Correio de Carajás

Sem água há 4 dias, Marabá aguarda transformador do Piauí

Sem previsão de normalização, abastecimento depende da chegada e instalação do equipamento na ETA Nova Marabá

Homem barbudo de camisa azul com logo "GOV DO PARÁ" falando em microfone de rádio.
Felipe explica que falha no abastecimento foi provocada por problemas em um maquinário antigo/Foto: Jaqueline Reis
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 27/03/2026 17h56

Moradores de Marabá enfrentam uma crise de abastecimento há quatro dias e seguem sem previsão exata para a normalização do serviço. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (27), o gerente executivo de operações da Águas do Pará, Felipe Silveira, afirmou que o fornecimento deve começar a ser retomado após a chegada e instalação de um novo transformador. O equipamento já está a caminho do município, vindo de Teresina (PI), e a expectativa é que seja entregue ainda neste fim de semana, embora sem garantia de prazo.

Segundo Felipe, o transformador de aproximadamente seis toneladas será instalado na subestação de energia da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Nova Marabá, responsável por alimentar as bombas que distribuem água para a cidade.

Durante a entrevista na Rádio Correio FM, o gerente explicou que a interrupção foi provocada por uma pane em um maquinário antigo, que voltou a falhar mesmo após passar por reparos recentes. “É um equipamento muito antigo, de uma tecnologia já descontinuada, que a gente pretende substituir por algo mais moderno”, disse, justificando que a dificuldade de encontrar peças de reposição no mercado brasileiro contribuiu para o prolongamento do problema.

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Apesar das medidas em andamento, a normalização do abastecimento segue condicionada à chegada da carreta e à instalação do novo equipamento, sem um prazo definitivo para que o fornecimento seja completamente restabelecido em todas as torneiras.

AÇÃO PALIATIVA

Questionado pela reportagem sobre a existência de um grupo de WhatsApp em que moradores enviam seus endereços para receber caminhão-pipa, Felipe esclareceu que o serviço é disponibilizado mediante solicitação de lideranças comunitárias.

Segundo o gerente, a Águas do Pará reforçou sua frota com veículos deslocados de Parauapebas e Paragominas. No entanto, o foco prioritário desse abastecimento emergencial está restrito a serviços essenciais, como hospitais, postos de saúde e escolas.

Para os bairros, a empresa informa manter contato com as lideranças por meio do grupo “Afluentes”, utilizado para mapear e direcionar as rotas dos caminhões. A orientação é que a população que necessita de assistência emergencial insista nos canais oficiais da concessionária:

  • Telefone e WhatsApp: 0800 091 0091 (24 horas);
  • Aplicativo: Águas App (24 horas);
  • Atendimento presencial: Loja no Shopping Partage, durante o horário comercial.

Enquanto a água não retorna, a Águas do Pará realiza outras manutenções na subestação da Nova Marabá. “Estamos aproveitando a parada para fazer uma série de melhorias e substituições de equipamentos”, afirma Felipe.

PROMESSAS E COBRANÇAS POR MELHORIAS

Operando o sistema desde 8 de dezembro, a gestão atual justifica os problemas com a herança de uma estrutura “severamente deteriorada”, repassada pela Cosanpa.

Visando minimizar futuras crises de abastecimento, Felipe garantiu que a empresa fará o rebaixamento de tensão da ETA ainda este ano. A medida, segundo ele, permitirá que o sistema passe a usar transformadores de baixa tensão convencionais, equipamentos “de prateleira”, que são facilmente substituídos em caso de nova pane, inclusive com unidades de reserva disponíveis no local.

A concessionária listou outras intervenções estruturais, que agora ficam como compromisso firmado com a população marabaense:

  • Fim das tubulações estouradas: Promessa de instalação de Inversores de Frequência (“Soft Start”). O equipamento faz com que as bombas liguem gradualmente, eliminando as pancadas de pressão que costumam romper a antiga rede de água nos bairros.
  • Captação de água reforçada: A empresa afirma que substituiu a única bomba antiga encontrada em dezembro por três bombas anfíbias modernas, e que uma quarta bomba de segurança está sendo instalada.
  • Aumento de volume: A gestão declarou ter elevado a distribuição de 1.800 m³/h para 2.300 m³/h, com a meta de atingir 2.800 m³/h após a reforma dos leitos filtrantes da estação.

CRÍTICAS

O descontentamento popular com a Águas do Pará, no entanto, vai além do atual “apagão” de quatro dias. A reportagem do CORREIO observou que, nas redes sociais, a principal queixa dos marabaenses aponta para uma piora no serviço após a troca de gestão. Moradores cobram a empresa afirmando que, sob a administração da Cosanpa, as interrupções no fornecimento eram consideravelmente menores e menos frequentes do que as registradas nos últimos meses.

Questionado durante a entrevista sobre essa insatisfação e o aumento relatado nas falhas rotineiras, Felipe atribuiu a instabilidade à infraestrutura precária herdada e classificou as queixas como uma “sensação” que precisa ser revertida pela empresa.

“Desde que a gente chegou, a gente teve aí um problema na captação de água. Só havia uma bomba instalada, bastante antiga, sujeita a um esforço muito grande, que pode apresentar falhas. Então, a gente já vem fazendo uma série de melhorias no sistema para diminuir essa sensação de desabastecimento”, argumentou ele, defendendo o ritmo das ações da nova gestão.

A expectativa agora se concentra na chegada do equipamento ao longo do fim de semana e na efetiva retomada dos serviços pela concessionária. O CORREIO segue acompanhando a situação do desabastecimento em Marabá e atualizará as informações assim que a instalação na ETA Nova Marabá for concluída.