📅 Publicado em 26/01/2026 10h17
No futebol, provocações ao time rival costumam ser vistas como parte do jogo, expressão de um espírito competitivo quase primitivo. Os ânimos se exaltam, os sentimentos ficam à flor da pele. Mas até onde vai o limite da provocação esportiva antes que ela ultrapasse as quatro linhas e se transforme em crime?
O estádio Zinho Oliveira teve o segundo caso de racismo identificado na noite deste domingo (26). Era a primeira rodada do Parazão, no confronto entre Águia de Marabá e Santa Rosa, time do distrito de Icoaraci, em Belém.
O episódio lamentável envolveu um torcedor do Azulão marabaense, identificado como Fortunato da Silva Araújo. Inicialmente, segundo Boletim de Ocorrência registrado na Seccional de Polícia Civil da Nova Marabá, ele proferiu provocações ao time visitante, mas teria extrapolado os limites ao dirigir ofensa racista ao centroavante Jonathan Maciel dos Anjos, o Jonathan Chula, do time visitante, chamando-o de “macaco”.
Leia mais:O nome do torcedor é citado justamente porque esse tipo de comportamento não condiz com a prática esportiva e precisa ser repudiado de todas as formas cabíveis.
O caso foi registrado por Emerson Maurício Dias, dirigente do Santa Rosa, que acionou a Polícia Militar para relatar a ocorrência. Os envolvidos foram encaminhados à delegacia, onde, posteriormente, as partes dialogaram e o jogador optou por não formalizar queixa contra o suspeito.
Apesar da vitória do Águia por 2 a 0, o episódio deixa uma derrota fora de campo, marcada por um ato que mancha o futebol e deixa claro a urgência de combater o racismo no campo e na sociedade.
Vários profissionais que atuam no futebol marabaense advertiram que a diretoria do Águia precisa promover uma campanha urgente para orientar e alertar os torcedores que esse tipo de comportamento é crime e a pessoa responsável pode responder judicialmente. E o clube corre o risco de perder o mando de campo em outra ou outras partidas.
OUTRO CASO
Em maio de 2024, o Águia de Marabá também venceu seu adversário, Caeté, por 2 a 0, na primeira partida das quartas de final do Campeonato Paraense. Mas apesar da vitória, um fato ocorrido ainda aos 39 minutos do primeiro tempo, quando o jogo estava 0 a 0, manchou o resultado da partida. O caso, à época, foi tão preocupante para a diretoria do time do Caeté, que o ônibus com os atletas e diretoria do clube saiu da porta do Zinho Oliveira escoltado pela Polícia Militar.
O atleta Fidelis, do time visitante, teria sido xingado por um torcedor, identificado como Charles Martins dos Santos Pereira, que estava numa torcida organizada do Azulão Marabaense. A vítima estava no aquecimento na beirada do campo, próximo à torcida, quando foi xingada, mas esperou o jogo terminar e, junto com algumas testemunhas, foi direto para a delegacia de polícia da Folha 30, onde registrou Boletim de Ocorrência.
