos na qualificação das estradas”.
