📅 Publicado em 03/07/2026 10h51
A determinação que restringe a circulação de veículos articulados de grande porte nas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá, continua provocando debates entre motoristas, caminhoneiros e moradores do município. Implantada no último dia 9 de junho após decisão da Justiça Federal, a medida busca reduzir a sobrecarga sobre as estruturas, consideradas comprometidas por laudos técnicos, mas segue gerando críticas por seus impactos na mobilidade urbana e no transporte de cargas.
Desde o início da fiscalização, caminhões e outras combinações de grande porte – como por exemplo carretas, bitrens e rodotrens – passaram a ser impedidos de trafegar em horários específicos na BR 230, sendo orientados a aguardar em pontos de apoio até a liberação. Apesar do objetivo de preservar as pontes e melhorar o fluxo urbano, a ausência de prazo para o fim da operação tem alimentado incertezas.
Nas redes sociais, a repercussão também tem sido intensa. Em publicação feita pelo Correio de Carajás há cerca de seis dias, internautas classificaram a medida como confusa e questionaram sua efetividade. Entre os comentários, predominam críticas à condução da restrição e preocupações com possíveis novos gargalos no trânsito.
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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mantém equipes atuando nos acessos às pontes para orientar e, quando necessário, autuar motoristas que descumpram a determinação judicial. Segundo o agente Ian Lopes, durante ação realizada nesta quarta-feira (1) na Cidade Nova, a operação segue em ritmo constante e deve continuar mesmo durante o período de férias escolares, quando parte da população deixa a cidade.
“Só hoje, por exemplo, já orientamos mais de 30 veículos articulados para que tomassem o retorno, evitando prejuízos ao fluxo e, principalmente, o comprometimento da medida judicial”, afirma.

De acordo com o agente, equipes permanecem posicionadas em pontos estratégicos da BR-230 para interceptar veículos de carga pesada antes da travessia. Lopes também confirmou que não há, até o momento, previsão para encerramento da operação.
“Até determinação da autoridade competente, a gente não tem noção de até quando vamos seguir com essa operação”, avalia o agente Ian.
A PRF explica que a medida é resultado de discussões entre órgãos federais após provocação do Ministério Público Federal (MPF), que acionou a Justiça diante de riscos estruturais identificados nas pontes.
Se, para autoridades, a restrição representa uma medida preventiva, para caminhoneiros ela tem significado atraso, custos adicionais e mudanças na rotina. O caminhoneiro Valdenir Francisco, que transportava madeira de Anapu com destino a Santana do Araguaia, foi um dos motoristas surpreendidos pela fiscalização.
Parado por volta das 16h da quarta-feira, ele afirmou que a principal dificuldade está na falta de informação prévia. “Tinha que ter avisado lá na entrada da cidade, daí a gente parava num posto antes. Fica ruim porque atrasa tudo”. Segundo ele, a espera prolongada afeta diretamente a logística de entrega, especialmente para quem trabalha com horários rígidos de descarga.

Valdenir defende que um sistema de rodízio poderia reduzir os prejuízos, alegando que se parasse os carros pequenos um pouco para deixar os caminhões passarem e depois invertesse, seria melhor.
José Carlos Almeida, caminhoneiro, saiu de Imperatriz (MA) com destino a Itaituba: “Essa mudança complicou demais a viagem. Antes eu passava direto e economizava tempo. Agora preciso fazer um desvio, aguardar duas horas e corro o risco de atrasar a entrega da carga. Quem está na estrada sabe que qualquer hora perdida pesa no bolso.”
Marcos Vinícius Ferreira, motorista de carreta, veio de Belém (PA) e segue para Anapu: “Ninguém é contra segurança, mas faltou planejamento. A gente chega aqui e precisa mudar toda a rota de última hora. Isso aumenta os custos e acaba sobrando para quem transporta e para o consumidor lá na frente.”
Antônio Pereira da Silva, motorista autônomo, saiu de Araguaína (TO) com destino a Altamira (PA): “Faço esse trajeto uma vez por mês e nunca tinha enfrentado uma situação dessas. O desvio é longo, tem mais trânsito e a viagem fica muito mais cansativa. A gente entende que a ponte precisa de cuidados, mas precisava existir uma alternativa que prejudicasse menos quem depende da rodovia para trabalhar.”

Sobre a medida
A restrição atual foi determinada pela Justiça Federal após ação do MPF contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a União. Laudos técnicos apontaram afundamento da pista, rachaduras no asfalto e fissuras em elementos de sustentação das pontes. Além da limitação do tráfego de veículos pesados, a decisão obriga o Dnit a reforçar a sinalização, apresentar cronograma de solução definitiva para as estruturas e manter monitoramento contínuo das condições das pontes.
Enquanto órgãos federais buscam uma solução definitiva, Marabá segue convivendo com congestionamentos, mudanças na rotina de transporte e um debate cada vez mais acalorado sobre qual deve ser o melhor caminho para conciliar segurança estrutural e mobilidade urbana. Como já divulgado pelo Correio de Carajás, a restrição do tráfego determina que esses veículos pesados não podem circular pela ponte de segunda a sexta-feira em dois períodos: das 7h às 9h e das 16h às 20h.
