Correio de Carajás

Pará orienta famílias atípicas sobre cuidados em viagens durante o Carnaval

Cepa/Sespa dá dicas para famílias de pessoas com TEA aproveitarem o Carnaval no Pará com tranquilidade, evitando estresse em viagens e festas.

Cordão estampado com padrão de quebra-cabeça colorido e a palavra "Autismo".
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

O período de Carnaval é uma oportunidade para viajar pelo Pará e conhecer as festas, atrações e balneários do Estado. Mas este deslocamento – seja de carro, barco ou avião – pode ser estressante para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Para que esta jornada seja mais tranquila, a Coordenação Estadual de Políticas para Autismo (Cepa) da Secretaria de Saúde do Estado (Sespa) orienta as famílias sobre como proceder nessas situações.

“Muitas pessoas que estão no espectro autista têm dificuldade em lidar com mudanças na rotina, por isso a família precisa ajudar na regulação e no enfrentamento das situações que ocorrem durante a viagem. Com a preparação adequada é possível minimizar as frustrações e tornar o passeio mais agradável para toda família”, disse a coordenadora da Cepa, Brenda Maradei.

Preparativos essenciais – Antes da viagem é importante estabelecer o diálogo, assegurando que a jornada não seja uma surpresa para a pessoa no espectro autista, já que a previsibilidade e a rotina são muito importantes para as pessoas nessa condição.
Explicar para onde a família vai, quando vai, como será o passeio vai tornar a experiência mais envolvente e interessante, então recursos visuais e narrativos também podem ser um apoio importante nesta etapa de preparação: para não gerar ansiedade você pode mostrar fotos e vídeos do local, contar histórias sobre o destino escolhido – se a família for visitar parentes que vivem em outra cidade, os pais podem compartilhar suas memórias envolvendo aquelas pessoas e o lugar onde vivem.

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“É sempre bom você ter um planejamento desta viagem, criando um roteiro e tendo um cronograma que essa criança possa visualizar. Seria bom ter vídeos de locais que ela vai visitar, dos eventos que vai participar, dando esta previsibilidade para a criança. Falar do local, do trajeto – se for um trajeto muito longo, que ela possa ter um conforto de algum objeto dela, brinquedos sensoriais e até mesmo abafador para evitar o desconforto”, explica Cleiciane Monteiro, fonoaudióloga da Cepa.

Outra dica valiosa é preparar uma bagagem com itens que auxiliem a regulação sensorial como fones, abafadores de ruído, óculos escuros que protejam de luzes brilhantes e bonés para reduzir os efeitos da claridade excessiva. “Brinquedos sensoriais como spinners e massinhas de modelar, objetos de conforto como cobertores, travesseiros e bichos de pelúcia também auxiliam na regulação nestes momentos em que a criança se vê num espaço delimitado, como um carro, por um longo período de tempo. Fora os itens principais, você pode também adequar a vestimenta, dando preferência a roupas macias, respiráveis e confortáveis para aquele trajeto”, detalha Cleiciane.

Durante a viagem – Para que a viagem possa ser aproveitada por todos, os passeios devem ser pensados de modo a incluir a pessoa no espectro autista e acomodar as suas necessidades – na época do Carnaval, isso significa evitar aglomerações e locais muito barulhentos, que possam desencadear crises pelo excesso de estímulo.

É importante permitir com que crianças e adultos que estão no espectro autista usem roupas confortáveis, e este cuidado deve ser redobrado no Carnaval, já que muitas fantasias têm tecidos e adereços que podem incomodar. Essa preocupação não deve se limitar ao tato, já que alguns materiais usados em adereços e roupas de Carnaval também podem fazer barulhos e até mesmo ter cheiros que incomodam as pessoas no espectro autista.

A alimentação também exige atenção especial. Convém levar lanches de casa, dando uma opção de comida que seja conhecida e considerada segura. “Você até pode oferecer uma comida nova, mas precisa respeitar se a pessoa não se sentir confortável para experimentar algo que seja muito diferente daquilo que ela está acostumada”, explica a coordenadora.

Respeito e paciência – Com esses cuidados especiais, a família atípica poderá aproveitar o Carnaval com tranquilidade e alegria, lembrando sempre que, assim como em todas as ocasiões, a paciência, o respeito e o amor devem balizar o relacionamento familiar – seja a família atípica ou não. “Isso é um conselho que vale para todas as ocasiões: entendendo a importância da rotina, tendo paciência e respeitando os limites, o Carnaval poderá ser aproveitado por toda família”, conclui Brenda.

(Agência Pará)