Correio de Carajás

Mutirão em Marabá oferece retificação de nome e gênero para trans e travestis

Ação no dia 16 de maio antecipa o Dia Internacional de Combate à LGBTIfobia, garantindo acesso a direitos e dignidade para a população trans e travesti.

Mulher em estúdio de rádio com microfone profissional e fones de ouvido.
Letícia Werneck, muito conhecida na cidade, é uma das primeiras mulheres trans de Marabá/Foto: Jaqueline Reis
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 14/05/2026 16h38

A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) realiza no dia 16 de maio a ação “Cidadania Trans em Movimento”, um mutirão voltado à retificação documental para a população trans e travesti. O atendimento ocorre a partir das 8 horas na Unidade I da instituição, localizada na Folha 31, em Nova Marabá. A mobilização antecipa o Dia Internacional de Combate à LGBTIfobia, celebrado em 17 de maio.

Para garantir o atendimento no dia 16, os interessados precisam fazer uma inscrição prévia. É necessário enviar cópias do RG e da certidão de nascimento ou casamento para o e-mail nuade@unifesspa.edu.br, procedimento que confere maior agilidade à análise do processo.

A emissão de documentos com o nome e o gênero com os quais a pessoa se identifica garante o acesso adequado a políticas públicas e evita constrangimentos institucionais. Representando a comunidade em Marabá, Letícia Wenerck, explica o impacto prático dessa mudança na rotina da população LGBTQIA+:

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“Há muito constrangimento, até mesmo na escola. As meninas que são trans, que fazem faculdade, têm aquele receio, principalmente na hora da chamada. Quem é uma pessoa trans que nasceu com um gênero diferente do que se identifica atualmente terá a oportunidade de emitir seu RG e retificar sua certidão de nascimento já com o gênero com o qual se identifica”.

O evento é promovido pelo Núcleo de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (NUADE) e pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Inclusão (PROAFI) da Unifesspa. A força-tarefa conta com a parceria da Defensoria Pública do Estado do Pará, da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEIRDH) e de movimentos sociais locais. O coordenador-geral do NUADE, Dom Condeixa de Araujo, define a relevância da mobilização:

“Essa ação é mais do que um mutirão de documentos. É uma afirmação concreta de que pessoas trans e travestis têm direito ao reconhecimento, à dignidade e à cidadania plena. Na Unifesspa, temos trabalhado para construir políticas permanentes de acesso e permanência, e iniciativas como essa mostram que esse compromisso já está em prática no território”.

Além dos trâmites legais para os novos registros, o mutirão funcionará como um espaço integrado de acolhimento. É Letícia quem explica quais serviços adicionais que estarão disponíveis ao público durante a programação.

“Vamos ter acompanhamento de psicólogos para dar essa força, também o atendimento básico em termos de saúde. Vai ter algo que vai poder favorecer a classe no momento, tipo alguns testes, distribuição de preservativos e conscientização da prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis”.

No dia do evento presencial, o atendimento presencial será guiado pela ordem de chegada. Os participantes devem levar a certidão original, o RG atual, um comprovante de residência e uma fotografia recente. Letícia reforça a orientação para os interessados: “Chegue cedo que o atendimento vai ser por ordem de chegada. Não esqueça da foto também, que é de grande importância”. (Com informações do Nuade)