📅 Publicado em 17/03/2026 09h25✏️ Atualizado em 17/03/2026 10h10
Nesta terça-feira, 17 de março, o trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás completa 40 anos de operação, consolidado como um dos mais importantes meios de transporte entre o Pará e o Maranhão. E o aniversário chega com novidades que apontam para o futuro: internet a bordo, mais conectividade ao longo do trajeto e viagens diárias a partir do próximo ano.
O anúncio foi feito pela Vale, responsável pela ferrovia, como parte das ações comemorativas da data. A proposta é transformar a experiência dos passageiros, aproximando o serviço do padrão já conhecido na aviação comercial.
A partir de julho, os usuários já poderão contar com conexão durante a viagem. Inicialmente, o serviço será oferecido via Starlink, sistema de internet por satélite de Elon Musk. A expectativa é que, até 2027, toda a ferrovia conte com cobertura 4G, permitindo navegação contínua, envio de mensagens e, para quem desejar, acesso a pacotes mais completos com streaming.
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O avanço é significativo. Quando o projeto começou, apenas 14% do trajeto tinha algum tipo de conectividade. Para mudar esse cenário, foram investidos R$ 250 milhões na instalação de 49 torres ao longo da ferrovia, que corta 27 municípios nos dois estados, sendo 23 no Maranhão e quatro no Pará.
Além dos passageiros, a ampliação do sinal também deve impactar diretamente comunidades ao longo da linha férrea, com acesso à internet em áreas rurais, escolas e unidades de saúde.
Nos primeiros anos, a Estação Ferroviária de Marabá funcionava de forma precária em frente à Folha 18, na Nova Marabá, atrás da antiga fábrica da Coca Cola. E o embarque e desembarque era um suplício, com rampas rústicas e sem cobertura para os passageiros.

Atualmente, a viagem completa entre São Luís, no Maranhão, e Parauapebas, no Pará, dura cerca de 16 horas. Durante boa parte desse percurso, o acesso à internet ainda é limitado, restrito principalmente às proximidades de cidades como Santa Inês, Açailândia, Marabá e a própria Parauapebas. Ao todo, são 15 pontos de parada ao longo do trajeto.

Mesmo assim, o trem segue como uma das opções mais acessíveis de deslocamento na região. Em 2025, foram transportados 419 mil passageiros, número próximo ao recorde registrado no ano anterior, de 423 mil. Cada viagem leva, em média, 1.300 pessoas, com ocupação de 92% nos 20 vagões disponíveis. Em períodos de alta demanda, como férias e fim de ano, esse número pode chegar a 2.000 passageiros por trajeto.
O modelo também chama atenção pelo custo. Um bilhete na classe econômica para o percurso completo custa R$ 90, valor significativamente inferior ao de outros meios de transporte.

Outra mudança importante já confirmada é a ampliação da frequência das viagens. Atualmente, o trem parte três vezes por semana de cada ponta da ferrovia. De São Luís, as saídas ocorrem às segundas, quintas e sábados. Já de Parauapebas, às terças, sextas e domingos. Às quartas-feiras, o sistema para para manutenção.
A partir de 2027, no entanto, o cenário será outro. As viagens passarão a ser diárias, medida prevista no contrato de antecipação das concessões firmado entre a Vale e o governo federal em 2020. Com isso, o trem da Carajás se consolida ainda mais como um eixo de integração regional.

No Brasil, serviços ferroviários de passageiros interestaduais são raros. Além da Estrada de Ferro Carajás, apenas a linha Vitória a Minas, também operada pela Vale, mantém operação regular diária entre Cariacica e Belo Horizonte.
Criada inicialmente para o transporte de cargas, a ferrovia realizou sua viagem inaugural em 28 de fevereiro de 1985. O transporte de passageiros começou no ano seguinte, dando origem a um serviço que, quatro décadas depois, continua essencial para milhares de pessoas.
Hoje, além do fluxo de passageiros, a ferrovia segue como um dos principais corredores logísticos do país, escoando principalmente minério de ferro, mas também ampliando a presença de grãos e combustíveis.

Quarenta anos depois, o trem da Carajás segue cumprindo seu papel histórico, agora com olhos voltados para a conectividade, a inovação e uma nova geração de passageiros que viaja não apenas sobre trilhos, mas também conectada ao mundo digital.
