Correio de Carajás

Tentativa de fuga: CRAMA agora está sob intervenção temporária

Negociação com detentos foi tensa e exigiu a presença de várias autoridades/Foto: Evangelista Rocha
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Na manhã desta segunda-feira (6), a Polícia Civil garantiu, em coletiva, que nenhum interno do Centro Regional de Recuperação Agrícola Mariano Antunes (CRAMA) obteve sucesso na tentativa de fuga ocorrida no último sábado, 4. Além disso, os dois elementos que estavam entre o grupo que deu apoio na tentativa de fuga foram capturados e duas armas foram apreendidas. A rebelião durou mais de 9 horas e três agentes prisionais chegaram a ficar como reféns dos detentos e agora a casa penal está sob intervenção. Já no domingo (5), as imediações da penitenciária voltaram a ficar em polvorosa.

Eram familiares dos detentos que correram para lá temendo que acorreram para lá a fim de obter informações sobre seus familiares. Porém, foram informados de que não poderiam vê-los devido ao regime de intervenção, o que causou revolta de muitas delas.

A situação foi tensa, sendo necessária a intervenção da OAB, que enviou uma comissão de advogados formada pela secretária-geral da OAB Marabá, Cristiane Cade, o presidente da Comissão de Prerrogativas, Arnaldo Ramos, e pela conselheira Subseccional Márcia Mendonça, que obtiveram a informação de que a casa de detenção está em regime de intervenção pelos próximos 60 dias.

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Na oportunidade os advogados solicitaram à equipe intervencionista vistoria no local, sendo recebidos pelo tenente-coronel Vicente e o agente penitenciário Neto. As autoridades mostraram tudo o que foi feito até então, tendo Arnaldo Ramos vistoriado as instalações prisionais e conversado com os presos que afirmaram não ter havido qualquer agressão por parte dos policiais intervencionistas, quer seja física ou verbal, sendo tratados com urbanidade e dentro da disciplina esperada.

Familiares dos detentos estiveram domingo no CRAMA, preocupadas com a situação / Foto: Divulgação

A OAB Subseção Marabá solicitou ao coronel Vicente a permissão de acompanhamento na intervenção, através de uma comissão temporária específica para o caso, sem qualquer objeção da autoridade policial. Em seguida, os familiares dos detentos ficaram cientes de todos os procedimentos.

“A OAB estará vigilante na garantia constitucional do direito à vida de todos os trabalhadores do Estado que diariamente estão expostos a ambiente de risco, bem como, pelo tratamento digno de todos reclusos”, diz nota da entidade.

As principais reivindicações dos detentos eram o direito a visita íntima, melhorias na alimentação e celeridade no andamento dos processos criminais.

Rebelião controlada

Segundo o delegado de Polícia Civil, Márcio Maio, após a rebelião ter sido controlada, foi feita a recontagem dos reclusos e a numeração foi condizente com a do dia anterior, confirmando que ninguém conseguiu fugir. “Além disso, com a prisão de dois elementos que tentaram ajudar na fuga, tivemos acesso aos celulares deles. Isso nos levou até a conclusão de que ninguém fugiu”, explica o delegado.

O delegado falou ainda sobre os objetos apreendidos no CRAMA, após o fim da desarticulação da tentativa de fuga. “Conseguimos apreender oito celulares, uma arma de fogo 380 e meio kg de maconha que já foi encaminhada ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves para os laudos, fazendo parte do inquérito que a PC está instaurando nesta segunda-feira (6) para averiguar todos os crimes do evento”, acrescentou o delegado.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) confirmou que realizou a recontagem e não foi registrada nenhuma fuga no CRAMA. Confirmou também que durante a revista, foram apreendidos com os internos, estoques e armas artesanais.

Comissão da OAB e representantes do sistema penal vistoriaram o CRAMA no domingo e concluíram que ninguém fugiu

Dois capturados e armas apreendidas

Foram apresentados à Polícia Civil, como membros da quadrilha, que tentaram dar fuga aos detentos, Uelbson Santos Alves e um menor de idade. Ambos negaram ser donos da pistola apreendida, mas confirmaram fazer parte do plano de suporte a fuga. “Era pra gente ajudar, mas não fizemos nada, não. Foi só viagem perdida”, disse o menor de idade ao CORREIO.

Mas é fato que um deles ainda estava armado de pistola Tauros 380, com 14 munições. As autoridades acreditam que eles tenham se desfeito do restante do armamento. Inclusive pelos tiros, a polícia acredita que havia pelo menos mais uma arma longa, tipo carabina. É possível que mais criminosos estivessem envolvidos no suporte na parte externa do CRAMA.

A dupla foi presa pela CIME. O cabo M. Barros disse à reportagem que o local e a atitude suspeita dos dois os entregou, e logo que foram abordados ficou claro, pelas contradições, de que faziam parte do bando. Uelbson, que já tem passagens pela polícia, deve ser indiciado por corrupção de menores, porte ilegal de arma, tentativa de fuga, entre outros.

PM relata como tudo começou

O major Edson, comandante do 34º Batalhão de Polícia Militar (34º BPM), responsável pelo policiamento da área onde fica o CRAM, contou que guarnições fazem rondas constantes na área e naquele sábado receberam denúncia de uma tentativa de fuga, via Núcleo integrado de Operações (NIOP).

Segundo ele, quando a guarnição do tenente Rodrigues chego ao local, o efetivo do CRAMA já estava a postos. Naquele momento foi confirmado que os detentos que tentavam fugir recebiam apoio externo.

Para o oficial, os detentos amotinados pegaram os agentes prisionais como reféns para se proteger. Apesar de toda a tensão da situação, o major disse que, pela experiência que tem, já tinha o caminho a seguir, por isso conseguiu negociar com os presidiários.

Ele relata que, de início, os ânimos estavam exaltados, depois se acalmaram e os presos pediram a presença de um juiz, da OAB e também da Imprensa, o que foi atendido. “O mais importante nesses momentos é a integridade física de todos, independentemente de serem detentos… O importante é que todos saiam ilesos”, explica.

Ainda segundo o major e pelo tenente Rodrigues, a 1ª Companhia Independente de Missões Especiais (CIME) estava presente com seu grupo de assalto tático, que seria usado caso a situação fugisse do controle. “Por questão técnica a entrada seria necessária”, explica o major, acrescentando que felizmente o diálogo prevaleceu, mesmo diante da situação tensa. (Chagas Filho com colaboração de Zeus Bandeira, Josseli Carvalho e Evangelista Rocha)

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