Correio de Carajás

Mulheres de Marabá vão às ruas no 8 de março em defesa de direitos e igualdade

Um dos principais protestos será contra as mortes de mães e bebês no HMI, e a falta de acesso à radioterapia para pacientes com câncer

Cerca de 400 mulheres são esperadas na tradicional Marcha das Mulheres, no 8 de março

No próximo 8 de março, sábado, Dia Internacional da Mulher, será realizada em Marabá a tradicional Marcha das Mulheres. Este ano, o evento traz como tema: “Para todas as mulheres e meninas: direitos, igualdade e empoderamento!” e busca mobilizar a sociedade para a valorização feminina.

A concentração será a partir das 7 horas, em frente ao Ginásio Dequinha, no Bairro Laranjeiras, no núcleo Cidade Nova. O percurso seguirá, e será encerrado na Praça São Francisco, no núcleo Cidade Nova.

A marcha conta com o apoio de diversas instituições, incluindo a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher, a Diocese de Marabá, o Instituto de Formação Marabá (IFM), o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) e a Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (SEASPAC).

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O evento é aberto a mulheres de todas as idades e busca reunir participantes de diferentes segmentos para reforçar a luta por direitos, igualdade e o combate à violência de gênero. A organização estima a participação de cerca de 400 mulheres, que juntas ecoarão uma só voz: a luta pelos direitos da mulher.

O Correio de Carajás conversou com Cláudia Silene Alves, representante do Centro Social Liberdade, que destacou a importância do evento. Segundo ela, essa mobilização já trouxe diversos avanços para o município, como a criação de creches em tempo integral para mães trabalhadoras, a instalação da Delegacia da Mulher, e a implementação do Programa ParáPaz.

Cláudia afirma que o evento, realizado anualmente, tem gerado avanços, mas ainda há muito a ser feito

Este ano, um dos principais protestos será contra as mortes de mães e bebês no Hospital Materno Infantil (HMI), em Marabá, e a falta de acesso à radioterapia para pacientes com câncer. “Nós, mulheres dos movimentos, estamos inconformadas com esse descaso, com essas vidas sendo ceifadas”, diz Cláudia.

Outra liderança à frente da marcha é Lady Anne Souza, representante da Diocese de Marabá. Em entrevista ao CORREIO, ela ressaltou que o evento é um compromisso com todas as mulheres. Além disso, destacou a importância de ampliar a mobilização para os bairros periféricos da cidade. “Precisamos levar conscientização sobre a prevenção e o combate à violência contra mulheres e meninas, além de lutar pela efetivação de políticas públicas que garantam atendimento seguro e respeitoso para todas”, conclui.

Lady Anne reforça que a Marcha das Mulheres é um compromisso com todas elas

TRADIÇÃO NO 8 DE MARÇO

A Marcha das Mulheres em Marabá é um evento tradicional, organizado por movimentos sociais e instituições para dar visibilidade às demandas femininas. A cada ano, ocorre em diferentes pontos da cidade e recebe apoio de entidades públicas e privadas para garantir estrutura, como transporte, som e alimentação, especialmente para mulheres que vêm de áreas rurais.

Durante a caminhada, as participantes carregam cartazes e faixas para expressar suas reivindicações, denunciando problemas como a violência contra a mulher e a precariedade no atendimento à saúde.

Este ano, o foco da marcha será a violência obstétrica e ao acesso à radioterapia para mulheres com câncer, evidenciando a preocupação com a qualidade dos serviços de saúde no município. O evento se consolida como um espaço de protesto pacífico, mas também como uma ferramenta de pressão para garantir melhorias nas políticas públicas voltadas para as mulheres.

(Milla Andrade)