Correio de Carajás

Rio Tocantins volta a subir pela quarta vez e atinge 11,70 metros

As travessas e ruas da Marabá Pioneira, mais especificamente do Bairro Santa Rosa, voltaram a ficar inundadas. O vai e vem de pessoas andando com a água batendo pelo meio das pernas é uma das cenas mais comuns no local.

Sem falar nas crianças que aproveitam a água na porta de casa para brincar à vontade. Contudo, há aquelas que ficam sentadas, só olhando o movimento das águas, vendo a tarde passar.

Sentado, na porta de casa, menino assiste ao rio entrar de mansinho pelas ruas do bairro – Foto: Evangelista Rocha

Por falar em tempo, ele parece passar mais devagar no bairro. Sentar na calçada de casa – seja com o rio cheio ou não – é algo precioso para quem mora na Marabá Pioneira. É só dar uma volta pelas ruas que a cena pode ser vista.

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E é assim, sentados na calçada de casa, que os moradores estão vendo pela quarta vez o Rio Tocantins subir e alagar as ruas e vielas do bairro. No início da noite desta quarta-feira, 30, o rio atingiu a marca de 11,70 metros acima do normal.

Fazendo um comparativo da última segunda-feira, 28, quando atingiu 10,99 metros, o Rio Tocantins subiu mais de 70 centímetros em dois dias.

O comerciante Alderaldo Bueno Feitosa, 55 anos, morador da Avenida Silvino Santis há mais de 27 anos, é um dos vários que têm assistido a subida do rio da porta de casa. Surpreso com o movimento do Rio Tocantins dessa vez, Alderaldo afirma que essa enchente entrou para a história.

Alderaldo Bueno afirma que essa enchente entrou para a história – Foto: Evangelista Rocha

“Nunca tinha visto isso, e olha que já peguei enchente demais. O rio tá subindo pela quarta vez. Tenho comércio, já subi as coisas, desci de novo pra voltar a trabalhar, porque tenho de trabalhar pra sobreviver. Agora o rio voltou a encher de novo. Eu achava que não ia mais subir, e de repente, água”, fala espantado.

Questionado se já pensou em sair da Velha Marabá, Alderaldo diz que não. Por ser sua casa própria e seu ponto de comércio, ele afirma que não tem como deixar o local. “E eu gosto da Velha Marabá”, conta sorrindo.

O comércio de Alderaldo com os armários e prateleiras suspensas – Foto: Evangelista Roha

Criado nas ruas do Santa Rosa, Odário Tenório, 67 anos, também conta que nunca viu nada parecido em relação a esse sobe e desce do Rio Tocantins. “E ainda tem a Semana Santa. Tem muita chuva até lá. O rio pode até não chegar a esses 13 metros, como chegou em janeiro, mas vai encher ainda”, prevê o idoso.

Por falar nos 13 metros, em janeiro quando o nível do rio atingiu a marca, a família foi para o andar de cima da residência. “Depois de tanta enchente, indo pra abrigo, casa dos outros, eu fiz uma laje na parte de cima. Mas, sair da Velha Marabá, eu não saio. Aqui é bom demais”.

JOELINA RETIRANTE

Com a experiência de algumas (várias) enchentes, Joelina Teixeira, 57 anos, mora na Travessa Mestre Olivi, no Bairro Santa Rosa, e relata que esse ano foi surpreendente.

“Estou arrumando minhas coisas pra sair de casa pela quarta vez só esse ano. Já fui lá pra Z-30, já fui pro Jardim União, depois minha vizinha me emprestou uma quitinete pra eu morar, aí como começou a secar voltei pra casa, só que agora, pelo jeito, vou ter que sair de novo”, lamenta Joelina.

“Estou arrumando minhas coisas pra sair de casa pela quarta vez só esse ano”, diz Joelina Teixeira – Foto: Evangelista Rocha

Com cinco pessoas na residência, ela afirma que não é fácil ‘fazer a mudança’ e deixar a casa pra trás, debaixo d´água. Com perdas materiais, como armários e guarda roupas, Joelina conta que a situação de ver a casa cheia de água é muito ruim.

“É a natureza. Está tudo no controle de Deus. Espero que não encha mais que isso. Mas, a gente não dorme tranquila. Dá medo dormir e acordar com a água dentro de casa. É desesperador”, conta a moradora.

E AÍ, DEFESA CIVIL?

De acordo com a Defesa Civil de Marabá, muitas famílias retornaram para as áreas de risco sem a autorização do órgão e agora estão tendo de voltar aos abrigos.

Marcos Andrade, assessor da Defesa Civil, diz que somente quando o nível do rio atingir a marca de 8 metros é que o órgão vai emitir uma nota sobre o retorno seguro para as casas.

“E essas pessoas que voltaram não foram com autorização da Defesa Civil, pois nossa orientação era a permanência nos abrigos ou onde elas estavam, que era nas casas de amigos ou alugadas. De 1.050 famílias, após o recadastramento, contabilizamos agora 780 nos abrigos”, informou Marcos Andrade.

De acordo com a Defesa Civil, o atendimento às famílias continua em todos os abrigos, com entrega de kits de higiene, cestas básicas e a troca de botijões de gás para as famílias que estão desalojadas em casas de amigos ou familiares. (Ana Mangas)