Correio de Carajás

Projetista da 2ª ponte defende recuperação das estruturas

Carlos Fugante manifesta-se contra a demolição das pontes em Marabá e aponta alternativas técnicas para as estruturas.

Homem de cabelos e barba grisalhos sorrindo, usando óculos e camiseta Umbro vinho.
Projetista Carlos Fugante: “Não há, naquilo que acompanhei, nada que indique falha de execução ou descumprimento das especificações”
Por: Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 21/03/2026 07h07

A decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de implodir as duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá, começa a gerar reações no meio técnico. Em mensagens encaminhadas à Reportagem do Correio de Carajás, o engenheiro civil Carlos Fugante, que projetou a segunda ponte sobre o Rio Itacaiunas, no final da primeira década de 2000, manifestou-se contrário à medida e afirmou que as estruturas podem ser recuperadas.

Segundo ele, as deformações observadas na ponte não significam, necessariamente, perda de capacidade estrutural. Na avaliação do engenheiro, a existência de deslocamentos ou fissuras não pode ser automaticamente interpretada como risco iminente de colapso, o que, segundo ele, exigiria uma análise mais aprofundada antes de uma decisão extrema como a demolição.

“Deformação não é falta de capacidade estrutural. Até agora, não tenho conhecimento de evidências de que haja comprometimento da capacidade de suporte”, afirmou Fugante, ao comentar a situação das pontes.

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Com décadas de experiência na área de estruturas, o engenheiro também criticou o que classificou como precipitação na decisão. Ele afirmou que, diante do cenário apresentado, haveria alternativas técnicas voltadas ao monitoramento e à recuperação das obras, evitando a necessidade de implosão.

“Como velho engenheiro de estruturas e discípulo de um mestre em recuperação e reforço estrutural, só me resta indignação. Há caminhos técnicos para recuperar. Demolir sem esgotar essas possibilidades é algo que preocupa”, declarou.

Fugante, que vive no Paraná, destacou ainda que a ponte mais antiga é fruto do trabalho de um dos grandes nomes da engenharia estrutural brasileira, o professor José Luiz Cardoso, do Rio de Janeiro. Segundo ele, trata-se de uma obra relevante, executada por uma empresa de tradição no setor, o que reforça a necessidade de cautela na avaliação de sua demolição.

Sobre a ponte mais recente, o engenheiro explicou que a estrutura segue o mesmo conceito da anterior, com a aplicação de materiais mais modernos. Ele ressaltou que participou do controle técnico da obra durante sua implantação, atuando junto à equipe responsável pelo acompanhamento da execução.

De acordo com Fugante, durante o período de construção, não houve registros de inconformidades relevantes nos materiais ou nos processos executivos. Ele afirma que todos os parâmetros seguiram as normas técnicas exigidas e foram devidamente validados por equipes de controle interno e externo.

“Participamos do acompanhamento técnico da obra e tudo ocorreu dentro das boas práticas de engenharia. Não há, naquilo que acompanhei, nada que indique falha de execução ou descumprimento das especificações”, afirmou.

Apesar das críticas, o engenheiro reconhece que a decisão envolve variáveis que vão além da análise técnica, como custos, gestão de riscos e responsabilidade administrativa. Ainda assim, ele defende que alternativas de recuperação estrutural deveriam ser consideradas antes de qualquer medida definitiva.

A posição de Carlos Fugante amplia o debate sobre o futuro das pontes do Itacaiunas e evidencia a existência de divergências técnicas em torno da decisão anunciada pelo DNIT, que deve oficializar nos próximos dias o plano de implosão e reconstrução das estruturas.