A corrida pelo Oscar de 2027 pode registrar um feito inédito: pela primeira vez na história da premiação, mãe e filha podem acabar concorrendo na mesma categoria de atuação. A atriz britânica Samantha Morton, de 49 anos, e sua filha, Esmé Creed-Miles, de 26, aparecem entre os nomes cotados à indicação de melhor atriz coadjuvante. A primeira ganhou destaque por interpretar a deusa e feiticeira Circe em “A Odisseia”, de Christopher Nolan, enquanto a segunda chama a atenção por protagonizar uma nova adaptação de “Razão e Sensibilidade”, romance de Jane Austen.
A possibilidade depende das escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pelas indicações. Segundo a revista “Vanity Fair”, Morton está entre as favoritas à disputa, ao lado de Anne Hathaway, sua colega em “A Odisseia”, e da espanhola Penélope Cruz. Creed-Miles, por sua vez, vem ganhando espaço nas previsões após a recepção positiva de seu trabalho no novo filme.
Caso as duas sejam indicadas na categoria de atriz coadjuvante, poderão disputar diretamente a mesma estatueta, em um episódio sem precedentes nas quase 100 edições do Oscar.
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Filha assume papel de Kate Winslet
Dirigida por Georgia Oakley, a nova versão de “Razão e Sensibilidade” chegou aos cinemas dos Estados Unidos e tem estreia prevista na Espanha para este fim de semana. Esmé Creed-Miles interpreta Marianne Dashwood, enquanto Daisy Edgar-Jones vive sua irmã, Elinor.
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Os papéis foram interpretados anteriormente por Kate Winslet e Emma Thompson na adaptação de 1995, dirigida por Ang Lee. Na ocasião, Thompson recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz por seu trabalho como Elinor, enquanto Winslet concorreu na categoria de melhor atriz coadjuvante por Marianne.
O filme de 1995 recebeu sete indicações à premiação, um antecedente que alimenta as expectativas em torno da nova produção. Outra adaptação de uma obra de Jane Austen, “Orgulho e Preconceito”, de 2005, também teve reconhecimento da Academia, com quatro indicações. Kate Winslet e Keira Knightley, protagonista do segundo longa, foram indicadas ao Oscar por seus respectivos trabalhos em adaptações de Austen ainda jovens.
A produção de Oakley, conhecida por dirigir “Blue Jean”, não passou pelo circuito de festivais antes de chegar aos cinemas, o que dificultou uma avaliação prévia de sua repercussão na temporada de prêmios. Apesar disso, as primeiras avaliações da crítica foram positivas, segundo a “Vanity Fair”.
Samantha Morton voltou aos prognósticos após “A Odisseia”
A possível indicação de Morton representa uma nova oportunidade de reconhecimento para uma atriz que já concorreu duas vezes ao Oscar. Ela foi indicada por “Acordes e Desacordos” e “Em América”, ambos há mais de duas décadas.
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Sua atuação como Circe em “A Odisseia” voltou a colocá-la em evidência na indústria cinematográfica. Ainda assim, a própria atriz relatou dificuldades para conseguir novos trabalhos, mesmo após participar do longa de Nolan.
— Estou há um ano sem trabalhar desde que fiz “A Odisseia”. Embora tenha agentes muito bons e um representante, no fim das contas tenho 49 anos. Acho que sou uma boa atriz, mas há outras boas atrizes por aí. A dinâmica da indústria mudou muito — afirmou Morton, em entrevista ao podcast “Happy Sad Confused”.
A atriz também enfrentou um grave problema de saúde em 2006, quando sofreu um acidente doméstico e, posteriormente, um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, sua trajetória foi marcada por períodos de menor presença nas grandes produções de Hollywood.
Na disputa pela indicação, Anne Hathaway aparece à frente de Morton nas previsões citadas pela revista. Penélope Cruz também figura entre as favoritas e pode ter uma oportunidade adicional de fazer história: após uma mudança nas regras da Academia, a atriz espanhola poderá concorrer duas vezes na mesma categoria, por seus trabalhos em “La bola negra” e “La invitación”.
Laura Dern e Diane Ladd são o precedente mais próximo
O caso mais semelhante ao possível encontro entre Morton e Creed-Miles ocorreu em 1991, quando Laura Dern e sua mãe, Diane Ladd, foram indicadas ao Oscar por “O Preço da Ambição”. As duas, no entanto, concorreram em categorias diferentes: Dern disputou a estatueta de melhor atriz, enquanto Ladd foi indicada como atriz coadjuvante.
Por isso, uma eventual disputa entre Morton e Creed-Miles seria inédita na história da premiação, ao colocar mãe e filha frente a frente na mesma categoria de atuação.
Nascida em Londres, em 2000, Esmé é filha de Samantha Morton e do ator Charlie Creed-Miles. Seus pais se separaram antes de seu nascimento, mas a jovem atriz dividiu a tela com a mãe ainda na infância. Aos sete anos, estreou no cinema em “Mister Lonely” (2007), no qual interpretou uma imitadora de Shirley Temple. Morton, por sua vez, viveu uma sósia de Marilyn Monroe.
(Fonte:O Globo)
