Correio de Carajás

Pesquisas sobre ‘como matar o marido’ levam polícia à suspeita de homicídio em Marabá

A Polícia Civil cumpriu nesta terça mandado de busca e apreensão em endereço ligado à ex da vítima/ Fotos: Divulgação
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 08/01/2026 08h52

Pesquisas na internet sobre “como matar alguém sem deixar pistas” e buscas pelo livro “Como matar o seu marido e outras utilidades domésticas” foram alguns dos elementos que ajudaram a Polícia Civil de Marabá a esclarecer a morte de Manoel Messias Rocha Paixão, motorista de aplicativo assassinado em 2021.

Além desses indícios, na segunda-feira (6), quase cinco anos após o crime, agentes da Delegacia de Homicídios localizaram a suposta arma utilizada e o celular da vítima, que estavam escondidos dentro de uma mala na casa da ex-companheira, Ana Caroline Policárpio de Souza. Ela está em liberdade e é investigada como suspeita pelo crime.

A operação foi realizada no Bairro Amapá em cumprimento a mandado de busca e apreensão. Durante as diligências na residência, situada na Rua do Aeroporto, os policiais encontraram os dois objetos considerados centrais para a investigação e que ligam Ana Caroline à cena do crime. O primeiro foi o celular de Manoel, oculto em uma sacola de roupas dentro de uma mala. De acordo com a Polícia Civil, o aparelho havia sido roubado na noite do assassinato.

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O celular da vítima foi encontrado na casa da suspeita

O segundo item apreendido foi um canivete do tipo “falsa caneta”, que, segundo a polícia, pode ter sido usado para perfurar o pescoço da vítima. Testemunhas relataram às autoridades que o objeto costumava ficar no porta-luvas do carro de Manoel e desapareceu no dia da morte. As informações foram repassadas à imprensa na manhã desta quarta (7) pelo delegado Leandro Benicio, da Delegacia de Homicídios.

INQUÉRITO

Após a análise técnica do material investigado, o álibi da suspeita foi descartado. Embora Ana Caroline tenha negado contato com o ex-marido nos dias que antecederam o crime, o rastreamento do sinal do celular indicou que Manoel esteve na casa dela minutos antes de morrer. Soma-se a isso o fato de o aparelho da vítima ter retornado ao imóvel logo após o homicídio.

O inquérito também apurou que, meses depois, Ana Caroline chegou a tirar fotos com o celular de Manoel, o que indica que esteve com o aparelho durante todo o período.

Ainda no curso das investigações, a polícia identificou que, dias antes do homicídio, Ana Caroline teria utilizado mecanismos de busca para procurar o livro “Como matar seu marido e outras utilidades domésticas”, além de acessar reportagens sobre crimes hediondos.

RELEMBRE O CASO

Manoel Messias Rocha Paixão foi encontrado morto em 10 de maio de 2021, dentro de seu veículo, um Fiat Mobi, na Rua São Luís, no bairro Belo Horizonte.

Manoel foi morto em seu carro, no bairro em que morava

À época, o caso foi tratado como latrocínio, já que o celular e a “caneta-faca” haviam desaparecido. Com o avanço das investigações, a conclusão aponta para um crime passional premeditado, atribuído à então companheira, com quem a vítima estava em processo de separação. (Com informações de Evangelista Rocha e Polícia Civil)