Correio de Carajás

PEGANDO FOGO: Afastamento de prefeito é ato político que incendeia a cidade

As festas juninas já terminaram, mas a pacata cidade de São João do Araguaia, a 50 km de Marabá, está “pegando fogo” e vive clima de tensão nesta sexta-feira, 14. A rua principal estava “entupida” de veículos na manhã de hoje, principalmente às proximidades da Câmara Municipal, onde a cabeça do prefeito João Neto estava “cozinhando em banho-maria” há várias semanas.

Além da quantidade incomum de veículos no centro da cidade, o vai-e-vem de pessoas às proximidades da Câmara anunciava que algo fora do comum estava acontecendo por lá. Para a oposição e os membros da Mesa Diretora, todas as etapas do processo, desde a instalação da Comissão Processante até o afastamento do prefeito, tudo ocorreu dentro da Lei. Mas não é esse o pensamento do advogado Cláudio Correa, que criticou o fato de ter apenas dez minutos na sessão para apresentar os argumentos de seu cliente, o que considerou “cerceamento de defesa”.

A sessão foi longa e estressante. Os discursos repetitivos, porque cada vereador teve direito à palavra num chamado “pequeno expediente”, com cinco minutos, e depois no grande expediente, com dez minutos, e ainda um terceiro momento para votação, em que voltaram a fazer discurso, todos eles com nuances políticas.

Leia mais:

Pelo menos 75% do auditório era favorável à cassação, mas poucos deles residiam na cidade. A maioria foi levada da zona rural para acompanhar o ato legislativo. Praticamente todos os votos estavam encaixotados para um lado e outro. O único que aparentou surpresa foi o do vereador Genival Soares Leal, o Fox, natural do Piauí. Os membros da oposição vibraram de forma efusiva quando Fox anunciou que votaria favorável ao afastamento do prefeito. A partir dali, estava decretada a saída de João Neto por 90 dias, uma vez que o voto do presidente da Câmara era previamente conhecido pela maioria: “sim”.

A Reportagem do Correio de Carajás tentou ter acesso ao Relatório preliminar da Comissão Processante, mas a burocracia dos setores administrativos da Câmara de São João acabou dificultando isso. Até mesmo o presidente da Comissão, Benedito Iveley, tratou o caso com morosidade.

Prefeito inocente

O advogado Cláudio Correa, nos seus dez minutos na tribuna da Câmara, argumentou como pode para evitar o afastamento de João Neto. Lembrou que ele está no cargo desde 2013 e disse que todas essas denúncias foram feitas ao Tribunal de Contas dos Municípios e Ministério Público Estadual, tendo sido arquivadas. “Em quatro anos e meio o MP nunca abriu uma ação civil pública contra o prefeito. Todas as licitações que foram feitas enviamos edital para o Ministério Público. As licitações são abertas, alguns de vocês, vereadores, já viram como funcionam e pediram para que mandássemos todas as licitações para e fizemos isso. Esse governo tem sido absolutamente transparente”.

Frederico Nogueira, também advogado, representava a defesa das empresas que estavam sendo acusadas de inexistentes. Lamentou que seu pedido para usar a tribuna não tivesse sido atendido como deveria, mas depois acabou expondo seus argumentos e garantiu que as duas empresas são idôneas e que prestam serviços para outras prefeituras da região, como Marabá e São Domingos do Araguaia.

Mas os argumentos de ambos não convenceram os seis vereadores que votaram contra o afastamento do prefeito João Neto.

Sem confrontos

Com a presença de policiais militares, até mesmo do Grupamento Tático Operacional, não houve tumultos na cidade entre os grupos antagônicos. Mas tão logo acabou a votação, pipocaram foguetes em vários pontos da cidade.

Abaixo desta notícia, veja galeria de fotos de moradores de São João que estavam no Plenário. Com a longa sessão, muitos já estavam cansados e outros tensos. (Ulisses Pompeu)

As festas juninas já terminaram, mas a pacata cidade de São João do Araguaia, a 50 km de Marabá, está “pegando fogo” e vive clima de tensão nesta sexta-feira, 14. A rua principal estava “entupida” de veículos na manhã de hoje, principalmente às proximidades da Câmara Municipal, onde a cabeça do prefeito João Neto estava “cozinhando em banho-maria” há várias semanas.

Além da quantidade incomum de veículos no centro da cidade, o vai-e-vem de pessoas às proximidades da Câmara anunciava que algo fora do comum estava acontecendo por lá. Para a oposição e os membros da Mesa Diretora, todas as etapas do processo, desde a instalação da Comissão Processante até o afastamento do prefeito, tudo ocorreu dentro da Lei. Mas não é esse o pensamento do advogado Cláudio Correa, que criticou o fato de ter apenas dez minutos na sessão para apresentar os argumentos de seu cliente, o que considerou “cerceamento de defesa”.

A sessão foi longa e estressante. Os discursos repetitivos, porque cada vereador teve direito à palavra num chamado “pequeno expediente”, com cinco minutos, e depois no grande expediente, com dez minutos, e ainda um terceiro momento para votação, em que voltaram a fazer discurso, todos eles com nuances políticas.

Pelo menos 75% do auditório era favorável à cassação, mas poucos deles residiam na cidade. A maioria foi levada da zona rural para acompanhar o ato legislativo. Praticamente todos os votos estavam encaixotados para um lado e outro. O único que aparentou surpresa foi o do vereador Genival Soares Leal, o Fox, natural do Piauí. Os membros da oposição vibraram de forma efusiva quando Fox anunciou que votaria favorável ao afastamento do prefeito. A partir dali, estava decretada a saída de João Neto por 90 dias, uma vez que o voto do presidente da Câmara era previamente conhecido pela maioria: “sim”.

A Reportagem do Correio de Carajás tentou ter acesso ao Relatório preliminar da Comissão Processante, mas a burocracia dos setores administrativos da Câmara de São João acabou dificultando isso. Até mesmo o presidente da Comissão, Benedito Iveley, tratou o caso com morosidade.

Prefeito inocente

O advogado Cláudio Correa, nos seus dez minutos na tribuna da Câmara, argumentou como pode para evitar o afastamento de João Neto. Lembrou que ele está no cargo desde 2013 e disse que todas essas denúncias foram feitas ao Tribunal de Contas dos Municípios e Ministério Público Estadual, tendo sido arquivadas. “Em quatro anos e meio o MP nunca abriu uma ação civil pública contra o prefeito. Todas as licitações que foram feitas enviamos edital para o Ministério Público. As licitações são abertas, alguns de vocês, vereadores, já viram como funcionam e pediram para que mandássemos todas as licitações para e fizemos isso. Esse governo tem sido absolutamente transparente”.

Frederico Nogueira, também advogado, representava a defesa das empresas que estavam sendo acusadas de inexistentes. Lamentou que seu pedido para usar a tribuna não tivesse sido atendido como deveria, mas depois acabou expondo seus argumentos e garantiu que as duas empresas são idôneas e que prestam serviços para outras prefeituras da região, como Marabá e São Domingos do Araguaia.

Mas os argumentos de ambos não convenceram os seis vereadores que votaram contra o afastamento do prefeito João Neto.

Sem confrontos

Com a presença de policiais militares, até mesmo do Grupamento Tático Operacional, não houve tumultos na cidade entre os grupos antagônicos. Mas tão logo acabou a votação, pipocaram foguetes em vários pontos da cidade.

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