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Como é que se explica isto? O Pará é o estado brasileiro mais rico em recursos minerais. As maiores jazidas de ferro, níquel e cobre estão por aqui. O estado também é farto em florestas, terras para o plantio de culturas e criação de gado. Isto sem falar nas duas maiores hidrelétricas do país, Tucuruí e Belo Monte. Apesar disso, ele aparece entre os 5 piores do país em desnutrição infantil e com menor acesso à saúde pública. Dois problemas que se arrastam há anos sem qualquer melhoria.

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Ruim até de escola

Não é para invejar. O Pará ostenta a 4ª pior taxa de conclusão do ensino médio por jovens de 19 anos e o 2º menor índice de matriculados na educação superior. Nossa educação é a pior do Brasil. Em saneamento básico também aparecemos entre os quatro piores. É triste dizer, mas o IBGE não mente: o trabalho infantil atinge 170 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Vale perguntar: falta dinheiro ou se gasta mal, deixando de combater tantas mazelas?

Pobre e violento

Não é só a pobreza – até mesmo a miséria, como ocorre no Marajó – que nos envergonha. A violência chegou a níveis insuportáveis. De Belém ao menor dos 144 municípios, ninguém está seguro. Temos na capital a décima cidade mais violenta do mundo. A média diária de crimes passa de 20 em todo o estado. Das 100 piores cidades brasileiras para se viver, 41 estão no Pará.

Acerto de contas

Dono de várias fazendas de gado no sul do Pará, o banqueiro Daniel Dantas está com a faca nos dentes, acertando suas contas com o governo federal. Ele bateu o pé e não deixa que o linhão de Belo Monte passe por dentro de suas terras. Os chinesses da State Grid, proprietários da concessionária Rio Xingu Transmissora de Energia (XRTE), já perderam duas batalhas judiciais, uma no TJ paraense e outra em Brasília, no STJ. Dantas faz cara de paisagem e avisa que as linhas não passam por dentro das fazendas.

Estouro da boiada

O governo tentou ajeitar as coisas, concedendo aos chineses uma declaração de utilidade pública do traçado do tal linhão. Mas as decisões judiciais deram razão ao ex-dono do banco Opportunity. A turma da China alega que o prazo para levar as linhas até o Rio de Janeiro vai até dezembro de 2019. O projeto envolve um investimento de R$ 9,3 bilhões. E a multa por atraso é alta. No meio dessa fortuna, como se vê, passa uma boiada. A de Daniel Dantas.

Sonegação, a praga

Estarrecedora a notícia de que a cervejaria Petrópolis, do Rio de Janeiro, negociou uma dívida tributária de R$ 1,1 bilhão, que será quitada em mais de 2 mil anos. O comentário é do auditor fiscal da SEFA e presidente do Sindifisco nacional, o paraense Charles Alcântara. Para ele, o prazo de 2 mil anos dado à Cervejaria Petrópolis é até razoável, se comparado com o caso da Cerpasa, uma cervejaria que tem uma dívida ativa tributária com o Pará de mais de R$ 2,1 bilhões e, desde 2014, paga em torno de R 1,2 milhão por mês.

 

_______________BASTIDORES________________________

 

* Na avaliação de Charles Alcântara, considerando que a dívida da empresa sofre encargo mensal de 1%, ou seja, cresce mais de R$ 20 milhões por mês, daqui a 2 mil e poucos anos, quando a Petrópolis saldar a sua dívida com o governo fluminense, a dívida da Cerpasa será ainda maior.

* “Nas condições em que vem sendo “paga”, a dívida da Cerpasa com o povo do Pará não será quitada daqui a dois mil, nem cinco mil, nem dez mil anos”, sentencia o sindicalista. Pelo tamanho do calote, faz sentido.

* Soou como provocação a nova declaração do secretário de Segurança, Luiz Fernandes, afirmando publicamente que se sente seguro em Belém. Quem não suportou foi o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL) .

* Para Edmilson, há um “descompromisso, um achincalhe e desrespeito com a população”, citando os mais de 1 mil homicídios registrados no Pará nos primeiros meses deste ano.

* A declaração de Fernandes foi feita em meio à Marcha Contra a Violência e pela Paz realizada pelas ruas da capital paraense.

* De acordo com psolista, a gestão de Simão Jatene “perdeu o controle” sobre a situação de intensa violência que aflige a população, bem como manifesta “desprezo” pelos policiais civis e militares, que já tiveram 23 agentes assassinados este ano. 

Como é que se explica isto? O Pará é o estado brasileiro mais rico em recursos minerais. As maiores jazidas de ferro, níquel e cobre estão por aqui. O estado também é farto em florestas, terras para o plantio de culturas e criação de gado. Isto sem falar nas duas maiores hidrelétricas do país, Tucuruí e Belo Monte. Apesar disso, ele aparece entre os 5 piores do país em desnutrição infantil e com menor acesso à saúde pública. Dois problemas que se arrastam há anos sem qualquer melhoria.

Ruim até de escola

Não é para invejar. O Pará ostenta a 4ª pior taxa de conclusão do ensino médio por jovens de 19 anos e o 2º menor índice de matriculados na educação superior. Nossa educação é a pior do Brasil. Em saneamento básico também aparecemos entre os quatro piores. É triste dizer, mas o IBGE não mente: o trabalho infantil atinge 170 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Vale perguntar: falta dinheiro ou se gasta mal, deixando de combater tantas mazelas?

Pobre e violento

Não é só a pobreza – até mesmo a miséria, como ocorre no Marajó – que nos envergonha. A violência chegou a níveis insuportáveis. De Belém ao menor dos 144 municípios, ninguém está seguro. Temos na capital a décima cidade mais violenta do mundo. A média diária de crimes passa de 20 em todo o estado. Das 100 piores cidades brasileiras para se viver, 41 estão no Pará.

Acerto de contas

Dono de várias fazendas de gado no sul do Pará, o banqueiro Daniel Dantas está com a faca nos dentes, acertando suas contas com o governo federal. Ele bateu o pé e não deixa que o linhão de Belo Monte passe por dentro de suas terras. Os chinesses da State Grid, proprietários da concessionária Rio Xingu Transmissora de Energia (XRTE), já perderam duas batalhas judiciais, uma no TJ paraense e outra em Brasília, no STJ. Dantas faz cara de paisagem e avisa que as linhas não passam por dentro das fazendas.

Estouro da boiada

O governo tentou ajeitar as coisas, concedendo aos chineses uma declaração de utilidade pública do traçado do tal linhão. Mas as decisões judiciais deram razão ao ex-dono do banco Opportunity. A turma da China alega que o prazo para levar as linhas até o Rio de Janeiro vai até dezembro de 2019. O projeto envolve um investimento de R$ 9,3 bilhões. E a multa por atraso é alta. No meio dessa fortuna, como se vê, passa uma boiada. A de Daniel Dantas.

Sonegação, a praga

Estarrecedora a notícia de que a cervejaria Petrópolis, do Rio de Janeiro, negociou uma dívida tributária de R$ 1,1 bilhão, que será quitada em mais de 2 mil anos. O comentário é do auditor fiscal da SEFA e presidente do Sindifisco nacional, o paraense Charles Alcântara. Para ele, o prazo de 2 mil anos dado à Cervejaria Petrópolis é até razoável, se comparado com o caso da Cerpasa, uma cervejaria que tem uma dívida ativa tributária com o Pará de mais de R$ 2,1 bilhões e, desde 2014, paga em torno de R 1,2 milhão por mês.

 

_______________BASTIDORES________________________

 

* Na avaliação de Charles Alcântara, considerando que a dívida da empresa sofre encargo mensal de 1%, ou seja, cresce mais de R$ 20 milhões por mês, daqui a 2 mil e poucos anos, quando a Petrópolis saldar a sua dívida com o governo fluminense, a dívida da Cerpasa será ainda maior.

* “Nas condições em que vem sendo “paga”, a dívida da Cerpasa com o povo do Pará não será quitada daqui a dois mil, nem cinco mil, nem dez mil anos”, sentencia o sindicalista. Pelo tamanho do calote, faz sentido.

* Soou como provocação a nova declaração do secretário de Segurança, Luiz Fernandes, afirmando publicamente que se sente seguro em Belém. Quem não suportou foi o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL) .

* Para Edmilson, há um “descompromisso, um achincalhe e desrespeito com a população”, citando os mais de 1 mil homicídios registrados no Pará nos primeiros meses deste ano.

* A declaração de Fernandes foi feita em meio à Marcha Contra a Violência e pela Paz realizada pelas ruas da capital paraense.

* De acordo com psolista, a gestão de Simão Jatene “perdeu o controle” sobre a situação de intensa violência que aflige a população, bem como manifesta “desprezo” pelos policiais civis e militares, que já tiveram 23 agentes assassinados este ano. 

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