Correio de Carajás

Mulheres que são felizes com outras mulheres

Com um relacionamento sólido, Amanda e Amanda estão juntas há mais de três anos/ Foto: Evangelista Rocha
Com um relacionamento sólido, Amanda e Amanda estão juntas há mais de três anos/ Foto: Evangelista Rocha
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No Dia dos Namorados, Poliana Adegas e Amanda Freitas dizem que não precisam de aprovação nem de aplausos. Só respeito!”

“Consideramos justa toda forma de amor”. Parafraseando Lulu Santos, começamos essa história com o trecho da emblemática música “Toda forma de amor”.

Não há como negar, os casais LGBTQI+ estão se sentindo cada vez mais à vontade para falar de suas relações afetivas. Em um mundo cheio de romantismo, flechas e cupidos, ninguém consegue controlar o próprio coração, nem mesmo o preconceito da liberdade do amor, a rejeição da família e o processo de autoaceitação, que muitas vezes se torna tão doloroso.

O CORREIO conta agora a história de amor de Poly e Amanda. O casal de namoradas que está junto há mais de três anos fala sobre as delícias de uma relação homoafetiva.

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Com amigos em comum, esporadicamente elas se esbarravam em encontros casuais. Nessa época, Polyana Gurjão Adegas, 39 anos – a Poly – era casada e afirma que nunca olhou ou percebeu qualquer coisa diferente da então amiga dos amigos, Amanda Waléria de Lima Freitas, 26 anos.

Até que certo dia – Poly já separada – elas se encontraram na Orla Sebastião Miranda. A noite foi normal, conversaram, riram e, na hora de ir embora, Amanda deu um abraço de despedida mais apertado e demorado em Poly, que percebeu algo diferente naquele instante.

“Quando cheguei em casa, mandei mensagem para um amigo meu (que é amigo dela) que não tinha entendido aquele abraço. Só que eles estavam juntos e ele mostrou a mensagem pra ela. Ele perguntou se podia dar meu número e pronto: começamos a conversar”, relembra Poliana.

Nesse momento da entrevista, Amanda explica que o abraço foi inconsciente, porém intencional. “Em outras ocasiões eu já tinha olhado pra ela e já tinha chamado a minha atenção, só que ela estava acompanhada. E naquele dia ela disse que estava solteira e aproveitei”, conta, aos risos.

Namoro

Desde o primeiro dia que começaram a ficar (elas contam que eram ficantes fixas. A definição namoro ainda não existia nesse começo) não se desgrudaram.

“Eu estava de férias e ela ficou uma semana inteira lá em casa. Ia trabalhar, passava na casa dela pra pegar algumas coisas, dar comida para o cachorro e voltava lá pra casa”, diz Poly.

O namoro não demorou muito tempo para ser oficializado pelo casal. Poliana e Amanda compartilham o amor, a vida, as alegrias e tristezas do dia a dia, porém, cada uma em sua casa. Elas garantem que precisam do espaço próprio e que o relacionamento se solidificou dessa forma.

Amanda:

“Eu não saí do armário, fui retirada do armário”,

O processo de autoaceitação foi algo muito natural. Durante a adolescência, Amanda até ficou com meninos, mas era algo totalmente indiferente, até que se apaixonou pela primeira menina, aos 15 anos.

“Foi muito natural, mas tive aquele período de esconder, porque sabia que a minha família não interpretaria de uma maneira legal. Na época, me abri com meus amigos e com uma tia, que é minha segunda mãe”, conta Amanda.

O preconceito maior estava dentro de casa. Escondendo a relação por um período, a sua orientação sexual foi exposta por uma tia que acabou descobrindo que Amanda se relacionava com outra menina.

“Foi muito constrangedor, passei um período de muito sofrimento. Na adolescência a gente quer ficar à vontade e eu me vi podada, ao ponto de qualquer coisa que eu quisesse fazer, tinha que mentir pra minha mãe. Deixava de ser eu. Vivia mentindo, por conta dela e, principalmente, do meu padrasto que é muito homofóbico”.

Hoje, a situação é completamente diferente. Segundo Amanda, a mãe conhece e ama Poliana.

“Entre ter amigos gays e ser gay há um abismo”, afirma Poliana

Diferente da companheira, Poliana chegou a namorar com homens. Teve relacionamentos héteros, porém, se sentia atraída por mulheres, achava bonito, sexy.

“Até que um dia conheci uma pessoa, ficamos amigas e viajamos juntas. Durante esse passeio acabou rolando. Foi a primeira vez que fiquei com uma mulher e, nessa época, eu estava namorando. Só fiz ligar pra ele e falei ‘não quero mais’, relembra Poliana.

O relacionamento homoafetivo com a amiga engatou, mas acabaram vindo as dúvidas e o preconceito.

“Fiquei muito confusa, pensei ‘o que é isso? Estou ficando doida!’. Eu tinha amigos gays, mas entre ter amigos gays e ser gay há um abismo. Nesse período eu saí de casa porque minha mãe não aceitou”.

Durante 4 meses, Poliana e a mãe ficaram sem se falar. A mãe não aceitava as escolhas da filha que, por sua vez, se sentia mais feliz se relacionando com mulheres.

Com muita conversa, compreensão e dando tempo ao tempo, a mãe foi percebendo que sua filha continuava a mesma. A relação demorou a ficar pacífica, mas o casal garante que a família segue se respeitando e se cuidando.

E o Dia dos Namorados?

Com a pandemia, o casal tem consciência de que o atual momento está muito difícil para muitas famílias. Com a taxa de desemprego aumentando, elas perceberam a necessidade de ajudar o próximo e aproveitaram mais essa data para fazer o bem.

“Decidimos que os valores que gastaríamos com presentes a gente vai reverter em cestas básicas e doar para quem precisa”.

A entrevista é encerrada com um pedido: “Só queremos respeito. Amor é amor. Não precisamos de aprovação nem de aplausos. Só respeito!”. (Ana Mangas)

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