Correio de Carajás

EXCLUSIVO: Dnit vai implodir as duas pontes do Itacaiunas e construir outras no lugar

Trânsito de Marabá, que já está caótico, deve piorar ainda mais quando as obras iniciarem

Vista aérea de uma ponte movimentada sobre um rio marrom com carros e trabalhadores.
As fissuras na ponte mais nova foram identificadas em 2017, mas só em 2025 o Dnit começou a interdição até o anúncio de que vai precisar destruir as duas pontes//Fotos: Evangelista Rocha
Por: Ulisses Pompeu e Josseli Carvalho
✏️ Atualizado em 20/03/2026 15h02

Após mais de seis meses de análises técnicas detalhadas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decidiu que será necessário implodir as duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá. A medida atinge tanto a estrutura mais recente, com apenas 16 anos de existência, quanto a mais antiga, que já ultrapassa quatro décadas de uso.

A informação foi repassada à Reportagem do Correio de Carajás na tarde de quarta-feira (18) e confirmada por uma fonte do DNIT, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (19). O órgão federal prepara, inclusive, uma nota oficial que deve ser divulgada até esta sexta-feira, comunicando formalmente a decisão à população.

De acordo com a fonte, a ponte mais nova apresenta problemas estruturais considerados insanáveis, o que inviabiliza qualquer tentativa de recuperação. Já a ponte mais antiga, com mais de 45 anos de funcionamento, sofre com desgaste natural e opera há anos com sobrecarga superior à prevista em seu projeto original.

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A estratégia inicial do DNIT é implodir primeiro a ponte mais recente. Durante esse período, a estrutura antiga passaria a operar em sistema de mão dupla, concentrando todo o fluxo de veículos. Após a construção de uma nova ponte, a mais antiga também será implodida para dar lugar a outra estrutura moderna.

A decisão é considerada drástica e deve provocar impactos profundos na mobilidade urbana e regional. As pontes são fundamentais para o tráfego na Rodovia Transamazônica, servindo de ligação não apenas entre bairros de Marabá, mas também entre municípios e até estados.

Nos próximos dias, o DNIT deve se reunir com representantes da Prefeitura de Marabá para apresentar o plano e discutir medidas emergenciais. Entre os pontos críticos está a necessidade de melhorar os acessos à Ponte Ana Miranda, inaugurada no final de 2024, que deverá absorver parte significativa do tráfego.

O problema, no entanto, é estrutural. As vias de acesso ao Bairro Vale do Itacaiunas são estreitas e atualmente não comportam o fluxo intenso de veículos pesados. Caminhões, inclusive, estão impedidos de utilizar a nova ponte, o que exigiria desapropriações, alargamento de vias e até a redistribuição do trânsito na Avenida 2000.

Apesar da urgência, o cronograma ainda está distante de uma solução prática. As licitações para a implosão e construção da primeira ponte devem ocorrer apenas no final deste ano. Isso significa que a população de Marabá ainda terá de conviver por um longo período com o atual cenário de congestionamentos, restrições e incertezas.

O custo estimado de cada nova ponte gira em torno de R$ 120 milhões, podendo ultrapassar esse valor. No entanto, ainda não há previsão orçamentária definida na União para viabilizar as obras, o que aumenta a preocupação sobre prazos e execução.

Outro ponto que permanece em aberto é a responsabilidade técnica pela ponte mais nova, construída pela CMT Engenharia. Não há confirmação se a estrutura ainda está dentro do período de garantia contratual.

Perfurações no meio da ponte visavam analisar a qualidade da estrutura onde houve as fissuras

Linha do tempo do problema

Os primeiros sinais de comprometimento da ponte mais recente surgiram ainda em 2017. Na época, o fotógrafo Jordão Nunes identificou um afundamento no vão central da estrutura e registrou imagens que chamaram atenção para o problema. A situação levou à mobilização de engenheiros da Prefeitura de Marabá, que constataram a presença de fissuras na parte superior e inferior da ponte.

O projetista da obra chegou a visitar o município e afirmou, naquele momento, que os sinais observados eram normais dentro dos primeiros anos de funcionamento. No entanto, ao longo dos anos seguintes, a estrutura continuou apresentando deformações progressivas.

Em 27 de setembro de 2025, uma equipe de especialistas esteve em Marabá para uma vistoria técnica aprofundada. Pouco tempo depois, em 22 de novembro, a ponte foi interditada para o tráfego de veículos pesados, como caminhões e carretas.

Desde então, uma empresa especializada passou a monitorar as duas pontes com o uso de sensores instalados ao longo das estruturas. O estudo ainda está em andamento e busca identificar, com precisão, as causas das fissuras e do comprometimento estrutural que levaram à decisão extrema anunciada agora pelo DNIT.