Correio de Carajás

Mural de 96 metros de artista marabaense é vandalizado na Praça do Aeroporto

Arte está sendo produzida em praça pública na área do aeroporto e deveria ser concluída nesta semana. Nomes de facções aparecem nas pichações

Ghennity denunciou o vandalismo em seu perfil no Instagram e estava chorando de tanta tristeza
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 07/10/2026 17h28

Um mural de 96 metros que estava em fase final de pintura foi vandalizado na praça do Aeroporto João Corrêa da Rocha, no núcleo Cidade Nova, em Marabá. A artista Ghennity Ferro, conhecida nas redes sociais como GhenGhenn, é a responsável pela pintura e descobriu o dano nesta quarta-feira (7), quando voltou ao local para continuar o trabalho. Segundo ela, a ação ocorreu provavelmente na segunda-feira (6), já que o mural estava intacto no dia anterior.

Há escritas e desenhos diferentes ao longo do muro. Alguns com tom pornográfico e outros dois fazendo apologia aos nomes de duas facções bastante conhecidas em Marabá.

A Reportagem deste CORREIO entrou em contato com a artista por telefone e ela explicou que a obra começou a ser pintada em julho e estava prevista para ser concluída nesta sexta-feira (10). Segundo a artista, faltava apenas a pintura do mural para que a praça, que passa por revitalização pela Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (Sevop), fosse inaugurada.

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Segundo a artista, o espaço não possui câmeras de monitoramento

“Já era algo que estava pronto e ter que refazer o fundo dos desenhos é bem complicado”, explica Ghennity. Apesar dos danos, ela afirma que parte do trabalho pode ser recuperada e que pretende concluir a pintura até a próxima semana.

Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, a artista conta que deixou tintas no local porque trabalha de moto e teria dificuldade para transportar o material diariamente. A praça é cercada e a obra de revitalização é executada por uma empresa terceirizada. No entanto, segundo Ghennity, o espaço não possui equipamentos de monitoramento.

Questionada pela Reportagem sobre o que pode ser feito para inibir atos como esse, ela reflete que a instalação de câmeras e o reforço da vigilância poderiam ajudar a evitar novos episódios. Ghennity também afirma que há circulação de usuários de drogas nas proximidades e considera a segurança do espaço necessária.

Para além do prejuízo físico e de mão de obra, o vandalismo, segundo a artista, teve impacto emocional.

Ghennity Ferro: “Esse episódio abalou muito o meu psicológico, mas me fez também ser mais resiliente”

“Isso reflete muito a sociedade em que vivemos hoje, a falta de respeito com pessoas que são trabalhadoras, que não reconhecem o esforço do outro”, afirma.

Apesar do ocorrido, ela diz que a repercussão também trouxe manifestações de apoio ao trabalho. “Esse episódio abalou muito o meu psicológico, mas me fez também ser mais resiliente e, com a repercussão, também descobri o tanto de pessoas que apoiam e admiram meu trabalho”.