Correio de Carajás

Parauapebas: Dados mostram crescimento de casos de Leishmaniose

Casos da doença cresceram em Parauapebas / Fotos: DVS
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Os dados divulgados pelo Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), da Secretaria Municipal de Saúde de Parauapebas (Semsa), mostram o crescimento dos casos de Leishmaniose no município nos últimos cinco anos. Segundo os dados, nos últimos dois anos (2017/2018), houve um salto dos casos da doença, que levaram o município a adotar medidas intensivas de combate à doença, como mutirões, que foram realizados na zona urbana e rural de Parauapebas.  

De acordo com um boletim informativo divulgado pelo departamento, os casos de leishmaniose no município vêm se comportando numa tendência similar à encontrada no restante do País, ocorrendo em ambos os sexos e em todas as faixas etárias. A Leishmaniose Tegumentar (LT) predomina em indivíduos do sexo masculino com idade entre 20 e 49 anos, pessoas consideradas economicamente ativas que, em sua maioria, exercem atividades laborais em projetos de exploração mineral na região, sendo este um dos fenômenos que facilitam a transmissão da doença, uma vez que seu espaço ecológico foi alterado.

Conforme o DVS, mesmo com a quantidade de casos considerada elevada em 2018, a ocorrência de LT apresentou pequena redução comparada ao ano de 2017, mostrando que as ações de controle estão sendo realizadas de maneira efetiva. Já a Leishmaniose Visceral (LV) é mais frequente em crianças, sendo a maioria dos casos registrada entre 5 e 9 anos de idade.

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O DVS aponta que a razão da maior suscetibilidade das crianças é explicada pelo estado de baixa imunidade, agravado ainda pela desnutrição comumente encontrada em áreas endêmicas da doença. O número de casos de LV aumentou significativamente em 2018 representando o ano com o maior registro de casos da doença desde 2013, o que evidencia a presença cada vez mais regular do inseto flebotomíneo nos bairros da cidade, conforme os dados apresentados no relatório de investigação entomológica.

Segundo o boletim do DVS, áreas de ocupação próximas às matas, destinação inadequada de lixo, criação indiscriminada de animais e, mais uma vez, a exploração mineral estão entre os diversos fatores que promovem esta elevada incidência de casos de leishmaniose em Parauapebas. Visando reduzir a prevalência das Leishmanioses, a Secretaria Municipal de Saúde está implantando a Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ).

A unidade é vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e será responsável pela execução das ações e estratégias referentes a vigilância, prevenção e controle das zoonoses de relevância para a saúde pública previstas nos Planos de Saúde e Programações Anuais de Saúde.

Mutirão de combate a Leishmaniose em 2018

Levando-se em consideração o elevado número de casos de leishmaniose em humanos no início de 2018, a Direção de Vigilância em Saúde, representada pelas Coordenações de Vigilância Ambiental e Vigilância Epidemiológica, em parceria com as seguintes Secretarias Municipais: de Urbanismo (SEMURB), de Obras (SEMOB), de Educação (SEMED), de Produção Rural (SEMPROR), de Meio Ambiente (SEMMA) e a Assessoria de Comunicação (ASCOM), deram início ao Mutirão de Combate  à Leishmaniose como medida de controle da doença no município.

O mutirão teve a contribuição de aproximadamente 150 pessoas, entre elas Agente de Combate às Endemias (ACE), Agente Comunitário de Saúde (ACS), Agentes de Educação Ambiental, Agentes de Serviços Gerais, médicos veterinários, além de Líderes de Bairros e Ongs protetoras de animais.

Nas ações foram realizadas palestras abordando a forma de prevenção à doença e combate ao vetor; poda de árvores; limpeza das ruas e recolhimento de entulhos; avaliação médica veterinária; testes rápidos caninos; encaminhamento de material biológico para exames de leishmaniose visceral canina ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) e Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém; acompanhamento de animais suspeitos de LV canina; aplicação de repelente nos animais.

Conforme Relatório das Ações Realizadas no Mutirão de Combate à Leishmaniose, de junho a novembro de 2018 foram atendidos 9.250 animais em 29 bairros da zona urbana e 11 bairros da zona rural.

Casos de Leishmaniose Visceral

Parauapebas confirmou 73 casos de leishmaniose visceral em 2018, com incidência de 35,98 casos/100.000 habitantes, sendo o maior número de casos de LV registrados desde o ano de 2013. Em 2018, a faixa etária mais cometida foi a de 5 a 9 anos de idade, com 31,51% dos casos.

Dos 73 casos confirmados em 2018, sete ocorreram no bairro Palmares II, seis no bairro Da Paz e seis no bairro Betânia. Em 2018 foram confirmados 2 óbitos por LV, com taxa de letalidade de 2,74% (2/73). Em 2017 ocorreu um óbito com taxa de letalidade de 7,14% (1/14).

De acordo com DVS, por apresentarem o sistema imunológico imaturo, as crianças são mais suscetíveis à infecção pelo protozoário. Os homens predominam em 67,12% dos casos.

Casos de Leishmaniose Tegumentar

Foram confirmados 101 casos no ano de 2018, com taxa de incidência de 49,78/100.000 habitantes, apresentando redução pouco significativa comparada ao ano de 2017 (104 casos). Em anos anteriores, verifica-se aumento gradativo de 2013 a 2015, passando de 94 casos (2013) para 151 casos (2015), com incidência de 79,51/100.000 habitantes, a maior registrada no período.

Quanto ao sexo dos indivíduos acometidos pela doença, destaca-se o sexo masculino com 87,13% dos casos em 2018, em sua maioria representada por trabalhadores que exercem atividades laborais em projetos de exploração mineral na Serra dos Carajás, ou por agricultores. O mesmo perfil foi observado em 2017, onde os homens representam 87,50% dos casos.

Analisando a distribuição espacial dos 101 casos ocorridos em 2018, percebe-se que a zona rural e o bairro Cidade Jardim aparecem como o endereço do maior número de casos registrados, com 12,87% cada. Por serem localidades próximas à região de mata, essas áreas são mais suscetíveis à multiplicação do mosquito palha, transmissor da doença. (Tina Santos – com informações da DVS)

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