Correio de Carajás

Projeto busca restaurar 200 hectares de florestas na região

Projeto pretende recuperar 207 hectares na Terra Indígena Mãe Maria e na Reserva Indígena Fazenda Mabel
✏️ Atualizado em 05/10/2026 10h13

Com o objetivo de promover a restauração ambiental por meio de técnicas de reflorestamento, o projeto “Restauração Ecológica de Paisagens: arborescer, memória e sonhos na trilha do Povo Gavião” deve recuperar 207 hectares na Terra Indígena Mãe Maria e na Reserva Indígena Fazenda Mabel, localizadas no sudeste do Pará.

O projeto é uma parceria entre a Fundação Guamá (FG) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), e conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A região sudeste do Pará representa um dos territórios mais pressionados no arco do desmatamento. Esses impactos comprometem não apenas a biodiversidade, mas também a segurança alimentar, a saúde e as práticas culturais do povo Gavião, cuja relação com o território é intrinsecamente ligada à manutenção de suas práticas tradicionais e à reprodução de seus modos de vida.

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“A restauração ecológica dessas áreas é, portanto, estratégica para restabelecer funções ecossistêmicas essenciais, favorecer a conectividade de habitats, fortalecer a resiliência socioambiental frente às pressões atuais e futuras e recrudescer a memória biocultural do povo”, explica Haroldo de Souza, coordenador do projeto.

Aprovado na terceira chamada do programa “Restaura Amazônia”, o projeto será desenvolvido em dois territórios do povo Gavião: a Terra Indígena (TI) Mãe Maria e a Reserva Indígena (RI) Fazenda Mabel, com foco na recuperação ambiental, respeitando as especificidades socioambientais e a organização social desse povo.

O projeto une conhecimentos científicos e tradicionais em uma gestão participativa, fortalecendo a autonomia das comunidades e incentivando práticas sustentáveis, com agroflorestas e manejo de espécies nativas. “Nós ficamos uma semana em campo fazendo esse trabalho de levantamento em diálogo com esses sujeitos, para a definição desse processo de construção coletiva, de escrita de projeto junto aos territórios, desde os trâmites formais para a submissão da proposta, como a gente ter que apresentar a anuência não só dos territórios, das aldeias, mas também da própria Funai e de um conjunto de parceiros que foram mobilizados”, explica o coordenador, que também atua como professor e pesquisador da Faculdade de Educação do Campo da Unifesspa.

As técnicas e áreas prioritárias foram escolhidas em diálogo com as lideranças locais, alinhando-se ao plano de vida do povo Gavião. “Existe lá dentro um coletivo que tem, principalmente agora nesse período do ano (verão amazônico) que já se anuncia, a incumbência de tomar conta e atuar na prevenção e no combate aos incêndios florestais. Então a gente, em diálogo, foi mapeando essas iniciativas e achou importante trazer isso para dentro da experiência do próprio projeto”, conta o coordenador.

Além de recuperar áreas degradadas, a iniciativa promove justiça socioambiental e intergeracional, reparando danos históricos ao mapear nascentes, rotas de animais e locais sagrados, estabelecendo assim bases sólidas para a conservação da biodiversidade e o bem-estar das comunidades envolvidas. “Então, esse uso tem a ver com uma memória biocultural. Um tipo de interação com a floresta que tem um saber que não é, necessariamente, esse nosso saber acadêmico e científico. Mas esse saber tem uma visão que permite reproduzir a floresta na sua totalidade. Isso mantém, por exemplo, a oferta de sementes, de frutos e de determinadas plantas usadas para remédio”, esclarece o pesquisador.