Correio de Carajás

Ciência Médica

Coluna Dr. Nagilson

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Nagilson Amoury

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Os médicos tratam pessoas há milhares de anos. A primeira descrição escrita de um tratamento médico é do Egito antigo e tem mais de 3.500 anos. Mesmo antes disso, os curandeiros e xamãs provavelmente ofereciam medicamentos à base de ervas ou de outros tipos para os doentes e feridos.

Há duzentos anos, os remédios comuns para uma ampla gama de distúrbios incluíam cortar uma veia para tirar um pouco de sangue e oferecer várias substâncias tóxicas para provocar vômitos ou diarreia, todos perigosos para uma pessoa doente ou machucada.

Diferentemente de objetos inanimados “doentes” como um machado quebrado ou uma camisa rasgada, que permanecem danificados até que sejam consertados por alguém, as pessoas doentes geralmente melhoram sozinhas ou apesar do tratamento do médico, se o corpo se curar ou se a doença seguir seu curso.

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Os resfriados geralmente se curam em uma semana, as dores de cabeça duram um dia ou dois e os sintomas de intoxicação alimentar podem cessar em 12 horas. Muitas pessoas se recuperam, até mesmo, de distúrbios letais, como um ataque cardíaco ou pneumonia, sem tratamento.

Muitos outros fatores, além da idade e da gravidade da doença, também devem ser levados em conta, como a saúde geral das pessoas sendo estudadas. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes ou insuficiência renal, tendem a demorar muito mais para melhorar que as pessoas saudáveis.

O médico e o hospital específicos responsáveis pelo tratamento, alguns podem ser mais especializados e com melhores instalações que outros. As porcentagens de homens e mulheres que compõem os grupos de estudo, homens e mulheres podem responder de maneira diferente ao tratamento. A situação socioeconômica das pessoas envolvidas, pessoas com mais recursos financeiros para ajudá-los tendem a melhorar com mais rapidez.

Os sintomas de doenças crônicas (como asma ou anemia falciforme) vêm e vão. Assim, muitos tratamentos podem parecer eficazes depois de um tempo suficiente e qualquer tratamento administrado próximo ao tempo de recuperação espontânea pode parecer drasticamente eficaz.

A crença no poder do tratamento é geralmente suficiente para fazer com que a pessoa se sinta melhor. Embora a crença não possa fazer com que um distúrbio subjacente desapareça, como um osso quebrado ou diabetes, as pessoas que acreditam que estão recebendo um tratamento forte e eficaz frequentemente sentem-se melhor.

Dor, náusea, fraqueza e muitos outros sintomas podem diminuir, mesmo que um comprimido não contenha princípios ativos e possa não trazer um possível benefício, como um comprimido de farinha (chamado de placebo). O que conta é a crença.

Um tratamento ineficaz (ou até mesmo prejudicial) receitado por um médico autoconfiante a uma pessoa confiante e esperançosa geralmente resulta em uma melhora significativa dos sintomas.

Essa melhora é chamada de efeito placebo. Como alguns médicos perceberam, muito tempo atrás, que as pessoas podem melhorar sozinhas, eles naturalmente tentaram comparar como pessoas diferentes com a mesma doença melhoraram com ou sem o tratamento. No entanto, até a metade do século XIX, era difícil fazer essa comparação. As doenças eram tão mal compreendidas que era difícil dizer quando duas ou mais pessoas tinham a mesma doença.

Apenas depois que diagnósticos exatos e com base científica se tornaram comuns, aproximadamente no início do século XX, é que os médicos começaram a conseguir avaliar eficazmente os tratamentos. No entanto, eles ainda precisavam determinar como avaliar um tratamento da melhor forma.

Em primeiro lugar, os médicos perceberam que tinham de examinar mais de uma resposta ao tratamento de uma pessoa doente. Uma pessoa melhorando (ou piorando) poderia ser uma coincidência. A obtenção de bons resultados em muitas pessoas é menos provável de ser devido ao acaso. Quanto maior o número de pessoas (tamanho da amostra), mais provável que qualquer efeito observado seja real.

 

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

         

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