📅 Publicado em 18/03/2026 17h31✏️ Atualizado em 18/03/2026 17h34
Uma megaoperação de combate a fraudes em concursos públicos, batizada de “Última Etapa”, culminou na prisão de um Policial Rodoviário Federal (PRF) lotado em Marabá, na manhã desta quarta-feira (18). A ação, coordenada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) da Polícia Civil do Estado do Tocantins, em conjunto com a Polícia Civil do Pará, desarticulou uma sofisticada organização criminosa que atuava em múltiplos estados, especializada em garantir aprovações ilícitas em certames de alta concorrência.
O agente federal, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, é suspeito de ser um dos “pilotos” do esquema – termo utilizado para designar os indivíduos altamente qualificados que eram contratados para realizar as provas no lugar dos candidatos inscritos.
A prisão preventiva foi executada em Marabá com o apoio do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) da Polícia Civil local, como parte de uma ação simultânea que ocorreu também em Pernambuco, Paraíba, Goiás e no Distrito Federal.
Leia mais:
O foco da investigação foi a primeira fase do concurso para a Polícia Militar do Estado do Tocantins (PM/TO), realizada em 15 de junho de 2025. Segundo as apurações da DRACCO, o grupo criminoso cobrava até R$ 50 mil por aprovação, um valor que evidencia a lucratividade e a audácia da organização. O esquema consistia em uma substituição física: no dia do exame, o “piloto” se apresentava com documentos falsos e realizava a prova, garantindo uma pontuação elevada para o contratante do serviço fraudulento.
A estrutura da fraude
A organização criminosa possuía uma estrutura bem definida, com divisão de tarefas que ia desde a captação de candidatos interessados na fraude até a execução das provas pelos “pilotos”. As investigações apontam que o PRF preso em Marabá era uma peça-chave nesse quebra-cabeça, atuando como um dos executores intelectuais do esquema.
Além dele, outros dois “pilotos” foram presos: um agente socioeducativo do Distrito Federal e um ex-policial militar da Paraíba, que já havia sido expulso da corporação por envolvimento em outros crimes.
Completando o quadro de detidos na operação, cinco candidatos que teriam contratado os serviços do grupo também foram alvos de mandados de prisão preventiva. A ação simultânea, deflagrada às 5h30 da manhã (horário de Brasília), visou impedir a comunicação entre os investigados e a destruição de provas, garantindo a eficácia das medidas judiciais expedidas pela 1ª Vara Regional das Garantias da Comarca de Palmas/TO, que autorizou um total de oito prisões e nove mandados de busca e apreensão.
A investigação
O fio da meada que levou à Operação Última Etapa partiu da própria instituição lesada. A Comissão Organizadora do Concurso e a Corregedoria da PM/TO identificaram indícios de irregularidades no certame e comunicaram a Polícia Civil. A partir daí, uma colaboração estreita entre as forças de segurança permitiu o aprofundamento das investigações.
As provas que sustentam a acusação são de natureza técnica e pericial, consideradas robustas pela equipe da DRACCO. Exames de confronto papiloscópico revelaram que as impressões digitais coletadas dos “pilotos” no dia da prova não correspondiam às digitais dos candidatos oficialmente inscritos, que constam em seus registros civis. Da mesma forma, laudos grafotécnicos comprovaram que as assinaturas nos cartões de resposta e em outras etapas do concurso eram divergentes, confirmando a substituição de pessoas.
Relatórios de inteligência policial complementaram o conjunto probatório, mapeando a atuação do grupo e a conexão entre seus membros. “O trabalho investigativo evidenciou um esquema estruturado, com divisão de tarefas e atuação coordenada. A resposta da Polícia Civil demonstra o compromisso com o enfrentamento qualificado às organizações criminosas e com a lisura dos certames públicos”, destacou o delegado Afonso Lyra, diretor da DRACCO.
O sucesso da operação dependeu de uma ampla cooperação interestadual. A Polícia Civil do Tocantins contou com o apoio operacional das polícias do Pará, Pernambuco, Paraíba, Goiás e do Distrito Federal. A Corregedoria da própria Polícia Rodoviária Federal também prestou apoio institucional, reforçando o compromisso da corporação em apurar a conduta de seus membros.
