Correio de Carajás

Tarifa de transporte público sobe 25% e parauapebenses reclamam

Classe trabalhadora estrebucha com o aumento expressivo, já que a prefeitura oferece subsídio de R$ 100 mil mensais às empresas do segmento

Passageiros esperam, por mais de uma hora, por um micro-ônibus em Parauapebas/Fotos: Clein Ferreira

O ano de 2022 tem sido marcado pelos constantes aumentos nos valores de itens essenciais à classe trabalhadora. No mercado, a cada semana que passa o poder de compra parece diminuir, sensação que é refletida em números: 33 milhões passam fome no Brasil.

O aumento no valor do combustível significa um reajuste em toda a cadeia de preços dos itens essenciais, sendo um deles a tarifa do transporte público – item essencial à vida do trabalhador, que precisa se deslocar diversas vezes da casa para o trabalho durante a semana.

Esses aumentos têm relação direta com a cadeia de preços que, dentre outras coisas, é afetada diretamente pelo valor dos combustíveis. Estes, por sua vez, sofrem efeito da política externa, já que seu valor é definido de acordo com a variação do dólar.

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TRANSPORTE PÚBLICO

A Prefeitura de Parauapebas anunciou, no último dia 12, o aumento nas tarifas de transporte público. As rotas na zona urbana do município e no trecho entre Parauapebas e Palmares I custavam R$ 4,00 e os trechos entre Parauapebas e Palmares II e entre Parauapebas e o Núcleo Urbano de Carajás custavam R$ 8,00, desde maio de 2021. Os valores foram reajustados, respectivamente, para R$ 5,00 e R$ 10,00, um aumento de 25%.

A população, por sua vez, não aprovou a mudança. Leidileine Dourado da Silva de Sousa, operadora de caixa de 32 anos, sentiu os impactos imediatos do reajuste. A trabalhadora não sente que o valor é refletido na qualidade do serviço oferecido. Ela afirma que chega a esperar mais de uma hora por uma van que, além de demorar, não oferece uma qualidade equivalente ao preço.

Leidileine é operadora de caixa e utiliza o transporte público pelo menos duas vezes ao dia

 A dona de casa Antônia Maria Silva Sousa, de 35 anos, compartilha do mesmo sentimento. Não só a frota apresenta veículos desagastados, como também os pontos de ônibus da cidade. Além do estado de degradação – com tetos danificados e assentos quebrados –, os lugares não são seguros, sendo pontos onde ocorrem frequentes assaltos.

Antônia reclama da falta de qualidade dos veículos e dos pontos de ônibus

Gleiciane da Silva, de 24 anos, já desistiu do transporte público – usa só quando lhe faltam opções. Entrevistada em um dos raros momentos em que se dispõe a ficar mais de uma hora esperando pela condução, afirma que opta pelo mototáxi, em geral. A líder de vendas atribui a escolha não só pelo baixo custo, como também pela segurança e tempo gasto.

Em comparação aos veículos que atual por aplicativo – que cobram entre R$ 15,00 e R$ 20,00 no trajeto de casa ao trabalho de Gleiciane –, ela paga cerca de R$ 10,00 no mototáxi para o mesmo percurso.

O Decreto nº 666, publicado em 8 de julho, estabeleceu o reajuste na tarifa do transporte público coletivo no âmbito do Município de Parauapebas. De acordo com o decreto, a empresa SLF Costa Gouveia – Consultoria de Trânsito e Transporte – foi a responsável pelo estudo para o reajuste tarifário.

De acordo com os estudos, o valor final deveria ser de R$ 4,66 para a tarifa no perímetro urbano, R$ 10,17 para o trecho entre Parauapebas e Palmares II e R$ 10,35 para a tarifa no trecho entre Parauapebas e o Núcleo Urbano de Carajás.

Adenilton Alves de feitas, presidente do Sindicado dos Trabalhadores do Comércio, Bens e Serviços de Parauapebas (Sintracpar)  – uma das categorias que mais utilizam o transporte público –, entende que o maior responsável pelas despesas do vale-transporte acaba sendo o próprio empresário, que custeia o benefício social. No entanto, essa despesa acaba afetando diretamente o consumidor, já que o empresário deduz o reajuste no valor do transporte no seu produto final.

Várias paradas de ônibus não têm condições de abrigar os usuários do transporte

Vale ressaltar, no entanto, que a Câmara Municipal aprovou, em março deste ano, um subsídio tarifário às cooperativas de transporte público de passageiros Parauapebas. O aporte financeiro, de acordo com o site da Câmara Municipal, foi de doze parcelas de R$ 100 mil, rateadas entre as Cooperativas de Transporte de Parauapebas (CENTRAL), Cooperativa de Transporte Rodoviário Coletivo de Palmares (COOLPALMAS) e a Cooperativa Mista de Prestação de Serviços, Administração de Contatos e Consumo dos Condutores Autônomos de Carajás (COOPAVEL).

São justamente as cooperativas que estão recebendo o subsídio – que tem como objetivo cobrir parte dos custos operacionais do sistema e manutenção, além de meia passagens e gratuidades – que pleitearam o reajuste tarifário. Por esse motivo, o CORREIO tentou entrar em contato com a Prefeitura para questionar os subsídios e o reajuste, mas não obteve respostas.

MOTOTAXISTAS

A categoria que, em tese, poderia se beneficiar desses reajustes, vê outras dificuldades pelo caminho. O mototaxista de 36 anos Makson de Sousa, que já trabalha na área há 10 anos, afirma que a primeira metade do mês sempre apresenta um fluxo maior de corridas, que cai ao longo da segunda metade.

No entanto, a concorrência com o Uber Moto tem trazido uma piora no número de corridas, fator que o mototaxista atribui ao baixo custo cobrado pela empresa, tendo em vista que eles possuem benefícios tarifários. Além disso, o valor do combustível afeta diretamente a categoria.

Mototaxista há dez anos, Makson vê a entrada dos aplicativos como uma concorrência desleal

Makson afirma que gasta, em média, R$ 80,00 para encher o tanque da moto, que ele faz duas vezes por semana, atingindo um valor de R$ 160,00 semanais e R$ 640,00 ao final do mês, um valor que corresponde a mais da metade do salário mínimo. Diante disso, é possível ver os efeitos do valor do combustível afetando toda a classe trabalhadora, de motoristas a passageiros. (Clein Ferreira)

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