Correio de Carajás

Presidente do INSS visita Marabá e prevê reforma de agência

Em entrevista exclusiva ao CORREIO, Ana Evangelista também fala sobre concurso público, redução da fila de requerimentos e perspectivas para 2027

Ana Evangelista na chegada a Marabá conversou com servidores e segurados do Instituto/ Foto: Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe

A agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Marabá recebeu, nesta sexta-feira (9), a visita técnica de Ana Evangelista, presidente substituta e diretora de Governança, Planejamento e Inovação do órgão federal. Em entrevista exclusiva ao CORREIO, ela foi questionada sobre as condições estruturais da unidade, a redução da fila de requerimentos, a expectativa de contratação de novos servidores e a ampliação do atendimento a segurados de áreas rurais e municípios distantes.

A dirigente também explicou as regras de um benefício destinado a mulheres afastadas do trabalho em razão de violência doméstica e comentou as incertezas sobre a continuidade das políticas previdenciárias a partir de 2027.

A agenda teve como objetivo ouvir os servidores e identificar dificuldades específicas da região, como problemas de estrutura física, logística e sistemas de atendimento. Segundo Ana, a intenção é reunir essas demandas e encaminhá-las à direção central do INSS para que sejam adotadas medidas de melhoria nas unidades.

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Estrutura e atendimento

Inaugurado em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), o prédio da agência do INSS em Marabá, localizado no núcleo Cidade Nova, apresenta sinais de desgaste e danos visíveis na estrutura. Questionada sobre isso, Ana Evangelista afirmou que está prevista uma reforma para 2027, com o objetivo de melhorar as condições de funcionamento da unidade e oferecer um ambiente mais adequado a servidores e segurados.

A dirigente também destacou a redução da fila de requerimentos iniciais na região. De acordo com os números apresentados por ela, o volume de pedidos, que chegou a 137 mil, caiu para 51 mil. Ela alega que a diminuição faria parte do esforço nacional para agilizar a análise dos benefícios e reduzir o tempo de espera dos segurados.

Atualmente, o prazo de referência para a análise de benefícios previdenciários é de até 45 dias, embora alguns pedidos sejam concluídos antes. Nos casos que dependem de documentação complementar ou de providências do próprio requerente, o processo pode levar mais tempo. Para a perícia médica, Ana informou que a espera está em torno de sete dias.

Outra expectativa é a realização de um concurso público em 2027. Segundo a presidente substituta, o INSS solicitou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autorização para contratar 10 mil servidores, com o objetivo de reforçar o atendimento em todo o País. A dirigente lembrou ainda que novas equipes foram incorporadas ao órgão neste ano.

Apesar do avanço da digitalização, Ana ressaltou que o atendimento presencial continua necessário, especialmente para idosos, moradores da zona rural e pessoas com dificuldade de acesso à internet. A proposta é melhorar o acolhimento nas agências e ampliar a capacidade de atendimento, sem deixar sem assistência os segurados que precisam de ajuda para acessar os serviços digitais.

Perguntado sobre o combate a irregularidades, a dirigente afirmou que o INSS atua em conjunto com o Ministério da Previdência e a Polícia Federal na apuração de fraudes. Ela citou uma operação que resultou na suspensão de 89 mil benefícios, mas não apresentou um levantamento específico sobre o número de casos identificados no Pará ou no sudeste do estado.

Ana também defendeu a ampliação da presença do órgão em comunidades indígenas, áreas rurais e municípios distantes. Para ela, a Previdência precisa alcançar a população em situação de vulnerabilidade, garantindo que a distância dos grandes centros não se transforme em mais um obstáculo ao acesso aos direitos previdenciários.

Questionada sobre condições da agência, dirigente prometeu reforma

Vítimas de violência

Outro tema abordado durante a visita foi o benefício destinado a trabalhadoras afastadas de suas atividades em razão de violência doméstica. A medida prevê atendimento prioritário e sigiloso para mulheres que precisam deixar o ambiente de trabalho para se proteger dos agressores. Também estabelece mecanismos para responsabilizar os autores da violência pelos valores pagos, conforme as regras aplicáveis.

De acordo com Ana Evangelista, a medida protetiva reconhecida pela Justiça é um dos elementos centrais para solicitar o benefício. A trabalhadora deve apresentar a documentação exigida e pode iniciar o requerimento pelos canais oficiais do INSS, incluindo a central telefônica 135 e o aplicativo ou site Meu INSS.

“Podem ter direito trabalhadoras com carteira assinada, autônomas, microempreendedoras individuais (MEIs) e seguradas especiais. Basta ter a medida protetiva, e não é necessária perícia médica. O requerimento será tratado com sigilo absoluto para evitar a exposição da mulher nesse momento de vulnerabilidade”, explica.

A dirigente ressaltou que o objetivo é oferecer condições financeiras para que a vítima consiga se afastar da situação de violência, buscar proteção e reorganizar a própria vida sem ficar desamparada pela perda de renda. A medida considera que, em muitos casos, a dependência financeira dificulta o rompimento do ciclo de agressões.

Ana esclareceu, porém, que as condições de acesso variam conforme a situação previdenciária da mulher. Para as trabalhadoras vinculadas à Previdência, é necessário observar os critérios de qualidade de segurada e as regras específicas do benefício. Já nos casos de mulheres sem vínculo previdenciário, a possibilidade de recebimento dependerá do enquadramento legal e de determinação judicial, conforme explicou a dirigente.

Perspectivas

Ao comentar as perspectivas para o próximo ano, Ana Evangelista ponderou que a continuidade das políticas depende das decisões do governo que assumirá a Presidência da República. Questionada sobre a possibilidade de um eventual governo de oposição alterar as medidas planejadas, ela afirmou que não é possível prever quais diretrizes serão adotadas.

“Eu posso garantir o que está previsto no programa do governo atual, mas, em relação ao próximo governo, ainda não temos regras definidas. Não está claro qual será a linha adotada”, declarou.

A dirigente também mencionou as discussões sobre possíveis cortes nos gastos públicos, mas afirmou que ainda não há definição sobre quais áreas seriam afetadas. Segundo ela, não é possível afirmar se eventuais ajustes terão impacto sobre a Previdência ou se serão direcionados a outros setores da administração federal.