📅 Publicado em 21/09/2026 15h56
Uma reportagem sobre violência obstétrica em Marabá, publicada pela Revista AzMina, foi selecionada como finalista do 48º Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O trabalho foi produzido pelos jornalistas Mariana Rosetti e João Paulo Guimarães e aborda relatos de mulheres e famílias que vivenciaram situações de desrespeito, negligência e violação de direitos durante a gestação, o parto e o período pós-parto.
Realizada em julho do ano passado, a reportagem foi construída a partir dos depoimentos de mulheres e familiares que aceitaram compartilhar experiências muitas vezes mantidas em silêncio. Os relatos ajudaram a expor problemas relacionados ao atendimento obstétrico e a ampliar o debate sobre a necessidade de oferecer assistência baseada em respeito, dignidade e humanização.
O trabalho também chama atenção para o racismo obstétrico, que pode atingir de forma específica mulheres negras durante o atendimento de saúde. A abordagem considera que, além da violência relacionada à gestação e ao parto, essas mulheres podem enfrentar discriminação e tratamentos desiguais associados à raça.
Leia mais:Para João Paulo Guimarães, a seleção representa uma conquista importante, especialmente diante dos desafios enfrentados no período recente. Em uma publicação nas redes sociais, o jornalista afirmou ter recebido a notícia com surpresa.
“Eu estou anestesiado com essa notícia, sem saber como reagir. Minha matéria sobre violência obstétrica em Marabá, com a Revista AzMina e a querida Mariana Rosetti, foi selecionada como finalista para o 48º Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos”, declarou.
O jornalista também afirmou que a indicação já representa uma vitória profissional, independentemente do resultado final. “Esses tempos têm sido difíceis para mim, com muitos desafios e decepções. Mas ser selecionado como finalista já é uma vitória. É incrível para a carreira de qualquer jornalista”, escreveu.
Na avaliação de João Paulo, o reconhecimento também pertence às mulheres que aceitaram relatar o que viveram. “Essa indicação é para todas aquelas mulheres que sofreram e sofrem caladas. Para as mães que perderam os filhos pelas mãos de pessoas que deveriam cuidar. Essa matéria é por todas as crianças que têm em suas lápides o mesmo dia para o nascimento e o óbito”, afirmou.
A reportagem foi realizada em parceria com a Revista AzMina, publicação voltada à cobertura de temas relacionados aos direitos das mulheres.
A indicação ao prêmio também foi celebrada pelo Instituto Instrelas, organização que atua em Marabá na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência obstétrica e ao racismo obstétrico.
Em manifestação sobre a seleção, o instituto reconheceu o trabalho dos jornalistas e destacou a importância dos relatos que deram origem à reportagem. A entidade também afirmou que permanece disponível para acolher e orientar mulheres e famílias que tenham vivenciado situações de violação de direitos, inclusive na busca por caminhos para formalizar denúncias.
A escolha dos finalistas coloca a realidade vivida por mulheres em Marabá no debate nacional sobre jornalismo, direitos humanos e atendimento à saúde. O resultado final do 48º Prêmio Vladimir Herzog deverá definir os vencedores entre os trabalhos selecionados.
Leia a reportagem que rendeu a indicação, neste link:
