Em 2025, mais de 7.500 brasileiros se afastaram do trabalho por burnout. Em relação a 2021, o número de benefícios concedidos por essa razão cresceu 823%, de acordo com dados obtidos pelo G1 no Ministério da Previdência Social. As maiores afetadas pelo quadro são as mulheres: 71,6%, segundo um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho que analisou casos notificados no SUS.
Em parte, o problema se agravou porque passou a ser mais reconhecido. Em 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), como uma síndrome “resultante do stress crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”.
Antes de chegar a esse ponto, porém, é possível que a pessoa continue trabalhando e apresentando um bom desempenho mesmo estando esgotada. Nesse caso, trata-se do chamado burn-on. O conceito foi apresentado pelo psiquiatra Bert te Wildt e pelo psicólogo Timo Schiele, ambos alemães, e não é um diagnóstico formal.
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Segundo a psicóloga Natália Reis Morandi, do Hospital São Camilo, o burn-on aparece como um stress crônico relacionado ao trabalho, mas sem que o desempenho diminua. Mesmo com cansaço, tensão e aumento da irritabilidade e da ansiedade, as entregas permanecem em dia. “A pessoa acha normal que isso aconteça e continua rendendo”, diz.
Já no burnout, em algum momento há o colapso. Mesmo com descanso, férias e pausas, a pessoa não recupera a energia. Com sensação de derrota e desesperança, ela não se imagina saindo daquele cenário e perde a empatia. Por fim, o desempenho cai e, para compensar, ela se cobra e trabalha ainda mais, até atingir a estafa.
Nos dois casos, o perfil mais suscetível, segundo Morandi, é o do perfeccionista. “É aquela pessoa que se exige muito, tem dificuldade de impôr limite e equilibrar os pratinhos, e trabalha às vezes num lugar com exigências altas e grandes entregas”, diz.
Entre os sinais de alerta estão a sensação de cansaço constante, mesmo após fazer pausas, e incapacidade de se desligar do trabalho. Também podem vir mudanças de humor, ansiedade, insônia e alterações de apetite, para mais ou mais menos.
A recomendação é procurar ajuda profissional. “Através da psicoterapia, a gente vai ter uma leitura do que está acontecendo e desenvolver novas ferramentas para poder ter uma relação mais saudável com o trabalho”, afirma a psicóloga.
(Fonte: G1/ colaboração para Marie Claire)
