Correio de Carajás

PM freia avanço de facção de Altamira em Marabá e ação termina com três mortos

Grupo armado teria vindo à cidade para atacar organização rival; confronto ocorreu no núcleo Marabá Pioneira e resultou em prisões, apreensão de armas e drogas

Conforme a polícia, Dom Eliseu e Gabriel fazem parte da organização criminosa que pretendia “tomar o poder” de uma facção rival em Marabá/ Fotos: Divulgação
Por: Luciana Araújo

Três pessoas morreram durante uma operação do Batalhão de Missões Especiais (BME), da Polícia Militar, em Marabá, nesta sexta-feira (16). A ação resultou, ainda, nas prisões de dois adultos e na apreensão de um adolescente de 17 anos. O caso ocorreu na Avenida Magalhães Barata, no núcleo Marabá Pioneira.

De acordo com a PM, ao ser abordado pela força policial, o grupo abriu fogo contra os policiais, que reagiram à ação, culminando nas três mortes.

O grupo integra uma organização criminosa do município de Altamira e veio a Marabá na tentativa de expulsar uma facção rival instalada na cidade. As informações foram repassadas pelo major Teixeira, da PM, em entrevista à reportagem do Correio de Carajás, na sede do BME. A organização de Altamira também estaria diretamente ligada ao massacre ocorrido naquele município em 2019, quando 62 pessoas morreram durante uma rebelião no Centro de Recuperação Regional.

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“Eles vieram para cá com a intenção de ganhar espaço e expulsar a facção que consideram rival. Dois deles que foram apresentados na delegacia (Polícia Civil) relataram à autoridade policial que fariam um ataque hoje à noite”, narra o major Teixeira. Informações da polícia revelam ainda que membros do grupo estavam em Marabá há dois dias.

Major Teixeira: “Dois deles relataram à autoridade policial que fariam um ataque hoje à noite (sexta)”.

Entre os presos, estão Dom Eliseu da Luz Souza, de 19 anos, e Gabriel Santos da Silva, de 18 anos. Entre os mortos, apenas um foi identificado até o momento. Trata-se de Thiago Silva de Sousa.

A OPERAÇÃO

Conforme a polícia, o grupo saiu do Residencial Tiradentes com destino ao núcleo Marabá Pioneira, onde se instalaram em um endereço. “Quando eles chegaram ao imóvel, cometeram uma falha: retiraram o armamento sem cuidado, deixando-o exposto à observação dos moradores”, observou o major.

Testemunhas então entraram em contato com a Polícia Militar e denunciaram o fato. Os policiais do BME foram até o local, mas foram recebidos a tiros ao serem reconhecidos pelo grupo.

Ainda de acordo com o oficial, a equipe militar revidou a agressão, atingindo os três suspeitos que chegaram a ser socorridos e levados ao Hospital Municipal de Marabá (HMM), mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Com o grupo, foram apreendidos uma espingarda Gauge calibre 12, uma pistola calibre 380 e uma pistola Taurus calibre 9mm, além de nove munições calibre 9mm, 32 de calibre 380 e 10 de calibre 12, todas intactas. Também foram encontradas 10,2 gramas de maconha, sete aparelhos celulares e uma balança de precisão.

Ainda conforme o major Teixeira, a Polícia Civil conduz investigações em Pacajá e na região dos lagos, em Tucuruí, sobre a morte de um jovem que pertencia à facção de Altamira. “Eles saíram de lá sob a possibilidade de terem cometido um homicídio e ocultado o cadáver de um companheiro do próprio grupo e vieram para cá para realizar o ataque à facção rival”, finaliza.

Com o grupo, foram apreendidos uma espingarda, duas pistolas e munições

HOMÔNIMOS

Uma tentativa de homicídio registrada na quinta-feira (15), no Residencial Tiradentes, envolveu um homônimo de um dos suspeitos presos na operação desta sexta-feira, Gabriel Santos da Silva.

Até o momento, não foi confirmado pelas autoridades que se trate da mesma pessoa, mas coincidências cercam o caso. Além de ter o mesmo nome, ele residia no bairro de onde o grupo de Altamira partiu em direção ao núcleo Marabá Pioneira.

Conforme relato da Polícia Civil, Gabriel sofreu um atentado após retornar de um “campinho” e foi surpreendido por um indivíduo que teria efetuado múltiplos disparos à queima-roupa, mirando sua cabeça. As informações foram repassadas à polícia pela mãe de Gabriel, em conversa realizada no Hospital Regional de Marabá.