Correio de Carajás

Prédios do Alto Bonito racham, moradores protestam e clamam por socorro

Moradores do Alto Bonito fecharam a PA-160 em protesto por rachaduras em 10 prédios/ Fotos: Ronaldo Modesto
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Preocupados em serem vítimas de uma tragédia, moradores do Residencial Alto Bonito, localizado na PA-160, em Parauapebas, realizaram nesta quinta-feira, 16, manifestação pedindo solução por parte da Secretaria Municipal de Habitação do Município (Sehab) para os problemas que começam a aparecer nos prédios, entregues há menos de dois anos. Os moradores denunciam que alguns prédios do conjunto habitacional estão com as paredes rachadas.

Com fotos, eles mostram que há rachaduras nas paredes laterais e também no teto dos apartamentos. Os moradores, que realizaram o sonho da casa própria, agora vivem o pesadelo de uma tragédia anunciada.

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Eles dizem que já tinham denunciado o caso para a Sehab, pedindo que fosse feito o levantamento da situação, com uma perícia nos prédios, para saber se existe o risco de desabamento, mas não obtiveram retorno. Por isso, mesmo com chuva, decidiram fazer a manifestação, ocupando as duas pistas da PA-160, em frente ao residencial.

Segundo o presidente da Associação de Moradores do Alto Bonito, Kennedy Modesto, além da Sehab, eles também realizaram o protesto para chamar a atenção da Caixa Econômica Federal (CEF), que gerenciou o projeto, do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. Ele conta que desde quarta-feira, 15, os moradores decidiram se mobilizar e no dia seguinte, por volta de 4 horas, começaram a concentração e as 8 horas fecharam as duas pistas da PA-160. “Nossa reivindicação é que representantes da Caixa Econômica Federal compareçam aqui para tratar desse assunto. O caso aqui está ficando muito sério. Há paredes que estão com rachaduras que a gente enxerga o outro lado e eles dizem que é apenas uma fissura”, denuncia.

Kenedy Modesto alerta que, se um dos prédios cair, vai ser um efeito dominó, já que estão muito perto um do outro. “Vai ser uma tragédia sem tamanho, com muita gente morta. Boa parte dos moradores não dorme mais direito, temendo que o prédio desabe e não dê tempo de saírem. Nós estamos pedindo socorro”, clama o representante dos moradores, dizendo que muita gente está abandonando os apartamentos, temendo pela vida.

Ele aponta que os casos mais críticos são dos blocos 3, 4, 6, 7, 10, 11, 15, 19, 30 e 22. Segundo ele, no Bloco 4 as rachaduras aumentam cada dia e já é possível ver o lado de fora do prédio. “Eles [Sehab] ainda têm coragem de dizer que isso não representa risco para a estrutura do prédio”, reclama Kennedy, observando que muitos moradores querem sair dos prédios rachados, mas não têm para onde ir e nem dinheiro para pagar aluguel.

Com cartazes, moradores denunciam os problemas do Alto Bonito

Os moradores ainda apresentaram outras pautas de reivindicação, como na área de segurança pública, educação e saúde. Ainda pela manhã, o secretário municipal de Habitação, João Eduardo Fontana, esteve no local e se reuniu com representantes da Associação de Moradores no Centro Comunitário do próprio residencial.

Ele explicou as medidas que a serem tomadas e alegou que a responsabilidade no caso das rachaduras é da Caixa Econômica Federal, que é quem precisa cobrar da empresa construtora a solução dos problemas estruturais apresentados nos prédios. “Já encaminhamos ofício à administração da Caixa Econômica e estamos aguardando que enviem técnicos para vistoriar os apartamentos. Tão logo saia o laudo, a Sehab se manifestará em relação às medidas emergenciais que serão tomadas em favor dos moradores para que nenhuma família seja exposta ao risco de um possível desabamento”, assegurou o secretário.

Após a reunião, os moradores encerraram a manifestação. No entanto, prometem fazer novos protestos, se não houver avanços nas reivindicações que estão fazendo. (Tina Santos – com a colaboração de Ronaldo Modesto)

 

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