📅 Publicado em 24/04/2026 13h12✏️ Atualizado em 24/04/2026 13h39
Na data em que se celebra o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a comunidade surda de Marabá ocupou a Câmara Municipal de Marabá na manhã desta sexta-feira (24) para pedir apoio na reivindicação do cumprimento de direitos básicos, com foco na garantia de intérpretes em instituições públicas e na reestruturação da CIL, que é a Central de Intérpretes do município.
A escolha da data não é por acaso. Em 24 de abril de 2002, a Lei 10.436 reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão no Brasil. 24 anos depois da data ser nacionalmente reconhecida as pessoas surdas que vivem em Marabá relatam que a teoria está longe de funcionar na prática. De acordo com eles, atualmente o município possui 95 surdos cadastrados, entre adultos e crianças e, todos eles, enfrentam barreiras e dificuldades diariamente.
Marcos Vinicius Peres, presidente do Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência e presidente da Associação dos Surdos (IEDS), destacou que a ausência de profissionais capacitados em locais essenciais gera situações de vulnerabilidade.
Leia mais:“Estamos lutando por acessibilidade em hospitais, bancos e repartições. Recentemente, houve um caso em que pessoas surdas foram à delegacia e não puderam ser atendidos por falta de intérprete”, relatou Peres.
Autonomia para a CIL
O ponto central do protesto é a gestão da Central de Intérprete de Libras (CIL). Atualmente, o serviço funciona dentro do Centro de Atendimento Especializado na área da Surdez (CAES), que está localizados na Folha 23, na Nova Marabá e é gerida pelo Poder Executivo.
Os manifestantes pedem a separação administrativa entre os dois órgãos. Pois, segundo os relatos, a vinculação atual engessa o atendimento.
“A CIL deveria trazer acessibilidade, mas sempre que procuramos ficamos esperando. Dizem para esperar o motorista, ou que o carro quebrou, arranjando desculpas. Não temos o atendimento que precisamos”, desabafou uma das lideranças durante o ato.
A comunidade exige que a CIL tenha uma coordenação própria e interessada em resolver os gargalos do setor. O objetivo da separação é garantir que os intérpretes estejam disponíveis para acompanhar os cidadãos em suas necessidades externas, assegurando que o direito à comunicação, garantido por lei, seja respeitado em Marabá.

