Correio de Carajás

Junho traz combinação nociva à respiração

Período de seca, alinhado com queimadas e pandemia do coronavírus, traz grandes riscos à respiração/Foto: Reprodução
Período de seca, alinhado com queimadas e pandemia do coronavírus, traz grandes riscos à respiração/Foto: Reprodução
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Período de “verão amazônico” é o mais seco do ano, acentuado pelas queimadas e pela constante ameaça do coronavírus

 

Entre junho e setembro há uma séria diminuição na nebulosidade e no regime de chuvas na região amazônica; esse período é conhecido como “verão amazônico”, quando as maiores temperaturas e as menores taxas de umidade relativas do ar são registradas.

A ausência de chuvas é um momento oportuno para os praticantes de queimadas, que nas zonas urbana e rural de Parauapebas quase sempre tem o intuito de “limpar” lotes, de forma rápida e barata. A prática, além de prejudicial à fauna, flora e população do município, também é crime, como tipificado na Lei Municipal nº 4.925/2020.

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O tenente Paulo Victor Furtado, do 23º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM) em Parauapebas, lembrou que há uma taxa a se pagar para os que descumprirem a lei. “Nós recomendamos os fazendeiros a irem junto à Semma para verificar a situação da queima controlada, e orientamos não fazer esse tipo de queimada sem orientação das autoridades”, disse o bombeiro em entrevista ao Portal Correio de Carajás.

Tenente Paulo Victor Furtado atentou para multas cabíveis contra praticantes de queimadas/Foto: Ronaldo Modesto
Tenente Paulo Victor Furtado atentou para multas cabíveis contra praticantes de queimadas/Foto: Ronaldo Modesto

Segundo a lei, que vigora desde o último mês de dezembro, é proibida a prática de queimadas em vias públicas ou imóveis privados nas zonas urbana, rural, áreas de expansão do município e beiras de rodovias. Algumas queimadas podem ser autorizadas mediante prévia análise da Secretaria de Meio Ambiente (Semma), que deve ser contatada pelos interessados.

Em meio aos fatores período mais seco e aumento das queimadas no município, soma-se a pandemia de coronavírus, uma doença que ataca principalmente o sistema respiratório humano. A combinação entre esses agentes pode significar um período de enorme risco à saúde respiratória dos parauapebenses, como explica o médico pneumologista Wladimir Moreno Monteiro, consultado pela Reportagem.

Wladimir Monteiro, médico pneumatologista, explica como como seca, queimada e coronavírus prejudicam sistema respiratório/Foto: Acervo Pessoal
Wladimir Monteiro, médico pneumatologista, explica como como seca, queimada e coronavírus prejudicam sistema respiratório/Foto: Acervo Pessoal

“O período de seca é responsável pelo agravamento de muitas doenças respiratórias, em especial a asma, a doença pulmonar obstrutiva crônica, as rinites e sinusites, isso também agravará os sintomas respiratórios causados pelo coronavirus”, disse o médico, especialista em doenças respiratórias. Ele também analisou os impactos das queimadas na respiração sob o mesmo prisma do verão amazônico.

Wladimir Monteiro chamou a atenção para o processo inflamatório que a inalação da fumaça gerada durante as queimadas causa ao sistema respiratório, “desencadeando vários sintomas como tosse seca, falta de ar, desconforto respiratório, dor de garganta além de irritação nasal e nos olhos (rinite e conjuntivite)”. Nesse processo, diz, partículas e elementos tóxicos atingem as vias respiratórias e os alvéolos pulmonares, gerando os sintomas citados.

O pneumologista conclui pontuando sobre a nociva combinação entre seca, queimadas e a Covid-19, dizendo que a prática do fogo no município “pode agravar os casos [de coronavírus], uma vez que o processo inflamatório pulmonar será mais intenso, consequentemente com sintomas mais graves”.

O especialista reforça os cuidados necessários nessa época: “não fazer queimadas (mesmo a de lixo residencial), manter distância das áreas com fumaça, deixar a casa fechada para reduzir a exposição, fazer uso de máscara ao sair e continuar com as medidas preventivas contra a covid-19: máscara, álcool gel, distanciamento social e lavagem das mãos”. (Juliano Corrêa – com informações de Ronaldo Modesto)

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