Correio de Carajás

PRF apreende em Marabá uma tonelada de “supermaconha” que seguia para a Bahia

Droga era transportada em fundo falso da carreta, saiu de Manaus e a carga está avaliada em torno de R$ 10 milhões

Operação policial com cães farejadores e grande apreensão de drogas em compartimento escuro.
Policiais tiveram de retirar o piso da carreta para encontrar a droga que havia passado por vários postos de fiscalização até chegar a Marabá/ Fotos: Divulgação
Por: Ulisses Pompeu, Milla Andrade, Josseli Carvalho e Evangelista Rocha
✏️ Atualizado em 11/02/2026 09h15

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou uma das maiores apreensões de droga do ano em Marabá na tarde desta terça-feira (10). A ocorrência foi registrada por volta das 12h40, na BR-230, nas proximidades do Posto Rubão, no bairro Cidade Jardim, em frente o Delta Park, durante fiscalização de rotina.

De acordo com o Boletim de Ocorrência lavrado na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, a equipe da PRF abordou uma carreta Scania branca, modelo R440, que transportava carga de aparelhos sonoros com nota fiscal emitida por uma empresa do ramo de eletrônicos. O motorista Gilderlan Lima de Almeida, de 36 anos, informou que saiu de Manaus (AM) com destino à Feira de Santana (BA).

Policiais da PRF e PM atuaram em conjunto para descobrir a droga escondida dentro da carreta

Durante a abordagem, os agentes realizaram análise de risco e identificaram inconsistências nas informações prestadas pelo condutor. O veículo já havia sido abordado anteriormente em outras regiões, o que aumentou a suspeita. Diante do comportamento considerado nervoso e contraditório do motorista, os policiais solicitaram apoio do Canil Setorial do 1º Batalhão de Missões Especiais (BME).

Leia mais:
Após a suspeita confirmada, o motorista da carreta foi preso e levado para a Polícia Civil

O cão farejador indicou possível presença de entorpecente na parte traseira do veículo e, posteriormente, no interior do compartimento de carga. Na inspeção detalhada, os policiais perceberam indícios de modificação recente no piso do baú. Após perfuração no local suspeito, foram encontrados tabletes de Skank, uma variação mais potente da maconha, também conhecida como “supermaconha”.

A droga estava escondida em compartimento oculto sob o piso da carreta, evidenciando tentativa de dissimulação sofisticada para burlar a fiscalização. O motorista foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. O caso foi enquadrado como tráfico de drogas, conforme registro policial.

Motorista Gilderlan alegou que os cães farejavam droga porque ele era usuário do produto, mas acabou preso

Ao todo, segundo as autoridades policiais, foram encontrados no caminhão 859 tabletes de substância análoga à maconha/skank. A abordagem iniciada pela PRF, contou com o apoio do canil do BME (PMPA) e com equipes do Corpo de Bombeiros. O valor do quilo de skank no Brasil varia amplamente, mas estimativas recentes da polícia e órgãos oficiais apontam para valores de R$ 10.000,00. Assim, a droga estaria avaliada, no mínimo, em torno de R$ 10 milhões e poderia abastecer o mercado baiano durante o Carnaval, que inicia no próximo final de semana.

Ao CORREIO, o agente Rui, da PRF, falou sobre a operação. “Verificamos os compartimentos do veículo que poderia estar transportando algo ilícito, foi quando realizamos uma fiscalização minuciosa no veículo”, explica.

Agente Rui explica que foi necessária fiscalização minuciosa para encontrar a supermaconha no caminhão

O agente ressaltou a importância da integração das forças de segurança, que atuaram juntas na apreensão da droga, sobretudo, com a ajuda dos cães, que foram primordiais no farejamento do skank. “Foi um trabalho difícil e árduo”, reconheceu.

A apreensão reforça o papel estratégico de Marabá como ponto de fiscalização na Rodovia Transamazônica, rota frequentemente utilizada para o transporte de cargas entre as regiões Norte e Nordeste do país.

SAIBA MAIS
O skank é produzido a partir do cruzamento genético e do cultivo hidropônico da planta Cannabis sativa, a mesma que dá origem à maconha. A droga é criada em laboratório através da manipulação de espécies com engenharia genética e tem uma concentração mais forte de THC (Tetra-hidro-canabidinol), substância psicoativa que age alterando os níveis de serotonina e de dopamina, os hormônios ligados às sensações de prazer e satisfação no cérebro.
Alguns estudos apontam que a concentração de THC do skank pode ser de sete a dez vezes maior do que a encontrada na maconha, com uma porcentagem de aproximadamente 20% na droga sintética (ou de 40%, dependendo da versão “híbrida”) contra 2,5% na sua forma tradicional.
Quais os efeitos do skunk?
A maconha, seja extraída diretamente da planta ou por cruzamento genético, como é o caso do skank, pertence ao grupo e substâncias Perturbadoras da Atividade do Sistema Nervoso Central, também chamado de alucinógenos, psicodélicos, psicoticomiméticos, psicodislépticos, psicometamórficos ou alucinantes.