Correio de Carajás

Violência sexual entre crianças cresce e o agressor muitas vezes está dentro de casa

Violência sexual entre crianças cresce e o agressor muitas vezes está dentro de casa
Foto: reprodução
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“Um ‘amigo’ próximo da família começou a abusar da minha filha aos 8 anos de idade, milha filha conta que ele a beijava na boca e a tocava. Depois ele fazia ela tocá-lo. Essa situação durou até ela completar 12 anos”.

O relato dessa mãe, que não será identificada, não é isolado, já que o tipo de violência que mais acomete crianças menores de 10 anos é a sexual, representando 51,85% dos casos notificados de janeiro a agosto deste ano em Parauapebas. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA).

A mãe revela que a filha foi abusada sexualmente por duas pessoas próximas à família. O primeiro caso ocorreu quando tinha apenas 7 anos, por uma funcionária que trabalhava na casa. No ano seguinte, a criança começou a ser assediada por um ‘amigo’ próximo da família, até a menina completar 12 anos.   

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“Quando minha filha tinha entre 7 e 8 anos tive uma secretária, muito eficiente nos serviços de casa, por sinal, que ficava em casa de 8h às 14h. Eu pedia para essa secretária ficar com ela. No início minha filha gostava, mas depois ela começou a pedir para eu levá-la comigo. Chorava e dizia que não queria ficar e eu insistia muito para ela ficar em casa, com a secretária, que sempre falava ‘a gente vai se divertir muito, não é?’”. A funcionária trabalhou na casa por três anos.

A mãe descobriu os casos apenas anos depois. “Descobri tudo logo depois que minha filha completou 15 anos, quando ela tentou contra a própria vida. Desesperada, fui procurar saber o motivo e ela então me mostrou que se cortava nas coxas para eu não ver, as pernas dela tinham marcas de corte de Gilette. Ela já havia tentado se matar várias vezes. Foi quando ela me contou tudo o que aconteceu com ela”.

A diretora de Vigilância em Saúde, Michele Ferreira, detalha como é feito o boletim

Já com o ‘amigo’ próximo da família a situação durou até a menina completar 12 anos, quando ela mesma começou a se defender e ameaçou contar tudo, então o homem parou de lhe assediar. “Eu confiava tanto nele que o deixava ir buscar minha filha na escola”, desabafa a mãe.

“Hoje percebo que o olhar da minha filha na época era um pedido de socorro, mas eu não conseguia ver esses sinais. Nessa época, minha filha apareceu com um corrimento muito intenso, e mau cheiroso, então a levei no médico que disse ser uma espécie de gonorreia, mas ele disse que deveria ter sido transmitido no banheiro, dividido com adultos”. Por este motivo, a mãe não desconfiou que algo mais grave estava acontecendo.

Hoje a filha é adulta. “Depois de muitas sessões com o psicólogo e o terapeuta, ela consegue tem uma vida normal, mas ainda tem momentos de muita tristeza”, afirma a mãe, acrescentando que até hoje se sente muito culpada por tudo o que aconteceu à filha.

“Hoje sou avó e estou sempre alerta, desconfio de tudo e todos. Fiquem atentos aos sinais, a relação com os adultos, se há muito chamego ou rejeição. As crianças emitem sinais e precisamos estar atentos”.  A mãe finaliza o relato afirmando que, apesar da dor, a relação mãe e filha mudou para melhor após a descoberta. “Pude entendê-la e ajudá-la, com toda a sua dor, o sofrimento que havia passado”.

LEVANTAMENTO

Depois da agressão sexual ser o tipo de violência que mais atinge crianças, a violência física figura em segundo lugar, com 33,33%, seguida por psicológica/moral 14,81%, conforme o boletim divulgado pela Semsa. Nos adolescentes de 10 a 19 anos, a violência mais frequente também foi a sexual, somando 43,44%, seguida da física com 36,36%, da psicológica/moral 12,12%, financeira 1,51% e por último, negligência/abandono 1,51%.

A diretora de Vigilância em Saúde do SEMSA, Michele Ferreira detalha como é feito o boletim. “A gente faz o Boletim Epidemiológico independente do assunto que seja temporariamente. O último que a gente fez foi sobre violência interpessoal, autoprovocada, e hoje onde acontece o maior índice de violência, o local é a residência, quem tem o contato mais próximo, quem tem o convívio todo dia”.   

A diretora cita que qualquer jovem abaixo de 14 anos que tenha relação sexual, “mesmo que seja com consentimento” considera-se violência sexual e a delegacia de Polícia Civil é informada para que sejam tomadas as medidas cabíveis. (Theíza Cristhine)

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