A pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio disse que perdeu a patente internacional da polilaminina após cortes na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde o composto estava sendo desenvolvido.
— Fizemos a (patente) nacional, depois fizemos a internacional, tudo dentro do prazo, certinho — diz Tatiana em entrevista ao “Conversas com Hildgard Angel”, da TV 247, em 24 de janeiro. — Cortaram recursos da UFRJ, em particular foram muito cortados na época de 2015, 2016 e aí não tinha dinheiro para pagar. Então (…) nós perdemos tudo internacional e ficamos só com a nacional, que eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder — conta.
Ela explica também que uma vez perdida a patente, no caso, por falta de pagamento, nunca mais se recupera. Ou seja, não é possível pedir uma nova patente do mesmo composto.
Leia mais:— Esses cortes tem consequências — diz.
Em relação à patente nacional, Tatiana diz que a patente foi pedida em 2007, quando a equipe de pesquisa se deu conta de que aquilo poderia um dia se tornar um medicamento. Mas que, na época, ainda estava “muito longe de ter um efeito” e dos testes em humanos. A patente só foi concedida em 2025, 18 anos depois. Mesmo assim, a duração é de 20 anos a partir do pedido, então ela expira em 2027.
— Estava bem no início do projeto. Pedimos a patente ali porque foi o momento que nós, grupo de pesquisa, entendemos que aquilo era uma coisa que poderia virar um medicamento. A patente foi concedida em 2025. Foram 18 anos. Então, nós temos. Só que uma patente só dura 20 anos — conta Tatiana.
O que é a polilaminina
A polilaminina começou a ser desenvolvida há 27 anos e é feita à base de uma proteína isolada de placentas chamada laminina. Entre suas funções, está a regeneração dos axônios, estruturas dos neurônios que são danificadas quando ocorre uma lesão na medula espinhal, afetando a comunicação entre o cérebro e os músculos.
Nos testes preliminares, a polilaminina foi avaliada com cães e um grupo de 8 voluntários humanos, tratados entre 2018 e 2021 na fase aguda, até 72 horas após a lesão. A aplicação foi feita diretamente na medula espinhal durante a cirurgia. Os resultados foram variados, com alguns pacientes tendo uma recuperação completa dos movimentos, e outros uma melhora parcial.
Agora, no estudo clínico que está em andamento, liberado pela Anvisa, será utilizada uma formulação de laminina 100 μg/mL injetável que deve ser diluída antes do uso para se obter a polilaminina. Esse processo, chamado de polimerização, liga moléculas menores em uma estrutura maior, aumentando a sua potência. O medicamento será administrado uma única vez de forma intramedular, diretamente na área lesionada.
(Fonte: O Globo)
