Correio de Carajás

Vereadora da base aliada desmente prefeitura sobre Secretaria da Mulher

Priscila Veloso reclama que prefeitura nunca enviou técnicos para debater o projeto
Por: Chagas Filho

Ao fazer uso da palavra na sessão da Câmara Municipal de Marabá (CMM) nesta terça-feira (29), a vereadora Priscila Veloso, que integra a base de sustentação do prefeito Toni Cunha, desmentiu a primeira-dama, Lanúzia Cunha, sobre o projeto de criação da Secretaria Municipal dos Direitos da Mulher.

Ao contrário da versão da prefeitura, de que o projeto já foi entregue à Câmara, que até agora não o aprovou, Priscila Veloso observou que o projeto de lei foi enviado pelo Executivo à Casa de Leis sem diálogo prévio necessário com a sociedade e com os próprios vereadores. Relatora da matéria na Comissão da Mulher, Veloso explicou que tem buscado preencher essa lacuna por meio de reuniões e audiências públicas, mas esbarra na própria prefeitura, que nunca enviou os técnicos autores do projeto para dialogar com a Câmara.

Um dos principais entraves, que precisa ser esclarecido, é a estrutura e o impacto orçamentário da proposta. Segundo a vereadora, o texto prevê agrupar sob o guarda-chuva de uma única nova pasta, políticas sensíveis e distintas, como a defesa dos direitos da mulher, da igualdade racial, da juventude, da população LGBTQIA+, além de políticas voltadas para pessoas com deficiência e idosos, estas últimas, atualmente geridas pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura e Assuntos Comunitárias (SEASPAC).

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Priscila alertou para o risco de desestruturar um setor que já conta com receita e transferências federais garantidas. “Como que vai ser abrigado dentro de uma nova secretaria?”, questiona, ressaltando que a falta de segurança jurídica e técnica impede a emissão de um parecer responsável.

A vereadora também cobrou a presença de técnicos da gestão municipal para prestar esclarecimentos, destacando que reuniões anteriores foram desmarcadas ou ignoradas pela equipe do prefeito Toni Cunha.

A parlamentar fez questão de rebater a narrativa de que a Câmara Municipal estaria travando a pauta e enfatizou a urgência do debate, lembrando um dado alarmante: foram registradas cinco mortes de mulheres em Marabá por feminicídio ao longo de 2026.

Diante do impasse, a Comissão da Mulher deliberou por uma nova tentativa de diálogo, convidando os técnicos responsáveis pela elaboração do projeto para uma apresentação formal na Câmara. Enquanto isso, o relatório final permanece em compasso de espera, condicionado à segurança técnica que, segundo a base governista, o texto ainda está longe de oferecer.

A Reportagem do CORREIO entrou em contato com a Prefeitura de Marabá para ouvir a versão do município sobre as declarações da vereadora que integra a própria base aliada do governo, mas até o fechamento dessa reportagem não houve retorno.