Correio de Carajás

Reintegração de posse é cumprida na Fazenda Princesa, em Parauapebas

Após ação na Fazenda Paloma, nova operação desocupa a Fazenda Princesa, gerando confronto inicial. Autoridades preveem mais desocupações na região.

Ônibus vermelho com 'Polícia' parado em estrada de terra, pessoas e pertences espalhados na grama.
Alguns moradores tentaram se instalar na faixa de domínio da rodovia, mas foram impedidos pelos policiais pois a área é de risco/ Fotos: Ronaldo Modesto
Por: Luciana Araújo e Ronaldo Modesto
✏️ Atualizado em 20/03/2026 16h53

Dando continuidade às determinações da 1ª Vara Agrária de Marabá, forças de segurança concluíram uma nova operação de reintegração de posse, desta vez na Fazenda Princesa, em Parauapebas, nesta sexta-feira (20). A ação contou com o mesmo contingente mobilizado recentemente na desocupação da Fazenda Paloma, somando 148 policiais militares.

Durante o início da operação, houve um momento de tensão quando os ocupantes resistiram em deixar o local e tentaram se instalar na faixa de domínio da rodovia, no espaço entre a pista e a cerca da propriedade. Foi preciso uma intervenção das forças policiais para evitar acidentes. “Essa é uma área que realmente é proibido levantar qualquer tipo de edificação e até (tem) o risco da segurança, o risco de vida deles”, explicou o tenente-coronel Aquino, do Batalhão de Missões Especiais (BME), da Polícia Militar.

Após a aproximação das viaturas, o grupo cedeu e iniciou o deslocamento pacífico para vilarejos próximos indicados pelos próprios moradores.

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A força-tarefa foi ampla e integrada. Além de tropas do BME, participaram agentes do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), do Batalhão Rodoviário e do Batalhão Rural. A ação também contou com o suporte de equipes médicas, técnicos da concessionária Equatorial e representantes da Prefeitura Municipal, incluindo a Secretaria de Assistência Social (SEMAS).

Para evitar novas ocupações, o efetivo do Batalhão Rural permanecerá guarnecendo a área da Fazenda Princesa até que o terreno esteja completamente seguro para a devolução.

Aquino também confirmou que a região deve passar por novas desocupações em breve. “Nas proximidades de Parauapebas temos alguns levantamentos e planejamentos que vão ser executados no futuro”, adiantou o tenente-coronel sobre os próximos passos da corporação na área.

Esta é a segunda ação de reintegração de posse cumprida nesta semana em Parauapebas

FAZENDA PALOMA E MANIFESTAÇÕES

A reintegração de posse na Fazenda Princesa não é um caso isolado e insere-se num cenário de crescente tensão fundiária e social na região de Parauapebas.

Na segunda-feira (16), o mesmo aparato já havia concretizado o despejo de pessoas na Fazenda Paloma, também situada na VS-10. A área já possuía características de um bairro residencial, abrigando quase 1.200 pessoas, incluindo 250 crianças, que viram as suas habitações de dois anos serem demolidas.

Este cenário ensejou uma forte indignação popular. Em 13 de março, prevendo o avanço das desocupações, manifestantes bloquearam a rodovia PA-160, que liga Parauapebas a Canaã dos Carajás. O protesto reuniu residentes de várias ocupações locais, como as comunidades Castanheira e Nova Aliança, mobilizados pela União Nacional por Moradia Popular e por diversas outras associações.

Os líderes do movimento reivindicam o direito a uma habitação digna e denunciam as condições oferecidas pelas autoridades locais. Segundo os manifestantes, a proposta da Câmara Municipal de Parauapebas de inserir as famílias num programa de “Aluguel Social” ou encaminhá-las para abrigos é insuficiente, revelando, por exemplo, que num universo de 800 famílias, apenas 90 teriam sido selecionadas para o apoio, o que os manifestantes classificam como “desumano”.

O clima de mobilização promete manter-se enquanto as liminares de despejo continuarem a ser cumpridas sem que se estabeleça um diálogo efetivo com as autoridades regionais.