Correio de Carajás

Novo temporal volta a alagar as principais ruas e avenidas de Marabá

Por: Da Redação

A forte precipitação que atingiu Marabá na noite de domingo (11) transformou, mais uma vez, as ruas da cidade em rios, expondo a fragilidade da infraestrutura urbana e reacendendo o debate sobre a responsabilidade do poder público. Moradores de diversos bairros registraram os transtornos e compartilharam imagens que revelam a dimensão dos alagamentos, um problema crônico que se agrava a cada período chuvoso na região.

Avenidas de grande circulação como a Nagib Mutran, no núcleo Cidade Nova, foram completamente submersas, com relatos de que a via “virou um rio “. A situação se repetiu em outros pontos vitais da cidade, incluindo a Avenida Boa Esperança, Avenida Antônio Vilhena, Avenida Manaus e VP-7.

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A chamada “Grota Criminosa”, galeria que corta quase toda a Nova Marabá, mais uma vez transbordou, não aguentando o volume de água e muitas casas foram alagadas.

Bairros populosos como São Félix, Morada Nova, e trechos da Nova Marabá e do Residencial Magalhães também foram severamente afetados, com a água invadindo residências e estabelecimentos comerciais.

Sobre a Cidade Nova, destaque para o centro comercial, onde várias lojas foram invadidas por água logo no início na Av. Nagib Mutran, na esquina com o Posto do Bolinha. “Esse vídeo foi gravado aqui na banca da minha mãe. Muita água, as lojas aqui ao redor, todas encheram de água”, relatou Richard Andrade em uma das muitas mensagens que circularam.

Repercussão

As redes sociais e aplicativos de mensagens tornaram-se o principal canal para a população expressar sua frustração e denunciar o que consideram um descaso recorrente. A dificuldade de tráfego e os prejuízos materiais são uma constante nas queixas.

“E o prefeito só de boa dormindo bem e o povo tendo de perder móveis, passar a noite toda molhado, preocupado e pedindo pra chuva parar logo. Esse é o Marabá”, desabafou Jean Coelho. O sentimento de abandono é compartilhado por outros moradores, que questionam as prioridades da gestão municipal. “Mas para o prefeito é melhor contratar um cantor pra cantar em Marabá do que cuidar desse tipo de situação, pois quase toda vez que chove acontece isso”, comentou Paulo Martins.

Especialistas e os próprios moradores apontam para um conjunto de fatores que explicam a recorrência dos alagamentos: a falta de um sistema de drenagem pluvial adequado, a ausência de saneamento básico em diversas áreas e o entupimento de bueiros, frequentemente causado pelo descarte irregular de lixo. “Isso é resultado de lixo no lixo… o que não acontece hoje pode ser desordem no amanhã”, observou Aldene Lourenço, destacando a corresponsabilidade da população no problema. Ainda assim, a cobrança por ações estruturais do poder público é unânime.

Responsabilidades

O cenário de fortes chuvas não é uma surpresa. Marabá está localizada em uma região com um período chuvoso bem definido, sendo janeiro um dos meses com maior volume de precipitação, superando frequentemente a média de 300 mm. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) havia emitido, inclusive, um alerta amarelo para chuvas intensas na região na semana do ocorrido, indicando um risco previsível

Diante de eventos como este, a legislação brasileira estabelece deveres claros para as administrações municipais e para o sistema de Defesa Civil. A responsabilidade do município em casos de danos por enchentes pode ser configurada por omissão, quando o serviço público não funciona, funciona de maneira inadequada ou é inexistente.

A Lei 12.608/2012, disciplina, por exemplo, que é dever e competência da Prefeitura Municipal e da Defesa Civil:

– Realizar manutenção preventiva e limpeza de galerias pluviais e bueiros;

– Coordenar ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação de desastres;

– Fiscalizar e implementar um planejamento urbano que evite construções em áreas de risco;

– Realizar monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico para produzir alertas de risco;

– Executar obras de contenção e melhoria da infraestrutura de drenagem;

– Apoiar os municípios no mapeamento de áreas de risco e na elaboração de planos de contingência;

– Manter e atualizar os mapas de áreas de risco da cidade;

– Declarar e gerenciar situações de emergência e estados de calamidade pública;

– Desenvolver e aplicar planos de contingência para períodos de chuvas intensas;

– Articular com órgãos federais e estaduais para obter ajuda e recursos quando necessário.

Enquanto a chuva continua a cair sobre Marabá, os moradores aguardam por soluções que vão além de medidas paliativas. A demanda é por um planejamento urbano sério e por obras estruturais que possam, de fato, mitigar os efeitos dos temporais e garantir a segurança e o bem-estar da população.