📅 Publicado em 22/03/2026 17h44
O Projeto Rondon, iniciativa coordenada pelo Ministério da Defesa, avança para sua centésima operação com ações previstas em 18 municípios do Pará. Batizada de Operação Carimbó, a nova etapa reúne 368 estudantes e professores universitários com o objetivo de levar capacitação e fortalecer políticas públicas em regiões consideradas prioritárias.
Neste final de semana, os mentores de cada equipe participaram de uma formação com diversas palestras nas instalações do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, em Marabá, antes de seguir para as cidades onde atuarão diretamente.
Cada município receberá, por duas semanas, duas instituições de ensino superior com 10 integrantes cada, sendo dois professores orientadores e oito alunos por universidade, com exceção de Parauapebas, que receberá quatro instituições.
Leia mais:
À frente da coordenação nacional, o coronel do Exército Brasileiro e coordenador geral do Projeto Rondon no Ministério da Defesa, Euclides Soljenitsin Araújo conversou com o Correio de Carajás e destaca a dimensão e o histórico do projeto. “Esta é uma ação interministerial de cunho estratégico”, diz o coronel.
Criado em 1967, o projeto nasceu com a proposta de integrar universitários ao desenvolvimento social do país. Desde então, os números reforçam a abrangência da iniciativa. “Hoje, além de estarmos indo para a centésima operação, nós já atendemos mais de 2 milhões de munícipes no Brasil inteiro”, enumera.

Segundo o coronel, o trabalho já foi realizado com mais de 26.000 rondonistas, que envolve professores e estudantes universitários. Ele destaca que o projeto esteve presente em mais de 1.400 municípios no Brasil inteiro ao longo de sua história.
CAPACITAÇÃO VIRA EIXO CENTRAL
Nesta edição, a Operação Carimbó traz ao Pará 368 rondonistas, vinculados a 36 instituições de ensino superior de diferentes regiões do país. Neste primeiro momento, as equipes participam da chamada “viagem precursora”, etapa de alinhamento dos mentores junto aos gestores municipais.
O coronel explica que os rondonistas estão na região para realizar uma fase da operação que se chama viagem precursora. Na oportunidade, os professores coordenadores vão conversar com os prefeitos, com o secretariado para entender as necessidades regionais e alinhar toda a estratégia para trazer capacitações por meio de oficinas.
Segundo ele, as ações previstas abrangem diversas áreas, como saúde, educação, direitos humanos, cultura, meio ambiente, tecnologia e geração de emprego. A proposta é adaptar as atividades às demandas locais. “O projeto Rondon, por meio da Operação Carimbó, está trazendo profissionais para capacitar pessoas, líderes comunitários, agentes de saúde, professores, público em geral em diversas áreas temáticas”, explica.
Entre os exemplos citados estão formações voltadas à educação inclusiva e ao cuidado com idosos. “Significa que nós vamos trazer, por exemplo, uma capacitação para pessoas que vão auxiliar os professores nas salas de aula com pessoas com deficiências. Uma outra capacitação que nós podemos oferecer também é uma relacionada a cuidador de idoso, uma vez que a população do País está envelhecendo bastante”, avalia.
Ao final das oficinas, os participantes recebem certificação emitida pelas universidades envolvidas. “Ao final da capacitação, o munícipe – o líder comunitário – recebe um diploma daquela instituição de ensino. Isso tem muito valor e melhora a qualidade de vida”, pontua.
FASE DE ALINHAMENTO
Coronel Euclides conta que a operação segue um cronograma estratégico. Após o diagnóstico inicial, as equipes retornam em julho para execução das atividades. “Isso que está sendo feito agora vai ser trabalhado nos próximos meses para que lá em julho, a partir do dia 11, efetivamente a gente traga os 368 rondonistas por meio de equipes”.
Durante cerca de duas semanas, os participantes atuarão diretamente nos municípios, em parceria com as prefeituras, para que durante 12 dias sejam realizadas as capacitações.
A Operação Carimbó contempla 13 municípios na região de Marabá e outros cinco em diferentes áreas do estado, incluindo a Ilha de Marajó e localidades atendidas por via fluvial. “No entorno de Marabá são 13 cidades. Na ilha de Marajó, nós vamos trabalhar com três municípios. Além disso, teremos um navio auxiliar e mais duas cidades, perfazendo então 18 municípios do Estado do Pará na nossa Operação Carimbó”, conclui.
O coronel também explica que a escolha dos municípios levou em conta indicadores sociais e o interesse das gestões locais em participar da iniciativa. “Nós elencamos alguns critérios para selecionar esses municípios, dentre eles IDH, índice de progresso social e distância do centro regional”, enfatiza.
Com foco na capacitação e no fortalecimento das comunidades, a expectativa é de impacto direto na qualidade de vida da população atendida. “Eu tenho certeza de que a operação vai ser muito efetiva em função do calor humano do povo do Pará, que gentilmente está nos acolhendo aqui”, prevê o comandante.
Marcelo Rodrigues, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, é um dos mentores que passaram o final de semana de imersão em Marabá antes de seguir para a cidade de Curionópolis, onde vai entender a dinâmica da comunidade e traçar um programa de atuação para uma equipe de acadêmicos rondonistas desenvolver em julho próximo como projeto de extensão.
“Este projeto tem um potencial enorme de transformar a vida das cidades e de seus habitantes e, claro, dos alunos e professores que vêm participar dessa ação relevante”, pontua o educador, que é da área de comunicação.
