Correio de Carajás

Setembro Amarelo: Marabá oferece acolhimento contra depressão

Pessoas com transtornos mentais graves são reguladas para o Caps Castanheira, que é referência no atendimento de risco/ Fotos: Josseli Carvalho
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A campanha Setembro Amarelo, que coloca em relevo o debate sobre a prevenção ao suicídio durante o mês, é destaque em Marabá pelo acolhimento de pessoas com nível elevado de distúrbios psíquicos. No Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Castanheira, situado na Folha 31, Núcleo Nova Marabá, são seis as vagas para observação de indivíduos de todas as faixas etárias. O local funciona 24 horas por dia e aos fins de semana. O ponto de assistência estratégico, que é de categoria três, é referência no recebimento de suicidas.

O enfermeiro Allan Raniere Santos da Silva, especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, atende na unidade de categoria três há tempo suficiente para relatar ao CORREIO como funciona a dinâmica no importante espaço de acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade psicológica. Para ele, o movimento Setembro Amarelo fortalece a compreensão da sociedade quanto à temática do suicídio.

“Desde 2015, o Brasil acolhe a campanha Setembro Amarelo, que surgiu com o objetivo de dar visibilidade à temática do suicídio. Nós trabalhamos a prevenção ao suicídio durante o ano inteiro, mas o Ministério da Saúde adotou o mês de setembro para impulsionar as ações. Ainda estamos com algumas limitações por aqui [na unidade], em função da pandemia. A maioria dos eventos e treinamentos previstos foram suspensos, mas não cancelamos a agenda por completo”, garante Allan.

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Entre as ações agendadas por aquele Centro de Atenção Psicossocial para este mês, estão uma transmissão ao vivo pelo Facebook e uma mesa-redonda com os profissionais da atenção básica, que atendem na ponta à demanda recebida pela unidade de tipo III Castanheira. A live “Dialogando sobre o suicídio” teve espaço na página da prefeitura na tarde desta quarta-feira (23), enquanto a discussão com a saúde acontece às 13h deste dia 25 de setembro.

“Nós estamos realizando conversas com os meios de comunicação. Já fomos a algumas emissoras para abordar a temática do suicídio. Neste sentido, tivemos uma live transmitida pela prefeitura e teremos, também, uma mesa-redonda com os profissionais da atenção básica, que são quem primeiro recebem os usuários na maioria das vezes. Eles [profissionais da saúde] têm mais capacidade de prevenir antes que o quadro do paciente evolua e necessite de encaminhamento para o Caps”, admite o enfermeiro.

Allan Raniere é enfermeiro da unidade há dois anos e conhece bem a dinâmica do espaço de acolhimento gratuito

De acordo com Allan, o fortalecimento de vínculos sociais dos pacientes é o objetivo primeiro da atuação do Caps. Para ele, a família, por ter contato direto com o usuário, é essencial na avaliação do quadro de sofrimento da pessoa. O comportamento do sujeito com ideação suicida, alerta o enfermeiro, tende a mudar no decorrer do processo de dor encarado pelo paciente recebido na unidade de atenção.

“Se a família perceber alguma alteração, já ajuda bastante os profissionais, porque eles trazem um relato mais íntimo e pessoal, por meio do qual nós conseguimos ter uma visão melhor do que está acontecendo. Nem todo suicida sofre de depressão, porque nós temos outros transtornos que acabam empurrando para o suicídio, como a bipolaridade, os transtornos de personalidade e todos eles estão associados ao suicídio”, desmistifica ele.

Chegando ao Caps Castanheira, o usuário é conduzido para a ala de acolhimento, onde passa por avaliação psicológica. Leve, moderado, grave e gravíssimo são os níveis escalados e vão desde o suicídio planejado até o tentado. A instância superior ao Centro de Atenção Psicossocial é o Hospital Municipal, que agrega estrutura de clínicos gerais e profissionais capazes de prestarem atendimento mais efetivo.

NA PANDEMIA

Isolamento social, medo, insegurança, luto e falta de perspectiva. A pandemia da covid-19 trouxe também aspectos de sofrimento mental para a população além das consequências físicas da doença. Allan pondera que o País enfrenta uma severa crise econômica, com recessão e desemprego acentuados. Assim, com pessoas perdendo a ocupação e com a elevação dos preços no mercado, os quadros de ansiedade, depressão, bipolaridade e outras patologias tende a agravar.

“Pessoas que estão passando por crise – neste momento estamos enfrentando uma grave crise econômica – integram grupo de risco. O número de pacientes aumentou de maneira drástica na pandemia. As pessoas ficaram ansiosas com a pandemia, pelo medo de morrer ou pela perda do emprego. A nova onda da pandemia é o transtorno mental”, penhora Allan.

Entre as classes que também fazem parte do grupo de risco para o adoecimento mental, estão o público LGBTQIA+ e os “profissionais do sexo”. Eles estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de distúrbios que as pessoas comuns, por estarem inseridos às margens do contexto social. A procura pelos serviços por estas pessoas tem sido ainda maior.

A campanha Setembro Amarelo é promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Centro de Valorização da Vida (CVV), que pode ser acionado gratuitamente pelo número 188, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192, os Caps e os postos de saúde do município oferecem amparo humanizado a quem sofre de adoecimento mental. “Quebrar o silêncio é o primeiro passo. Fale, busque ajuda, isso é essencial”, pede o enfermeiro. (Da Redação)

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