Correio de Carajás

Pré-sal é descoberto na bacia sedimentar Pará-Maranhão

No Brasil, a descoberta de reservas de pré-sal foi anunciada em 2007, entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina | Divulgação
No Brasil, a descoberta de reservas de pré-sal foi anunciada em 2007, entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina | Divulgação
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Um novo pré-sal foi descoberto na costa oceânica Norte do país, compreendendo os estados do Pará, Maranhão e Amapá: a bacia sedimentar Pará-Maranhão, que possui um dos maiores potenciais para descoberta de petróleo do Brasil. Estudos realizados na região apontam para a probabilidade de extração de 20 a 30 bilhões de barris de petróleo.

As informações constam do levantamento “Um novo ‘Pré-Sal’ no Arco Norte do Território Brasileiro”, de autoria de Allan Kardec Duailibe Barros Filho, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Ronaldo Gomes Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG); e Pedro Victor Zalán, presidente da ZAG Consultoria em Exploração de Petróleo. As análises estão sendo realizadas em águas profundas a cerca de 300 quilômetros da costa maranhense, na margem equatorial do Brasil.

Caso as expectativas se confirmem a perspectiva é de um expressivo desenvolvimento regional, beneficiando os 3 estados que receberiam de receitas diretas (tributos e royalties) e indiretas – desenvolvimento industrial e do setor de serviços, com geração de empregos em decorrência da exploração – que aumentará a geração de energia e proporcionará a industrialização de toda a região. O Estado do Rio de Janeiro, só em 2019, recebeu R$ 3 bilhões em royalties de exploração petrolífera.

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O geólogo Estanislau Luczynski, professor e membro da equipe de petróleo e gás natural da Universidade Federal do Pará (UFPA) e presidente da Associação Profissional dos Geólogos da Amazônia, diz que a bacia está localizada no leste do litoral do Maranhão e no litoral do Pará, indo até a Foz do Amazonas (oeste). “A área é de aproximadamente 48 mil km²”, detalha.

Os primeiros levantamentos ocorreram entre os anos de 1967/1969, sendo que a maioria dos estudos na área se concentrou nos anos 1970/1980. “A descoberta do primeiro poço ocorreu em 1978”, diz Luczynski, que também é mestre e doutor em energia pela Universidade de São Paulo (USP).

O estudo recomenda às autoridades energéticas brasileiras que coloquem os blocos exploratórios da bacia sedimentar Pará-Maranhão nos próximos leilões da ANP. “A exploração e produção desta riqueza traria grandes benefícios para o desenvolvimento nacional e em especial para o estado do Arco Norte do território nacional”, justifica o estudo.

Luczynski prefere não cravar números sobre o potencial da bacia alegando que “qualquer número nos dias atuais não passará de estimativa, mas comparado a bacias similares o potencial é considerável”. Segundo o especialista, as bacias homólogas do lado africano (especialmente em Gana) são grandes produtoras de petróleo. “O petróleo lá encontrado tem qualidade superior ao da Arábia Saudita que costuma ser referência. O da Pará-Maranhão é 44ºAPI (medida que mede a qualidade do petróleo), enquanto o da Arábia Saudita vai de 33ºAPI até 40ºAPI”.

CAPACIDADE

De acordo com Estanislau, quanto mais alto o número, mais leve é o petróleo e maior a capacidade de produção de gasolina. “De um barril de petróleo leve (159 litros) 40% pode ser transformado em gasolina. Já de petróleo pesado (API menor que 25) em média somente 15% de gasolina”, calcula o geólogo, mostrando o potencial do petróleo da costa do Pará-Maranhão.

“A meta é que a bacia entre na 18ª rodada de licitação que ocorre em outubro deste ano. A previsão é que a exploração dure de 5 a 8 anos até que o primeiro barril de petróleo seja produzido”, antecipou, em entrevista para a imprensa do Maranhão, Allan Kardec, professor-doutor do departamento de Engenharia Elétrica da UFMA e que já foi diretor da ANP entre 2008 e 2012.

O Estado do Maranhão foi indicado para entrar na 17ª rodada de licitações de áreas na bacia Pará-Maranhão. Ocorre que os 8 blocos sugeridos para exploração de petróleo foram excluídos da licitação, após parecer do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), indicando suposta inviabilidade ambiental de empreendimento que “imponham riscos de olear a costa do Pará e do Maranhão e o Parcel de Manuel Luís”.

Allan Kardec, também em entrevista para a imprensa do Maranhão, contesta os impeditivos ambientais apontados pelo órgão ambiental federal. Segundo ele, o Parcel estaria em águas rasas, assim como os corais, seres vivos que vivem em águas rasas. “As águas onde será feita a exploração são profundas, de 4 mil, 5 mil metros”.

O professor da UFMA garante que não há no histórico de exploração de petróleo do Brasil um único registro e derramamento de óleo. “O pré-sal está a 5, 7 mil metros de profundidade e quem desenvolveu a tecnologia para esse tipo de exploração tão funda foi a Petrobras. A tecnologia é brasileira. Temos competência para tal”, assegura, para a imprensa do Maranhão.

Para o professor da UFPA ainda são necessários mais estudos para avaliação dos reservatórios, assim como do potencial. “Hoje há uma prevalência de estudos sobre o pré-sal. Então, seria necessária a oferta de blocos na bacia e maiores estudos por empresas vencedoras dos leilões”, diz.

Até 2016 a UFPA manteve uma equipe de petróleo e gás que trabalhava em estreita relação com as empresas de petróleo e com o governo estadual e a Associação Profissional dos Geólogos da Amazônia (APGAM). “Cerca de 80% das informações veiculadas no material dos colegas do Maranhão já havia sido discutida por nós em 2014. Parte foi publicada no Plano Mineral Estadual”. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) informou através de nota que “a responsabilidade pela gestão de exploração petrolífera da Bacia Hidrográfica Pará-Maranhão é do Governo Federal”.

Divulgação

O QUE É O PRÉ-SAL?

As descobertas no pré-sal estão entre as mais importantes em todo o mundo na última década. Essa província é composta por grandes acumulações de óleo leve, de excelente qualidade e com alto valor comercial. Uma realidade que coloca o Brasil numa posição estratégica frente à grande demanda de energia mundial.

Segundo a Petrobras, o pré-sal é uma sequência de rochas sedimentares formadas há mais de 100 milhões de anos, no espaço geográfico criado pela separação dos atuais continentes Americano e Africano. Tecnicamente, é a terceira camada abaixo do nível do mar, sob as camadas de pós-sal e sal.

No Brasil, a descoberta das reservas de pré-sal foi anunciada em 2007. Aqui, a camada se estende ao longo de 800 quilômetros entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina abaixo do leito do nível do mar – a mais de 7 mil metros de profundidade. Além disso, a região também engloba três bacias sedimentares – de Espírito Santo, Campos e Santos.

As descobertas das reservas de pré-sal, em 2007, mudaram as perspectivas da exploração e produção de petróleo e gás no Brasil. O ano de 2017 foi o primeiro em que a produção de petróleo no pré-sal ultrapassou a produção do óleo no pós-sal – a primeira camada abaixo do nível do mar.

Em 2019, de acordo com a estatal, a produção de petróleo no pré-sal alcançou 1,9 milhão de barris por dia. Em contrapartida, a produção de petróleo no pós-sal segue em declínio e registrou a produção de 1 milhão de barris de óleo por dia, no mesmo ano.

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