📅 Publicado em 06/11/2026 18h31
Funcionários de serviço nos pátios do complexo de mineração S11D, em Canaã dos Carajás, registraram, em duas noites seguidas esta semana, felinos de grande porte transitando bem próximo da área industrial. Esse tipo de ocorrência não é inédita naquele projeto, mas chamou a atenção o tamanho dos animais e a proximidade com locais que têm grande movimento de trabalhadores.
A primeira das duas ocorrências foi na noite de quarta-feira (4), quando foi avistada uma onça-pintada atravessando um pátio. A pessoa que fez o registro estava há poucos metros do animal. Ao fundo se veem estruturas industriais iluminadas.
A segunda foi na quinta-feira (5), desta vez uma onça-preta caminhando sozinha por uma estrada, mas claramente numa área similar a da noite anterior, com estruturas ao fundo. Há um ônibus estacionado à direita e partes de veículos à esquerda.
Leia mais:
“Noite passada foi a onça-pintada e essa noite a onça-preta. E não, não é IA. As fotos são reais. Estamos no meio da Amazônia e elas estão circulando na área da obra. O risco é real. Não se aproximem, não tentem tirar foto de perto e não andem sozinhos à noite. Vamos manter a guarda alta e respeitar o território delas”, postou um funcionário da Vale juntamente com as imagens nas redes sociais.
As duas onças parecem adultas, o que fica expresso no corpo alongado e musculatura bem formada. Felinos assim, maduros, podem chegar a pesar 70 kg.
OCORRÊNCIA ROTINEIRA
No complexo de minas de ferro S11D, em Canaã dos Carajás, a convivência entre a atividade minerária e a fauna silvestre chama a atenção de quem circula pela área.
Quem passa um dia no local observa grande diversidade de animais. Antas e capivaras são vistas com frequência, estas últimas em grupos que chegam a trinta ou quarenta indivíduos. Também são comuns coatis e macacos. Espécies ameaçadas de extinção em outras regiões, como a arara-azul, encontram no entorno da mina um polo de reprodução.
As onças-pintadas e onças-pretas também são registradas com regularidade nos arredores. Até 2024, trabalhadores relatavam cinco ou seis avistamentos por noite. Os animais costumam circular pelas bordas da área, entre a vegetação nativa e os trechos de supressão vegetal, e evitam as zonas centrais da mina, que funcionam como campo aberto.
Apesar de não serem domesticadas, as onças demonstram pouca reticência em se aproximar de depósitos de resíduos. Segundo uma fonte do Correio, elas vasculham os depósitos intermediários de lixo, atraídas pelo cheiro, e eventualmente mexem em resíduos deixados perto de cabanas e tendas usadas por equipes de roço ou prospecção. Pegadas são encontradas nesses locais, mas não há registro de ataques a pessoas.
Segundo relatos de quem trabalha na área, as onças não consideram o ser humano como presa habitual. O comportamento se assemelha ao de tubarões: o animal age por instinto se sentir ameaçado ou se a pessoa adotar atitude inadequada.
O QUE DIZ A VALE
O Correio enviou pedido de informações à Vale, por meio da sua assessoria e questionou, entre outras coisas, se ela confirmava a ocorrência das últimas duas noites. A resposta da mineradora foi por nota:
“Não há registro de avistamentos ou acidentes envolvendo onças nas operações da Vale em Serra Sul (S11D). A unidade está inserida na Floresta Nacional de Carajás, habitat natural de animais silvestres. A empresa monitora a fauna de forma contínua e orienta os empregados sobre os procedimentos de segurança, como evitar andar sozinho próximo a áreas de vegetação e, à noite, deslocar-se apenas em veículos”.
