O aniversário de três anos da rede de apoio “Mulher Conte Comigo” foi celebrado na sede do Grupo de Mulheres Arco-Íris da Justiça na manhã desta terça-feira (20), em Marabá. A iniciativa surgiu durante a pandemia com a intenção de ser uma ouvidora pública e combater os altos casos de violência doméstica e, agora, persiste, como um suporte à comunidade feminina marabaense.
Em 2020, foram registrados, pela Secretaria de Segurança Púbica do Estado do Pará, 702 casos de violência doméstica em Marabá e outros 515 em Parauapebas, um aumento de pouco mais de 10% no número de ocorrências em comparação há dois anos antes, 2018, quando foram registrados 638 e 468, respectivamente nos dois municípios. Os dados foram fornecidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI) numa reportagem do CORREIO DE CARAJÁS.
Durante a pandemia, houve uma mudança no perfil dos casos de violência de gênero. Se antes as mulheres eram agredidas ou ameaçadas pelos ex-companheiros, com o isolamento social passou a ser maior o número de vítimas de homens que vivem sob o mesmo teto.
Leia mais:À época, a reportagem deste CORREIO entrevistou a psicóloga Tábata Pereira da Silva Veloso, coordenadora da Fundação Pará Paz em Marabá e teve acesso à informação de que o isolamento domiciliar provocou esse atrito obrigatório e o casamento que já era abusivo chegou ao insuportável.
A vítima não tinha como ir até a fundação pelo medo do vírus da covid-19. Por isso, foram desenvolvidas várias outras formas de amparo, como o Mulher Conte Comigo, que oferecia, via WhatsApp, um grupo com a viatura Maria da Penha, articulações como o Conselho Municipal da Defesa dos Direitos da Mulher de Marabá (Condim), representantes da jurisprudência local, entre outros aliados. Todos na luta pela conscientização e proteção dessas mulheres.
Na linha de frente do Grupo de Mulheres Arco-Íris da Justiça, Rosalina Isoton, ajudou a fundar a ouvidoria e relata que o próprio nome surgiu de uma frase que se viu repetindo inúmeras vezes a semelhantes que a procuravam por ajuda durante a pandemia: “Eu sempre dizia para essas mulheres contarem comigo”.

Muitas vítimas, que se encontravam isoladas, procuravam a articulação para pedir socorro. Diante disso, apenas assistir essas mulheres, perante as situações de violência seria ineficaz. Rosalina conta que a informação sobre a legislação, com a ajuda do juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, responsável pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, foi fundamental, já que conhecendo seus direitos, a comunidade teria como identificar até mesmo formas silenciosas de violência, como a psicológica.
“Apoiar, acolher e escutar” são as três palavras usadas para resumir a atividade do Mulher Conte Comigo, pela articulista Ailce Margarida Negreiros. Ela, que tem uma trajetória especial no enfrentamento à violência contra a mulher em Marabá, frisa a relevância desta iniciativa, mesmo após o período pandêmico.

A ouvidoria popular, agora, vai até a mulher na intenção de ouvi-la e orientá-la. Margarida explica que a ação não se resume a Marabá, outros municípios como Altamira, Parauapebas e Redenção também conseguem ser alcançados por esta rede abrangente e pertinente no que diz respeito à vida da mulher do sul e sudeste do Pará. (Thays Araujo e Chagas Filho)