Correio de Carajás

Rio Tocantins sobe 3 metros em 11 dias e já ultrapassa a cota de alerta em Marabá

Por: Da Redação

Depois de um início de ano tranquilo, sem registro de famílias desabrigadas pela cheia dos rios em Marabá — um cenário que não se via há anos —, os rios Tocantins e Itacaiunas iniciaram uma escalada preocupante, sinalizando a iminência de uma enchente nos próximos dias.

O Rio Tocantins, que se mantinha estável na casa dos seis metros, começou a ganhar volume de forma acentuada em 26 de fevereiro, quando marcava 6,55 metros acima do nível normal, e neste sábado (7) atingiu a marca de 9,59 metros. Isso representa uma elevação de mais de três metros em apenas onze dias. O Rio Itacaiunas, por sua vez, já alcança 10,81 metros.

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A Defesa Civil Municipal, que não publicava atualizações em suas redes sociais desde dezembro de 2025, retomou a divulgação do acompanhamento da régua fluviométrica.

No entanto, o Correio de Carajás já vinha monitorando os níveis dos rios desde fevereiro. A cota de alerta para o Rio Tocantins em Marabá é de 10 metros, patamar em que as águas começam a atingir as primeiras moradias nas áreas ribeirinhas, provocando o deslocamento de famílias.

Contexto climático

A atual cheia está inserida no contexto climático da Bacia Hidrográfica Tocantins-Araguaia, uma das maiores do Brasil, que abrange uma área de 967.059 km² e se estende por seis estados e o Distrito Federal.

A região possui um clima tropical, com uma estação chuvosa bem definida, que geralmente ocorre entre os meses de dezembro e maio, período conhecido como “inverno amazônico”. É durante essa estação que se concentram as maiores precipitações, que alimentam as cabeceiras dos rios e, consequentemente, elevam seus níveis.

O histórico de Marabá é marcado por enchentes recorrentes, sendo a de 1980 a mais severa já registrada. Nas maiores enchentes a Prefeitura de Marabá costuma decretar estado de emergência e, em parceria com o Exército e o governo do Estado, implementa um plano de ação que inclui a construção de abrigos temporários, a remoção de famílias de áreas de risco e a distribuição de auxílio.

Até o momento, a prefeitura, que afirma ter se planejado para o atual período de cheia, ainda não detalhou como serão implementadas as ações de suporte aos ribeirinhos desta vez.