Correio de Carajás

Unifesspa tem primeiro estudante surdo em um curso de mestrado

Hugo confessa que durante todo o processo seletivo sentiu variadas emoções/ Fotos: Divulgação
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Pela primeira vez, um curso de Mestrado da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) terá um estudante surdo como aluno. Hugo Freires é um dos doze aprovados na primeira turma do Mestrado Profissional em Educação Inclusiva (Profei), que iniciou as atividades no último dia 23 de outubro, com uma aula inaugural on-line.

Formado em Pedagogia e Educação Física, Hugo tem uma longa história de muitos desafios e lutas, principalmente para ter acesso à educação, um direito de todos, assegurado pela Constituição Federal. Ele só conseguiu ingressar no ensino fundamental aos 17 anos e tinha muita dificuldade por não ter apoio especializado durante as aulas.

Só quando começou a aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) que o estudante pôde assimilar melhor os conteúdos da escola regular que frequentava. Nascido em Tucuruí, Hugo cursou parte do ensino primário e médio na escola Jonathas Pontes Athias, em Marabá. Também estudou em Belém, onde teve novas experiências e contatos com outros surdos.

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Em 2008, após concluir o ensino médio, ele voltou para casa de sua família. “Estava trabalhando na roça, mas queria um futuro melhor e tinha o desejo de fazer uma faculdade. Me falaram que um surdo não podia e aí decidi então conversar com minha professora [Iracelma]. Ela me explicou sobre uma lei que permitia que os surdos pudessem sim fazer uma graduação”, revela.

Apesar da resistência e dificuldade de aceitação, ele conseguiu se matricular e concluir, em 2013, sua primeira graduação.  No mesmo ano, foi aprovado em um concurso público para trabalhar como professor em uma escola com alunos surdos. Obstinado, sentiu que poderia ir além do já havia conquistado.

 “Ficava admirado que outros surdos conseguiam ingressar e concluir cursos de mestrados e doutorado, algo que para os ouvintes é mais fácil. Isso se tornou um sonho, um desejo muito forte para mim”. Quando soube da seleção do Mestrado em Educação Inclusiva da Unifesspa, resolveu tentar.

Hugo confessa que durante todo o processo seletivo sentiu variadas emoções. “Desde o princípio, eu estava bem nervoso, pensando se eu conseguir passar na seleção. Ter que escrever um projeto de pesquisa e a carta de intenções em português é muito difícil. Mal conseguia dormir entre uma etapa e outra”, diz.

Em mais uma conquista pessoal e representativa para a comunidade de pessoas com deficiência, Hugo tornou-se o primeiro surdo de Marabá a ingressar em um mestrado. “Agora que eu passei, estou nervoso e bastante ansioso para começar logo as aulas. Recebi parabéns de muitos amigos e sei que minha família e antigos professores também ficaram felizes por mim”, acrescenta.

Como objeto de pesquisa, ele irá estudar o atendimento prestado pelo Centro Especializado na Área da Surdez (Caes), onde atualmente trabalha como professor. O Centro atende crianças surdas de escolas de ensino regular, ofertando aulas de português e matemática em Libras.

Para garantir inclusão e acessibilidade na sua trajetória como mestrando, Hugo contará com o apoio especializado e de referência do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Acadêmica (Naia) da Unifesspa. Atualmente, o Naia atende a 130 alunos com deficiência que estudam na Instituição.

“Em todas as aulas que o Hugo estiver, haverá um intérprete de Libras. Mas a inclusão não se resume a isso. É preciso adaptações nas aulas, adoção de outros recursos e ajudar aos professores nesse processo. O Hugo será fundamental nisso, pois ele vai nos ensinar o que precisa para ser incluído”, explica a intérprete de Libras, Andreza Reuter.

Para ajudar a superar as várias dificuldades que os PcDs encontram em diversos espaços da sociedade, seja nas escolas, no mercado de trabalho ou até mesmo no ambiente familiar, Hugo Freire acredita que é preciso, cada vez mais, ter referências de pessoas da comunidade ocupando espaços que até então pareciam impossíveis. “Precisamos de modelos para nos espelharmos. Um professor surdo é, por exemplo, um modelo para outro surdo”, finaliza. (Ascom/Unifesspa)

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