📅 Publicado em 19/05/2026 18h08
O que já era comentado nos bastidores da política marabaense ganhou as páginas abertas nesta terça-feira (19): a tensão dentro do PL de Marabá chegou ao plenário da Câmara Municipal. Em discurso contundente durante a sessão ordinária, o vereador Fernando Henrique (PL) rompeu o silêncio e expôs publicamente o desgaste que acumula com o prefeito Toni Cunha, seu correligionário de partido, após o gestor municipal vetar dois projetos de sua autoria voltados ao atendimento da população mais vulnerável da cidade.
O parlamentar não poupou palavras ao subir à tribuna. Visivelmente incomodado, Fernando Henrique revelou que o mal-estar com a atual gestão não é recente.
Segundo ele, o atrito começou ainda antes da posse, quando foi preterido na disputa interna pela presidência da Câmara Municipal, cargo que acabou sendo disputado — e perdido — pelo vereador Cabo Rodrigo (PL).
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Agora, com os seguidos vetos às suas propostas, o parlamentar diz que o desgaste se tornou insustentável de ser ignorado.
Os dois projetos barrados por Toni Cunha têm como alvo direto pessoas em situação de vulnerabilidade social. O primeiro previa o custeio do deslocamento de pacientes com câncer residentes em Marabá que precisam se tratar em outros municípios — uma demanda real e urgente de quem enfrenta a doença sem recursos para arcar com as despesas de transporte.
O segundo projeto, vetado mais recentemente, propunha a distribuição gratuita de monitores contínuos de glicemia para pacientes com diabetes tipo 1 atendidos pela rede pública de saúde, equipamento que permite o controle em tempo real dos níveis de açúcar no sangue e é considerado essencial para evitar complicações graves.
Ao questionar os vetos durante o discurso, Fernando Henrique levantou uma dúvida que reverbera nos corredores do Legislativo: os impedimentos seriam motivados por razões técnicas e orçamentárias, como costuma alegar o Executivo, ou seriam uma forma velada de boicote político dentro do próprio campo governista?
A pergunta não é retórica. Nos bastidores da política marabaense, a resposta já circula como um fato dado. FH é pré-candidato a deputado estadual pelo PL e teria recebido, durante a campanha municipal do ano passado, a promessa de apoio de Toni Cunha para a disputa estadual.
No entanto, após assumir a Prefeitura, o prefeito teria mudado de posição e passou a articular a pré-candidatura da própria esposa, a primeira-dama, para o mesmo partido e, possivelmente, para o mesmo segmento do eleitorado.
O discurso de Fernando Henrique repercutiu com força tanto nos corredores da Câmara quanto nas redes sociais, especialmente pelo tom direto e sem meias palavras adotadas contra um prefeito do mesmo partido. (Da Redação)
