Correio de Carajás

Número de mulheres mortas aumenta no Pará

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As mulheres estão morrendo mais no Estado do Pará. Os dados presentes no 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e uma das principais fontes de dados do setor no país, divulgado ontem (segunda), apontam crescimento nos índices relativos a elas entre 2015 e 2016. O estado atinge a quarta colocação dentre os que registraram maiores aumentos no país.

No primeiro ano registrou-se, segundo o levantamento, 230 mortes desta natureza, enquanto no ano seguinte foram mais 277. Dentre estes casos, houve aumento também dos casos de feminicídios, uma qualificadora para homicídio motivado por questões de gênero, como violência doméstica, por exemplo.  Dentre os assassinatos de mulheres, 24 foram consideradas feminicídios em 2015. No ano seguinte esse número saltou para 43.  A proporção de feminicídios em relação aos crimes violentos letais intencionais de mulheres foi de 15,5% em 2016, contra 10,4% no ano anterior.

No Pará há 16 delegacias especializadas no atendimento à mulher e o estudo avaliou também a opinião dos profissionais que atuam nestas unidades. Quando questionados se acreditam que a delegacia na qual trabalham é suficiente ou insuficiente para atender à demanda da população local, a nota foi 4 para suficiente e 8 para insuficiente.

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A serem questionados se já receberam treinamento para atender especificamente mulheres vítimas de violência, o índice de resposta foi 6 para sim e 6 para não. A opinião acerca do que mais dificulta o atendimento às mulheres vítimas de violência na delegacia apontou que a falta de pessoal é o maior problema, seguido de falta de treinamento periódico, falta de integração com outros órgãos e falta de equipamentos para o trabalho.

Também se registrou aumento nos casos de estupro consumados. Foram 2.751 em 2015 e 3.002 em 2016, uma variação de 7,8%. As tentativas apresentaram queda, de 177 para 176, apenas 1,7%.

MAIS MORTES

O estudo traz ainda índices de várias outras questões. As mortes violentas intencionais no estado aumentaram de 3.772 para 4.209 entre 2015 e 2016, uma variação de 10,3%. As mortes decorrentes de intervenção policial – em serviço e fora de serviço – também aumentaram de 193 para 282. Os policiais também estão morrendo mais em horário de trabalho. No primeiro ano foram quatro policiais mortos trabalhando em serviço e 21 fora de serviço. No ano seguinte o número de policiais mortos fora de serviço diminuiu para 11, mas os que estavam fardados aumentou para seis.

Dentre os homicídios dolosos em geral houve pequena diminuição, de 15 mortes. Em 2015 foram registradas 3.365 contra 3.650 em 2016. Os latrocínios – roubos seguidos de mortes -, no entanto, aumentaram, sendo registrados 191 latrocínios no primeiro ano contra 224 no seguinte. Também foram registradas 23 lesões corporais seguidas de morte em 2015 contra 53 em 2016. Os suicídios, por sua vez, tiveram sensível diminuição. Em 2015 foram registrados 270, enquanto em 2016 foram 269, um a menos. Já as mortes ainda não esclarecidas aumentaram de 167 para 308.

O Pará deu um salto nem relação às pessoas desaparecidas no território, de 1.267 em 2007 para 2.371 em 2015. O número para o ano de 2016 não foi revelado. Antes de 2015, em 2012, no entanto, foi quando se registrou a maior quantidade de pessoas desaparecidas: 2.979.

CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO

Os casos de crimes contra o patrimônio também tiveram aumento significativo nos índices. Enquanto em 2015 foram roubados 5.643 veículos, no ano seguinte foram registrados 6.818 casos. Os furtos passaram de 2.718 para 3.709 e os registros por roubo/furto pularam de 8.361 para 10.527. Os roubos em instituições financeiras diminuíram de 24 para 18, mas os de cargas subiram de 147 para 194. Os registros de roubos em geral aumentaram de 119.005 para 125.804, com uma das maiores taxas nacionais, alcançando 1.520,7 a cada 100 mil habitantes no ano passado.

Percebeu-se uma queda nos casos de tráfico de drogas, de 4.895 casos em 2015 para 4.088 em 2016, assim como no uso e posse de substâncias proibidas, de 2.558 para 2.155. O porte ilegal de arma de fogo, por outro lado, aumentou de 2.246 para 2.339. Em relação às penas privativas de liberdade para adolescentes em conflitos com a lei, o Anuário afirma que o Pará mantinha internados 237 em 2015 e 214 em 2016.

Destes, no primeiro ano havia 84 em internação provisória e em 2015 havia 105. Em semiliberdade eram 48 no primeiro ano e 41 no segundo. No total, estavam cumprindo pena 369 em 2015 e 360 em 2016. No último ano, a maior parte deles (197) estavam internados por roubo. Em seguida, os atos que mais aparecem são homicídio (76), tráfico (24), e tentativa de estupro (14).

MENOS DINHEIRO, MAIS VIOLÊNCIA

Apesar dos altos índices de criminalidade, o Pará está investindo menos em Segurança Pública. Em 2015 foram R$ 179.185.508,20 para o policiamento contra R$ 148.940.419,71 em 2016, ou seja, 16,9% a menos. O que mais chama a atenção é a diminuição dos recursos para as áreas de informação e inteligência. De R$ 42.527.294,79 investidos em 2015, o valor caiu para R$ 6.572.104,53 em 2016, uma diminuição de 84,55%. Por outro lado, a Defesa Civil recebeu maior investimento, passando de R$ 9.919.186,77 em 2015 para R$ 12.397.077,96 em 2016, somando 24,98% a mais.

SEGUP CRITICA O LEVANTAMENTO

Procurada pelo Correio de Carajás, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social critica o ranking criado a partir dos números. Confira a nota, na íntegra:

“A Segup reconhece a importância do estudo desenvolvido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, por intermédio do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Contudo, critica o ranking criado a partir dos números divulgados, uma vez que não se responsabiliza pelos dados repassados por outras unidades da federação e as respectivas metodologias utilizadas para reunião das estatísticas criminais.

A Segup ressalta que o próprio Fórum Brasileiro, em sua metodologia, subdivide os estados, em grupos, por confiabilidade de dados apurados e o Estado do Pará integra o primeiro grupo. O quarto e último grupo é formado por unidades da federação que, se quer, encaminham qualquer informação numérica ou estatística à organização responsável pela elaboração do Anuário.

A Secretaria está prestes a finalizar um balanço sobre as informações do Anuário Brasileiro. Uma nota técnica deverá ser emitida ainda nesta terça-feira, 31, onde deverão ser ressaltadas as análises dos principais delitos referenciados na publicação. Inclusive, a Segup deve adiantar os números de diminuição, no Estado do Pará, nos registros de latrocínio no comparativo 2016 e 2017, entre os meses de janeiro e outubro”.

Para elaboração dos dados do Anuário são utilizadas informações provenientes de Secretarias Estaduais de Segurança Pública, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (Luciana Marschall)

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