Correio de Carajás

MPPA promove audiência sobre violência doméstica em Marabá

Em Marabá, o MPPA promove a audiência "Quebrando o Silêncio" para conscientizar a população e unir instituições no combate à violência contra a mulher.

Homem de óculos e terno escuro em frente a um banner de evento.
Promotor Gilberto Lins reforça que o índice de reincidência das agressões é preocupante/ Foto: Luciana Araújo
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 26/03/2026 16h27

Para fortalecer o combate à violência contra a mulher, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realiza na segunda-feira (30), em Marabá, a audiência pública “Quebrando o Silêncio”. A iniciativa é da 3ª Promotoria de Justiça Criminal, por meio do promotor Gilberto Lins de Souza Filho, e foca na conscientização e na união de instituições para enfrentar o problema.

Em preparação para este evento, o Correio de Carajás conversou com Gilberto Lins na manhã desta quinta-feira (26). Segundo ele, a ação surge da necessidade urgente de aproximar o MPPA da população para compreender a fundo a dinâmica da violência na região.

“A ideia inicial dessa audiência pública é abrirmos as portas do Ministério Público para ouvir toda a população, desde órgãos da prefeitura e movimentos sociais até pessoas que tenham interesse no assunto”, explica.

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Ele reforça que há um índice preocupante de reincidência das agressões e um impacto direto na formação das crianças que presenciam essas ocorrências, daí a importância da ação.

Questionado sobre dados locais, ele informa que o MPPA não possui números específicos, mas um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela a gravidade do cenário. Apenas em 2025, foram deferidas cerca de 1.300 medidas protetivas em Marabá.

Apesar do número expressivo, o promotor alerta que a subnotificação ainda é um dos maiores desafios. Muitas vítimas não reconhecem as agressões que sofrem ou têm receio de buscar ajuda. Por isso, a promotoria reforça que diversos equipamentos públicos estão de portas abertas: “A gente só quer que aquela mulher traga essa informação para que possamos agir”.

Nesse sentido, quando questionado pela Reportagem, o promotor detalha que quando uma mulher procura o MPPA em Marabá para denunciar um caso de violência, o primeiro passo é o acolhimento humanizado.

A equipe técnica, acompanhada diretamente pelo promotor, realiza a escuta da vítima e identifica suas demandas prioritárias. Após esse levantamento, a mulher é encaminhada para a rede de assistência social do município e para a delegacia, garantindo tanto o suporte psicológico quanto a repressão penal ao agressor.

PRÓXIMOS PASSOS

O resultado da audiência pública do dia 30 servirá como base para a formulação e cobrança de novas políticas públicas. Segundo o promotor, o MPPA pretende mapear os anseios e as deficiências apontadas pela comunidade, que muitas vezes envolvem não apenas a segurança, mas também demandas de saúde e de educação.

Por conta da vasta extensão territorial de Marabá, dividida em diferentes núcleos urbanos, um dos grandes desafios após a audiência será a descentralização do atendimento. A meta é levar os serviços e a atuação conjunta do Estado e do Município diretamente aos bairros mais afastados e populosos, como São Félix, Liberdade e Marabá Pioneira.

“A nossa essência com essa audiência é ouvir as reclamações e necessidades para nos auxiliar a realizar o que a gente mais precisa: a política pública de enfrentamento à violência contra a mulher e a família”, conclui o promotor.