Correio de Carajás

Sem água, moradores do Cidade Jardim bloqueiam rodovia em Marabá

Manifestantes afirmam que estão há dias enfrentando problemas no fornecimento e cobram definição sobre quem deve resolver a situação

Grupo de pessoas realizando bloqueio em uma rodovia com galhos de árvores e guarda-sóis.
Uma fila de veículos se formou na entrada e saída e de Marabá por causa do protesto de hoje / Fotos: Chagas Filho
Por: Chagas Filho e Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 16/09/2026 10h14

Moradores do Residencial Cidade Jardim bloquearam a BR-230 na manhã desta quarta-feira (16), nas proximidades da entrada do bairro Araguaia para cobrar uma solução para os problemas de abastecimento de água enfrentados pela comunidade. A manifestação começou por volta das 6 horas e reúne famílias que relatam estar há vários dias com dificuldades para ter acesso à água.

A mobilização ocorre após outras tentativas de chamar a atenção dos responsáveis pelo serviço. Na segunda-feira (14), moradores estiveram em frente ao escritório da Buriti, empresa responsável pelo empreendimento, em busca de uma solução. Segundo relatos da comunidade, a Polícia Militar chegou a ser acionada durante o protesto.

Cartazes com palavras de ordem e bloqueio na pista marcam o ato

Nesta quarta, a insatisfação chegou à rodovia federal. Os manifestantes afirmam que a falta de água tem afetado atividades básicas dentro das residências e que algumas famílias estão sendo obrigadas a comprar água para conseguir manter a rotina.

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Uma das moradoras que participa do ato, Joana Coelho afirma que a comunidade tentou evitar que a situação chegasse ao bloqueio da rodovia, mas decidiu protestar após não conseguir uma resposta considerada satisfatória.

“Nós fizemos de tudo para esse protesto não acontecer. Segunda-feira nós fomos para a porta do escritório da Buriti, pedimos um carro-pipa para colocar água para nós, mas não deram atenção. A gente não tem água para tomar banho, não tem água para dar descarga no banheiro, não tem água para cozinhar. Estamos comprando água a R$ 11 o tambor para conseguir tomar banho e viver dentro da nossa casa. Aqui moram idosos, crianças, pessoas autistas e acamadas. Nós precisamos de água. Água é vida. Nós só queremos água”, relata.

Ainda segundo Joana, a comunidade enfrenta dificuldades para identificar quem deve assumir a solução do problema. Ela afirma que, nas tentativas de buscar atendimento, moradores recebem orientações diferentes sobre a responsabilidade pelo abastecimento.

A manifestação ocorre durante uma série de impasses entre quem deveria abastecer e a população

A situação também envolve uma discussão sobre a estrutura de abastecimento do residencial. Conforme informações repassadas à reportagem, o sistema teria sido implantado durante a construção do empreendimento e posteriormente transferido à administração pública. A responsabilidade atual pelo serviço, no entanto, é justamente um dos pontos que a reportagem busca esclarecer junto aos órgãos e empresas envolvidos.

A manifestação desta quarta-feira ocorre após sucessivos relatos de problemas no fornecimento de água no Cidade Jardim. Os moradores cobram não apenas o retorno do abastecimento regular, mas também uma definição sobre quem deve responder pela manutenção e pela solução definitiva do problema.

Outro lado

A reportagem procurou a Águas do Pará para esclarecer se a empresa possui responsabilidade pelo abastecimento de água no Residencial Cidade Jardim, se atua no sistema que atende a comunidade e qual é a situação do serviço na área. Em uma nota sucinta e sem rodeios, a concessionária informou ao CORREIO apenas que não é responsável pelo abastecimento do Residencial Cidade Jardim.

A Prefeitura de Marabá também foi procurada para informar se é responsável pelo abastecimento do residencial, desde quando administra o sistema, quais medidas estão sendo adotadas diante das reclamações dos moradores e se houve solicitação de apoio durante a manifestação.

NOTA DA PREFEITURA

Em nota enviada à Redação do CORREIO, a Prefeitura de Marabá informou o seguinte: “O Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) informa que realiza semanalmente o abastecimento do bairro com 100 mil litros de água potável, de maneira emergencial, observando o princípio da reserva do possível, em atendimento a Recomendação Ministerial N.º 004/2024-MP/7ªPJMAB, bem como em respeito a decisão provisória prolatada nos autos da Ação Civil Pública N.º 0802963-86.2026.8.14.0028, em trâmite perante a Vara de Fazenda Pública da Comarca de Marabá-PA.

O SSAM fornece dois carros-pipa diariamente que abastecem os reservatórios do empreendimento, responsável por fazer a distribuição da água

O SSAM ressalta que a titularidade dos serviços pertence à concessionária ÁGUAS DO PARÁ D SPE S/A, que celebrou o Contrato de Concessão N.º 16/2025 com o Estado do Pará, após sagrar-se vencedora da Concorrência Pública Internacional nº 002/2024, que possui por objeto a prestação regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário nos Municípios do Estado do Pará.

O SSAM esclarece que o empreendimento padece de problemas de infraestrutura básica, sendo objeto da referida Ação Civil Pública a adequação definitiva das obras de infraestrutura de abastecimento de água, que esta Autarquia entende ser de responsabilidade da empresa loteadora. Assim como pontuado pelo Ministério Público, “o sistema de abastecimento por poços no Loteamento Cidade Jardim é insuficiente para suprir a demanda da população em crescimento, havendo falta de abastecimento de água constante e suficiente.”

O SSAM informa que não mede esforços para suprir as necessidades de abastecimento de água no referido loteamento, atuando de maneira emergencial e dentro da reserva do possível, haja vista ser responsável, ainda, pelo abastecimento de diversas outras localidades no município de Marabá”.