Correio de Carajás

O amor por Maria que nasceu na infância e cresceu com a maternidade

A devoção cultivada desde menina acompanha Rosilene Padinha na criação dos filhos, na participação no Círio de Nazaré e nas orações por outras famílias

Rosilene Padilha: “Ela é a mãe de Jesus e também a nossa mãe”/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 14/10/2026 10h44

Quando ainda era uma menina que andava pelas ruas de Bragança, Rosilene Padilha, de 66 anos, descobriu a devoção à Virgem Maria. O ensinamento veio da mãe e foi fortalecido pela convivência de Rose (como é conhecida), com Dom Eliseu Maria Coroli.

“Aprendi a gostar de Maria como a mãe de Jesus. Aquela que não nos abandona, que sempre tá do nosso lado. Amá-la e admirá-la a cada dia”.

Os anos de vida deram a ela, que atualmente trabalha na Diretoria Regional de Ensino de Marabá, novos significados em sua caminhada religiosa. Especialmente depois que se tornou mãe e enfrentou grandes provações.

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E foi através da maternidade que Rose passou a compreender a relação entre Maria e Jesus de maneira profunda. Ao observar os exemplos da mãe de Cristo, ela procura encontrar referências para a própria vida e para a criação dos filhos.

“Quando a gente se torna mãe, percebe que o amor pode ser muito mais profundo. Aí a gente fica imaginando: como é que Maria cuidava de Jesus? Como ela teve essa graça? A gente não chega aos pés dela, mas queremos seguir esse caminho porque ela nos direciona para Jesus”.

RELAÇÃO COM A FILHA

Rose conta que um dos momentos em que mais se apegou à fé ocorreu em 2019, quando a filha sofreu um acidente. Na época, ela estava em Bragança e a filha em outro estado. Diante da distância e da dificuldade de estar presente fisicamente, ela encontrou nas orações uma forma de enfrentar a situação.

“Foi com Maria que eu me segurei. Era nela que eu me segurava para que me desse força e conseguisse superar aquela dificuldade, porque eu estava distante da minha filha”, compartilha.

Naquele período, a devota diz que entregava a situação a Jesus e a Nossa Senhora, pedindo proteção para sua menina. A experiência renovou sua confiança na fé como fonte de força nos momentos de angústia.

Com sua fé renovada e fortificada por essa experiência, hoje ela percebe com facilidade que a presença de Maria não está só nos momentos de oração, mas em diferentes aspectos de sua rotina. Seja no trabalho, dentro de casa, na igreja. Nos momentos de alegria, e também nos de tristeza. Uma relação que também a aproxima de Jesus.

 “Maria não quer atenção para ela. Ela quer atenção do filho”, afirma.

Para Rosilene, a procissão do Círio de Nazaré evoca uma emoção que não se explica

NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

Embora tenha devoção a diferentes representações de Maria, como Nossa Senhora de La Salette, padroeira do movimento ‘Mães que Oram pelos Filhos’, o qual faz parte, Rosilene destaca sua ligação com Nossa Senhora de Nazaré.

A relação, construída desde a infância, se fortaleceu com a vivência do Círio de Nazaré. Para ela, acompanhar a peregrinação de Nazinha ou esperar sua passagem durante a procissão é uma experiência única.

“Nossa Senhora de Nazaré é uma coisa tão forte que, quando ela está na peregrinação, quando a gente está aguardando ela chegar, ou em algum ponto no dia do Círio, a emoção não tem jeito. A gente não consegue segurar”.

Quando fala sobre o que sente nesses momentos, Rosilene resume a experiência em três palavras: gratidão, amor e fé. Ela diz acreditar que Maria está sempre ao seu lado e não abandona seus devotos.

MÃES QUE ORAM

A devoção também faz parte da atuação de Rosilene no movimento ‘Mães que Oram pelos Filhos’. Segundo ela, a proposta não se limita às orações pelos próprios rebentos, mas inclui outras famílias e os integrantes do clero católico, dos padres ao papa.

Ao explicar a importância de Nossa Senhora de La Salette para o movimento, ela destaca a mensagem de fortalecer as orações e manter o compromisso de rezar por outras pessoas.

Para ela, esse compromisso representa um dos principais ensinamentos da devoção: ampliar o cuidado para além da própria família e incluir outras pessoas nas orações.

Foi o que ela fez dentro de casa.

Rosilene tem um casal de filhos, hoje adultos, que foram apresentados à devoção mariana ainda pequenos. Ela conta que a oração fazia parte da rotina da família, inclusive antes de dormir.

Ela lembra que quando o filho mais velho era apenas um menino, ele pediu a Deus por um irmãozinho. Assim ela o orientou a fazer o pedido ao Papai do Céu, acompanhado de suas orações a Nossa Senhora. A benção foi concedida e ela engravidou de uma menina.

De tão grata e abençoada, ao falar sobre como gostaria que as pessoas enxergassem Maria, Rosilene defende que sua importância seja compreendida a partir da fé cristã: “Ela é a mãe de Jesus e também a nossa mãe”.

Para Rosilene, seguir os exemplos de Maria significa manter a fé diante das dificuldades e buscar uma aproximação cada vez maior com Jesus. É nessa relação, construída desde a infância e fortalecida pela maternidade, que ela encontra motivos para agradecer e continuar rezando.