Correio de Carajás

Repórter Correio

Absurdo

A engenharia moderna ergue arranha-céus que desafiam as nuvens, perfura montanhas para encurtar distâncias e lança estruturas sobre oceanos que resistem a terremotos e furacões. No entanto, no Brasil, e mais especificamente na BR-230, a Rodovia Transamazônica, parece que o concreto armado foi substituído por algum material com prazo de validade de iogurte. A recente confirmação pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de que a Ponte Transaraguaia, na divisa entre o Pará e o Tocantins, será demolida e reconstruída, é o atestado de óbito de uma obra inaugurada há meros 16 anos.

Concreto esfarelado

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A Ponte Transaraguaia, entregue com pompa e circunstância em outubro de 2010, custou aos cofres públicos cerca de R$ 71 milhões na época. Hoje, encontra-se interditada, condenada por um laudo técnico que aponta deterioração avançada nos blocos de fundação e nos pilares centrais. O diagnóstico é de esfarelamento do concreto e exposição das armaduras metálicas. A estrutura, que deveria ser um marco de integração regional e escoamento de produção, tornou-se um monumento ao desperdício e à ineficiência.

Efeito dominó

O absurdo ganha contornos ainda mais dramáticos quando percebemos que este não é um caso isolado. A poucos quilômetros dali, em Marabá, o cenário se repete com uma precisão assustadora. Duas pontes sobre o Rio Itacaiúnas, também na BR-230, foram igualmente condenadas à demolição pelo DNIT no início deste ano. Uma delas, a segunda ponte, foi inaugurada em 2011. Quinze anos de uso e a estrutura já apresenta afundamento da pista, rachaduras extensas e fissuras profundas nas estacas de fundação. Como é possível que obras de arte especiais, projetadas para durar décadas, senão séculos, entrem em colapso em tão pouco tempo?

Autoridades

O Ministério Público Federal (MPF) e outras instâncias de controle precisam agir com o rigor que a situação exige. Não basta apenas interditar, demolir e abrir novas licitações milionárias para reconstruir o que já deveria estar de pé. É imperativo investigar a fundo as causas desse colapso prematuro, identificar os responsáveis por eventuais falhas de projeto, execução ou fiscalização, e exigir o ressarcimento aos cofres públicos. A sociedade brasileira não pode continuar pagando a conta da “engenharia do desperdício”.

Círio de Marabá

A Diocese de Marabá e a Diretoria da Festa de Nazaré realizam, neste sábado (9), a coletiva oficial de lançamento do 46º Círio de Nazaré de Marabá. O encontro acontece no Palco do Círio, na Folha 16, da Nova Marabá, e reúne representantes da Igreja e da organização do evento. Durante a apresentação, serão divulgados o tema oficial do Círio 2026 e os principais detalhes da programação da festividade, considerada uma das maiores manifestações de fé do Pará.

Círio de Marabá II

A programação inclui informações sobre as romarias, ações missionárias, estrutura do evento e organização voltada aos romeiros que participam da festividade ao longo do mês de outubro. Também serão apresentados detalhes sobre logística, segurança, expectativa de público e movimentação turística durante o período do Círio.

Fake

O Sindicato Metabase Carajás divulgou comunicado nesta semana desmentindo informações que circulam entre os trabalhadores das unidades da Vale no Pará sobre um suposto acordo que alteraria a escala 4×3. De acordo com a entidade, trata-se de desinformação. Segundo o sindicato, não houve assinatura ou negociação de qualquer acordo que contemple mudanças na jornada de trabalho nos moldes que estão sendo divulgados. A entidade reforça que qualquer alteração desse tipo deve passar obrigatoriamente por assembleias transparentes com os trabalhadores antes de ser implementada.

Fake II

O departamento jurídico do Sindicato Metabase Carajás já iniciou procedimentos legais contra a divulgação das informações falsas. A entidade não especificou a origem da fake news nem detalhes sobre as medidas jurídicas que serão adotadas. Em comunicado, o sindicato orienta os trabalhadores a desconfiarem de informações que não venham de seus canais oficiais e recomenda que busquem confirmação sobre direitos trabalhistas e negociações apenas nas plataformas oficiais da entidade.