Correio de Carajás

Nova vacina aumenta sobrevida de pacientes e evita disseminação de câncer

Resultado foi divulgado pelas empresas Moderna e Merk, que lideram a pesquisa, em relatório preliminar. Paciente tiveram menos recorrências da doença e menos casos de metástase à distância.

Foto: Magnific
✏️ Atualizado em 19/08/2026 10h29

Uma vacina experimental personalizada contra o câncer, desenvolvida pela Merck e pela Moderna, reduziu o risco de o melanoma voltar após a cirurgia, segundo resultados preliminares do primeiro ensaio clínico de fase final do tratamento. O relatório foi divulgado pela Moderna nesta quarta-feira (19).

➡️ Chamada de intismeran autogene, a vacina é diferente das usadas para prevenir doenças infecciosas: em vez de proteger contra o câncer antes que ele apareça, ela é fabricada sob medida para tratar um tumor que já existe, a partir das mutações genéticas específicas daquele paciente.

No estudo, ela foi testada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico da Merck já usado no tratamento do melanoma — um tipo agressivo de câncer de pele.

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De acordo com a empresa, o tratamento atingiu o principal objetivo do estudo, que era prolongar significativamente o tempo de sobrevida dos pacientes sem recidiva do melanoma, em comparação com o tratamento apenas com Keytruda, além de reduzir o risco de disseminação do câncer para outras partes do corpo.

A vacina, chamada intismeran autogene, foi testada em pacientes com melanoma — a forma mais letal de câncer de pele — que haviam passado por cirurgia para retirada completa do tumor, mas ainda corriam risco de a doença voltar.

Pacientes que receberam os dois tratamentos juntos tiveram menos recorrências da doença e menos casos de metástase à distância do que os tratados apenas com Keytruda.

 

Como funciona a vacina

 

Diferentemente das vacinas usadas para prevenir doenças infecciosas, a intismeran não protege contra o câncer antes que ele apareça: ela é fabricada sob medida para tratar um tumor que já existe, a partir das mutações genéticas específicas de cada paciente.

Uma amostra do tumor é sequenciada para identificar essas mutações — uma espécie de “impressão digital” molecular daquele câncer. A partir daí, é produzida uma molécula de mRNA capaz de codificar até 34 alvos (neoantígenos) presentes só naquele tumor. Injetada no paciente, ela ensina o sistema imunológico a reconhecer essas mutações e atacar as células que as carregam.

O Keytruda age de outra forma: bloqueia uma proteína (PD-1) que os tumores usam para escapar da vigilância do sistema imune, permitindo que os linfócitos T ajam com mais eficiência. A combinação busca unir os dois mecanismos — um aponta o alvo, o outro remove o freio da resposta imune.

O que o estudo descobriu?

 

O estudo atual incluiu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo. Dois terços receberam a combinação da vacina com Keytruda, e um terço recebeu apenas o imunoterápico, por cerca de um ano.

Numa análise interina — feita antes do fim previsto do estudo —, o grupo que recebeu a combinação apresentou resultados estatisticamente superiores tanto na sobrevida livre de recorrência quanto na sobrevida livre de metástase à distância.

A informação foi divulgada em um comunicado das empresas. O estudo ainda está em andamento e não foi publicado. Moderna e Merk não divulgaram os percentuais exatos de redução de risco observados nesta nova análise.

Em um estudo de fase intermediária com pacientes de melanoma de alto risco submetidos à cirurgia, a mesma combinação havia reduzido o risco de recorrência ou morte em 49% após cinco anos, resultado consistente com os dados de acompanhamento de três anos apresentados em 2023.

O perfil de segurança da combinação, segundo o comunicado, foi consistente com o observado em estudos anteriores, sem novos sinais de risco identificados.

Tecnologia está sendo testada em outros tipos de câncer

 

O estudo divulgado nesta quarta trata especificamente de melanoma, mas a tecnologia por trás da vacina está sendo testada em outros tipos de tumor.

O programa de pesquisa, chamado INTerpath, reúne nove estudos de Fase 2 e Fase 3 em andamento, incluindo câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e carcinoma de células renais.

Há ainda estudos em fase inicial para câncer de pâncreas, estômago e outro tipo de tumor de pulmão.

A tecnologia por trás dela é a mesma plataforma de mRNA usada pela Moderna para desenvolver sua vacina contra a Covid-19. A empresa tem buscado transformar sua plataforma de mRNA em uma franquia mais ampla e duradoura, aplicando a outros quadros.

(Fonte:G1)